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20/06/2022 às 19h48min - Atualizada em 20/06/2022 às 19h48min

Tribunal do Júri Popular inocenta fazendeiro acusado do “Caso Urbano”

Dema de Oliveira
Jornal O PROGRESSO
Fórum de João Lisboa, onde ocorreu o julgamento - Foto: Divulgação
 
A 1ª Vara da Comarca de João Lisboa realizou sessão do Tribunal do Júri, na última sexta-feira (17), no auditório do fórum daquela Comarca. Conforme decisão do Conselho de Sentença, o agropecuarista José Ilton Cardoso Ferro, acusado de ser o mandante da morte do ex-policial civil José Heleno Santos Urbano, crime ocorrido em 2007, foi inocentado do crime, por maioria de votos. 

Com a decisão do Conselho de Sentença, que prevalece no julgamento do Tribunal do Júri, o juiz Glender Malheiros Guimarães (1ª Vara de João Lisboa) emitiu sentença absolvendo o réu das acusações no caso da morte do policial José Heleno dos Santos Urbano, que envolveu mais três réus.

 

O Crime

O agropecuarista, conhecido como “Renato” foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado e associação criminosa, pelo assassinato do policial Urbano, executado a queima-roupa em emboscada, no dia 6 de setembro de 2007, por volta das 18h30, no interior da Fazenda “São Francisco”, na Vila Tibúrcio, situada na zona rural de João Lisboa.

Naquela data, a vítima conduzia os trabalhadores rurais depois do serviço, quando recebeu um convite para ir à fazenda “São Francisco”, para falar com “Renato”. Chegando lá, foi recebido com vários tiros de pistola e espingarda disparados por oito homens que trabalhavam na fazenda, morrendo no local.

 

A Denúncia

Segundo a denúncia, depois do crime, José Ilton teria ordenado aos trabalhadores que acompanhavam Urbano que recolhessem o corpo da vítima e saíssem da fazenda “em dez minutos”. Em seguida, os homens que atiraram no policial fugiram do local. No dia seguinte, a polícia civil prendeu em flagrante delito os suspeitos Adelson Ângelo da Silva e Roberto Laurindo dos Santos, que estavam na fazenda no dia do crime e estariam envolvidos na ocorrência.

Interrogados pela autoridade policial, os acusados negaram participação no crime, mas declararam que seu patrão, José Ilton Cardoso Ferro, o seu filho Wagner Macedo Cardoso Ferro (o “Carlão”) e outros homens estavam escondidos e armados na fazenda, à espera da vítima chegar. E que teriam ouvido do dono da fazenda que a vítima teria encomendado a morte dele.

Na denúncia, de 27 de junho de 2008, o Ministério Público de João Lisboa pediu a condenação do agropecuarista José Ilton Cardoso Ferro (“Renato”) e do seu filho, Wagner Macedo Cardoso Ferro (“Carlão”), dos vaqueiros Adelson Ângelo da Silva ( “Del”), Roberto Laurindo dos Santos e do caseiro José Raimundo de Sousa Leite.

Conselho de Sentença - Na sessão do Tribunal do Júri, por quatro votos, os jurados do Conselho de Sentença reconheceram que a vítima sofreu as lesões descritas no laudo do exame pericial de necropsia que causaram a sua morte; que terceiros desferiram tiros de arma de fogo na vítima, mas entenderam que o réu José Ilton Cardoso Ferro não contribuiu de qualquer forma para a prática do crime de “homicídio qualificado”.

Os jurados reconheceram a tese da defesa de “negativa de autoria” quanto aos disparos de arma de fogo contra a vítima, atribuindo o crime de homicídio qualificado a outras pessoas ue estavam presentes na fazenda no dia do crime. Em relação à acusação de “associação criminosa”, os jurados também não reconheceram a responsabilidade criminal do réu de que o réu se associou a mais de três pessoas com o fim de cometer o crime de que foi acusado.

 

A Vítima

Segundo informações da secretaria judicial da vara, a vítima era pai dos gêmeos (Vander e Vanderson Israel) presos durante a “Operação 17”, por decisão da 1ª Vara Criminal de São Luís, especializada em crime organizado, sob a acusação de compor organização criminosa, lavagem de dinheiro e venda de armas e munições de uso restrito, em 9 de março deste ano, em Imperatriz.

Urbano exerceu o cargo de policial civil, inclusive em São Luis, por 16 anos. Antes de deixar a Polícia Civil ele foi lotado na 10ª Delegacia Regional de Imperatriz.

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