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15/05/2022 às 20h00min - Atualizada em 15/05/2022 às 20h00min

Livros & Leitura

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Da Redação
GB Edições

Horror de Outro Mundo

O escritor norte-americano H. P Lovecraft revolucionou a literatura de horror no início do Século XX. Suas tramas, porém, só foram reverenciadas e apreciadas após sua morte e seu legado serviu para criar uma legião de apreciadores do gênero e serviu até para criar um princípio literário próprio: o “Horror Cósmico”, aquele no qual o universo conspira sempre contra os interesses e anseios do protagonista. Todavia em sua obra não é difícil de encontrar passagens que apontam para o discurso supremacista, guarnecido de preconceito de raça, étnico e xenófobo. Para avaliar o papel desses discursos discriminatórios na obra de Lovecraft, o historiador Luis Otávio Canevazzi escreveu “Horror de Outro Mundo: Um Ensaio Sobre o Racismo em H. P. Lovecraft”, lançado pela editora Telha. O ódio ao externo, ao diferente e ao que não fizesse parte da casta ariana faz-se presente em seu vasto material. A obra do escritor, por sua vez, inspirou escritores de gerações futura, além de diretores de cinema e desenvolvedores de jogos de RPG e videogame. Para se ter uma ideia da importância do escritor para a literatura de horror, Stephen King classificou Lovecraft como "o maior praticante do Século XX do conto de horror clássico". "Apesar da aversão causada pelas passagens racistas nas entrelinhas de alguns contos, o que mais me deixou desconfortável foi ter conhecimento sobre a vida do autor através de sua biografia. Foi incrível saber que, durante seu período em Nova York, Lovecraft chegou a sofrer por estar entre imigrantes. Pensar que suas obras, possivelmente, trazem à vida o horror vivido pelo próprio autor, não somente em seus sonhos, mas também em seu dia a dia, por ser tão intolerante ao outro, de prontidão me causou uma gama de sentimentos ruins", relata Luis Otávio sobre sua reação ao avaliar a obra de Lovecraft sob uma perspectiva social. O livro tem 88 páginas.
 

A Ilha e o Espelho

Desde o título, o novo livro de Fausto Panicacci, “A Ilha e o Espelho”, denota a contradição como estado natural do ser humano. Todos são formados por aquilo que reconhecem no outro e a única forma de amar verdadeiramente alguém é compreender seus paradoxos, escreve o autor na ficção literária publicada pela Maquinaria Editorial. As reflexões – e de certo modo os desconfortos – com os quais o leitor se depara emergem na história de encontros e desencontros entre o protagonista, Theo B., e um grupo de amigos apaixonados por fotografia, ele brasileiro, eles de diferentes nacionalidades. O local onde tudo começa é o “The Eagle”, um pub situado em uma das cidades estudantis mais antigas da Europa: Cambridge. Entre aforismos e citações sobre as diferentes áreas do conhecimento, o autor do best-seller “O Silêncio dos Livros” revela traços do comportamento dos personagens, especialmente a forma como lidam com seus dilemas pessoais. A partir as vivências, problematiza também questões sociais como xenofobia, crise dos refugiados, poluição e violência contra a mulher. A descrição detalhista das mãos sendo aquecidas na chama da minúscula vela redonda ao cheiro de tinta exalado por um painel de fotografias revela uma das marcas mais proeminentes na escrita do autor, apaixonado tanto por livros como por fotografia e História da Arte. A propósito, o projeto gráfico conta, na capa, com a pintura do artista curitibano Rafael Mesquita. Os olhos que se revelam sobre o rosto encoberto reforçam com uma conclusão evidente na narrativa intimista de Fausto Panicacci: observar o ser humano é descortinar um paradoxo. O livro tem 304 páginas.
 

Direito Internacional dos Espaços

No lançamento “Direito Internacional dos Espaços”, o professor e doutor em Direito Internacional pela USP, Paulo Borba Casella, levanta discussão sobre a relação entre os territórios e a soberania do Estado. Dividida em 16 capítulos, a obra apresenta elementos-chave do Direito Internacional como a demarcação e ocupação territórios e domínios fluviais e marítimos. Publicado pela editora Almedina Brasil, a obra enfatiza a compreensão da dimensão territorial, da configuração da soberania e até mesmo a interação entre os Estados, no âmbito internacional. Para fazer estas reflexões, o autor tem como ponto de partida as bases físicas do planeta, pois são estas que configuram a territorialidade terrestre, marítima e aérea de cada nação, além de ser um componente importante para a caracterização do Estado. Casella apresenta ao leitor dois estudos de caso para exemplificar a relação entre soberania e território. O primeiro, considerado um clássico das discussões do Direito Internacional, se refere à Santa Sé e ao Vaticano. Já no segundo, o escritor levanta um debate sobre a atuação do grupo Hezbollah, no Líbano. O título é indicado para estudantes de graduação e pós-graduação de Direito, Relações Internacionais e candidatos aos concursos de diplomacia. O livro faz parte da coleção “Tratado de Direito Internacional”, que aborda ainda as definições de domínios em navios e aeronaves. O livro tem 768 páginas.
 

A Passos Lentos – Uma História Econômica do Brasil Império

Resultado da reunião de historiadores renomados, o livro “A Passos Lentos – Uma História Econômica do Brasil Império”, lançamento da editora Almedina Brasil, pode ser definido como uma nova referência para estudiosos e curiosos. A leitura é indicada para aqueles que desejam entender a dinâmica de desenvolvimento do país ao longo dos séculos a partir das políticas econômicas adotadas durante o domínio da monarquia. Marcelo de Paiva Abreu, doutor em Economia pela Universidade de Cambridge e professor titular emérito do Departamento de Economia da PUC-Rio, Luiz Aranha Correa do Lago, doutor em Economia pela Universidade Harvard, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio e ex-diretor do Banco Central (1987-1988), e André Arruda Villela, doutor em História Econômica pela Universidade de Londres e professor adjunto da FGV EPGE, assinam esta obra que nasce como fonte essencial de conhecimento. “A Passos Lentos” aborda as dinâmicas econômicas da época, baseadas sumariamente no escravagismo, o PIB das regiões habitadas, os dilemas que envolviam a posse e divisão de terras, as relações trabalhistas e como a capital se mantinha. Os historiadores também apresentam a relação entre o Brasil Império e a Economia mundial, destrinchando as políticas de comércio exterior, exportações, importações e dívida externa. O livro tem 284 páginas.

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