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23/03/2022 às 20h19min - Atualizada em 23/03/2022 às 20h19min

Cidadã do mundo, Sônia Guajajara recebe Título de Cidadã Imperatrizense

“Todo tempo eu queria encontrar um rumo, um jeito de como trazer essa história e essa vida dos povos indígenas para um conhecimento da sociedade.”

Illya Nathasje
Sônia Guajajara: nos caminhos da vida sua maior conquista: a defesa de sua gente e das gentes que lutam em busca da vida. Os povos originários - Foto: O PROGRESSO
 
Sônia Bone de Souza Silva Santos, nascida em 6 de março de 1974 em terra indígena Arariboia no Amarante e moradora de Imperatriz, mais que filha de um lugar e moradora de outro, é filha da mãe terra – como gosta de frisar em suas falas. De pais analfabetos, essa guerreira conquistou nos bancos de universidades os diplomas de Letras (especialista em Educação, é mestra em Cultura e Sociedade pelo Instituto de Humanidades, Artes e Cultura da Universidade Federal da Bahia) e Enfermagem (Federal do Maranhão). Mas é nos caminhos da vida sua maior conquista: a defesa de sua gente e das gentes que lutam em busca da vida. Os povos originários. 

Assim, caminhando pelo Brasil e pelo mundo, Sônia (uma digna e orgulhosa) Guajarara, essa mulher que se tornou uma das maiores lideranças indígenas e ambientais do país: Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima); Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), além da participação na Coordenação Executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Faz parte ainda do Conselho da Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais do Brasil (programa das Nações Unidas) e sua voz que desde a juventude (Movimentos de Base) denuncia por onde passa, os projetos que ameaçam direitos dos povos indígenas e do meio ambiente ecoou e – autoridade que é - continua a ecoar no Conselho de Direitos Humanos da ONU e nas Conferências Mundiais do Clima (COP), no Parlamento Europeu, entre outros órgãos e instâncias internacionais mundo afora.

Foi aos 15 anos que Sônia rompeu a linha da invisibilidade até então existe pela geografia isolada das aldeias. Convidada pela FUNAI foi morar em Minas Gerais e fez do desafio que em seu entendimento é eterno “de fazer a luta, de ocupar os espaços, de protagonizar a própria história”. Ali, definiu-se a linha do tempo de um momento “em que a gente acredita que pode fazer muito mais e pode também estar assumindo a linha de frente de todas as lutas”. Daí para a frente, para citar alguns feitos em 2001 participou do primeiro evento nacional indígena, a pós-conferência da Marcha Indígena, para discutir o Estatuto dos Povos Indígenas em Luziânia (GO); em 2012, coordenou a organização do Acampamento Terra Livre na Cúpula dos Povos, contrapondo o evento mundial da Rio +20, e, ano seguinte estava à frente da Semana dos Povos Indígenas e a ocupação do plenário da Câmara e do Palácio do Planalto. Vale ainda o registro da realização da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas acontecida em Brasília (2019), a primeira marcha das mulheres indígenas no mundo e marco na história (2010), a entrega do prêmio Motosserra de Ouro para Kátia Abreu então ministra da Agricultura, como protesto às alterações do Código Florestal. 

Ontem, 23, na Câmara Municipal de Imperatriz, onde recebeu o Título de Cidadã Imperatrizense por indicação do vereador Aurélio Gomes (PT), Sônia Guajajara, na Tribuna Freitas Filho, em sua fala de pura sinergia mostrou porque alçou candidata a vice-presidente da República (2018) aos 44 anos de idade e também personalidade libertária, em todas as tribunas e defesas que sustentou. 

Alerta
Um dos momentos de grande sensibilidade demonstrado pela líder indígena, aconteceu quando ela se dirigiu a dezenas de estudantes da rede municipal. Didática, Sônia Guajajara afirmou que as pessoas precisam entender que água que higieniza o corpo, sacia a sede e cozinha alimentos não vem somente das torneiras, saindo das caixas d’água. Chamou a atenção para a necessidade de mudar a forma de consumo. 

Tempos atrás, durante entrevista em meio a pandemia, ela disse: “As pessoas têm que repensar as suas formas de consumo, tem que entender que o individualismo precisa acabar, que temos que adotar formas coletivas de fazer as coisas, fortalecer os trabalhos em redes. E principalmente assumir a sua responsabilidade nessa luta pela mudança do modelo de desenvolvimento econômico que precisa ser rompido urgentemente e somente nós, indígenas ou ambientalistas não vamos conseguir fazer essa pressão para essa mudança acontecer. É preciso muito mais envolvimento, engajamento. É preciso que a comunicação viabilize mais isso. É preciso que os movimentos sociais de outras causas assumam isso também como sua causa, para que a gente de fato possa considerar uma nova sociedade, mais justa, fraterna, solidária. Para isso as lutas têm que ser mais coletivas, a conscientização mais política e ecológica, entendendo que é preciso fazer outra conexão, ou uma reconexão com a mãe terra, e entender exatamente que é a mãe terra que garante o sustento e a vida no planeta”.
- Continua válido!

Prêmios e honrarias
Prêmio Ordem do Mérito Cultural 2015 do Ministério da Cultura
Medalha 18 de Janeiro (Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo)
Medalha Honra ao Mérito do Governo do Estado do Maranhão 

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