MENU

15/03/2022 às 18h00min - Atualizada em 15/03/2022 às 18h00min

Conheça a cidade do Maranhão ameaçada de desaparecer por causa da erosão

Em Buriticupu, a “anomalia geológica” já engoliu mais de 50 imóveis e ameaça cortar a BR-222

Elson Araujo - Colaborador
Fotos: Divulgação
 
Buriticupu - Distante 395 quilômetros da capital, e a 219 quilômetros de Imperatriz, margeada pela BR 222, na área de influência da Bacia Hidrográfica do Rio Pindaré, a cidade de Buriticupu vive o drama de, aos olhos impotentes da população e a inércia do poder público, nos seus três entes, ano a ano, ter seu território literalmente engolido por um processo virulento e contínuo de erosão, já diagnosticado como do tipo voçoroca.

Pelo que a reportagem levantou, esse tipo de erosão se caracteriza pela formação de grandes buracos causados pela chuva em solos, geralmente, onde a vegetação é escassa e não tem mais força para protegê-los.

Em um documentário disponibilizado nas redes sociais, com o objetivo de chamar a atenção para o problema, o professor e escritor Isaias Neres conta que Buriticupu, hoje, é sitiada por pelo menos 20 grandes erosões que têm avançado, segundo ele, muito rápido, vindo a causar um rastro de destruição.

São falhas geológicas gigantescas. Isaias Neres conta que uma delas já chega a 500 metros de extensão, 80 de largura e 50 metros de profundidade.

O registro do professor revela que pelo menos 50 residências já foram engolidas, e outras estão sob ameaça.

Outro problema ambiental grave, ocasionado pelas erosões, é o assoreamento dos riachos que cortam a cidade. Uma ameaça iminente para o abastecimento d´água potável da cidade. Por enquanto o riacho mais comprometido, segundo Isaias Neres, é o Cajazeira.  

O professor Isaias revela que acidentes já são frequentes e que já foi registrada pelo menos uma morte.

Além da destruição dos imóveis, o que inclui casas e terrenos, Buriticupu corre o risco de ficar isolada. É que algumas dessas erosões avançam na direção da BR-222, a famosa Açailândia/Santa Luzia.

Alguns moradores, com medo, não dormem mais. Outros, como o senhor João Batista, que mora na Vila Isaias, ameaçado de perder um patrimônio avaliado em mais de um milhão de reais, só conseguem dormir à custa de medicamentos, conforme relata no documentário produzido pelo professor Isaias Neres (https://www.youtube.com/watch?v=7t2DRUP Tbtk&feature=youtu.be)

Por telefone, o advogado e corretor de seguros Francismar Bahia, que há anos reside em Buriticupu, confirma todas as informações levantadas e disponibilizadas pelo professor Izaias nas redes sociais. Ele conta que é difícil mensurar os prejuízos causados até agora pelas erosões e que a situação preocupa toda a cidade. O complicado, assinala Bahia, é que não possível até o momento enxergar uma luz no fim do túnel.

“ Assistimos nossa cidade, o patrimônio e os sonhos de muita gente, sendo engolidos e nada feito para conter esse fenômeno. Tenho um amigo que tinha uma casa bem construída e que foi obrigado a abandoná-la Só tirou as madeiras. Vive hoje de favor na casa da mãe dele. Nosso grito é de socorro”.

“Só a imprensa e as redes sociais para ecoar nosso grito de socorro. Sozinha, sabemos que a prefeitura pode pouca coisa, mas se o Estado e o Governo Federal nos ajudar, pode ser que surja pelo menos uma possibilidade para se resolver essa situação”, completou o técnico em eletricidade Adriano Freitas. Ele mora em Imperatriz mas tem negócios em Buriticupu, aonde vai pelo menos três vezes por mês.

Não há um estudo conclusivo, mas esse drama vivido pela população de Buriticupu estaria conectado com o desmatamento predatório ocorrido ali, num passado não muito distante, quando a economia do lugar girava exclusivamente em torno da exploração da madeira. Além disso, ainda tem o mau uso do solo.

Açailândia e Bom Jesus das Selvas, na mesma área de influência, também acumulam, há décadas, prejuízos com o fenômeno das voçorocas, contudo a situação mais grave é encontrada em Buriticupu.

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »