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04/03/2022 às 22h27min - Atualizada em 04/03/2022 às 22h27min

“A TEORIA DO NÃO USO”

Elson Araújo
 
É ao conversar, é ao interagir com as coisas, o ambiente e conosco, que às vezes o ser humano é “premiado” com uma boa ideia. Pode ser a respeito do início de um novo negócio, a solução de um problema que parecia insolúvel, uma explicação, mais amena, de algo para alguém que a gente não quer magoar; sobre alguma coisa para incrementar a relação com a pessoa que gente ama, e até mesmo uma frase de efeito para algum discurso, uma entrevista.... Enfim, quando a gente alimenta o hábito de gerar a necessidade e cria a expectativa, elas {as ideias} chegam, e chegam de verdade. Aconteceu comigo nesta sexta-feira, 4 de março.

Tenho o privilégio de ocupar semanalmente um espaço neste, que é um dos mais importantes jornais diários do Nordeste, o Jornal O Progresso. {A cidade de Imperatriz deveria se orgulhar disso} Mas não é tão fácil assim, encontrar um assunto massa para explorar e envolver o leitor.  Às vezes o assunto tema, já com um formato definido, chega com facilidade, outras não. Quando isso acontece, é engraçado, começo a falar sozinho.

-Não posso falhar. É só uma vez por semana! Mas sobre o que mesmo vou escrever?  É a pergunta que começo a fazer logo na quarta-feira, dois dias antes de enviar o material. Esta semana a sexta-feira chegou, e nada de inspiração.

Ano passado não tive problema com escassez de ideias porque isolado, e no auge da pandemia do coronavirus, escrevi bastante. Não falhei com O Progresso, uma semana sequer. Deu até para gerar um livro de contos e crônicas: Universo Aberto, meu primeiro livro solo, com alguns textos inéditos, e outros já publicados, aqui e nas redes sociais.

-Não posso falhar! -  disse ao meu filho Diogo, enquanto o levava para escola.  É que sempre quando decido sobre o que escrever, compartilho com ele a ideia.

-Eita, Diogo, ainda não veio nenhuma ideia. Já falhei uma vez este ano, não quero falhar novamente.

Entre um catabi e outro, a caminho do colégio, fomos conversando sobre as atividades escolares dele, a importância da busca pelo conhecimento, e os assuntos típicos de pai e filho. E não é que antes de chegar à porta da escola a ideia sobre um novo texto chegou! Vibrei.   

-Já sei, Diogo! Vou escrever sobre a “teoria do não uso”. Vou brincar de teorizar, e é sobre isso que vou escrever. Problema resolvido-  pronto, tinha um tema para a crônica de hoje.

Geralmente quando a ideia chega no início da semana, construo o texto meio que artesanalmente.  Escrevo um parágrafo hoje, outro amanhã em momentos alternados.  Se não gosto, apago tudo e recomeço. A preocupação é para não escrever bobagem. Por isso, pesquiso e promovo a troca informações com amigos. Além disso, ainda converso com minha mulher para saber o que ela acha. Na sexta releio tudo, preocupado com algum erro, sobretudo gramatical. Mesmo com todo esse cuidado e zelo, aqui e acolá, ainda tem um, ou dois danadinhos que escapam.  Chego a me penitenciar por alguns instantes, mas aí penso:
 
- É, quem não erra, não é mesmo? O texto já foi, não há mais tempo de corrigir. Os leitores que me perdoem. No próximo vou prestar mais atenção.

Como já foi possível perceber, não deu tempo escrever sobre a minha “teoria do não uso” para a publicação neste sábado. As ideias para a construção e desenvolvimento do texto estão prontinhas, mas como nada é absoluto até a próxima sexta-feira elas podem ser alteradas, aí a “teoria do não uso” pode ser trocada por outro tema que o universo queira comigo compartilhar.
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