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16/02/2022 às 09h45min - Atualizada em 16/02/2022 às 09h45min

Medalhista paralímpico crê em mais pódios na bocha nos Jogos de Paris

Ouro em Londres e prata em Tóquio, Maciel Santos acredita que divisão por gênero aumenta as chances do Brasil. Sistema estará em vigor no Mundial do Rio, em dezembro.

Lincoln Chaves - Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional / São Paulo
Para Maciel Santos, divisão por gênero aumenta as chances do Brasil - © Reuters/Marko Djurica/Direitos Reservados

  
A divisão dos atletas por gênero nas disputas individuais é a principal novidade da bocha paralímpica no ciclo dos Jogos de Paris (França), em 2024. Até a Paralimpíada de Tóquio (Japão), a separação se dava apenas por classe, com homens e mulheres competindo juntos. Uma mudança que, para o medalhista paralímpico Maciel Santos, será positiva para o Brasil.

“Antes, tínhamos direito a sete medalhas [quatro no individual e três por equipes/pares]. Agora, aumentou [para 11]. Abriram-se novas possibilidades”, disse o cearense de 36 anos, que teve paralisia cerebral no nascimento e foi eleito o melhor atleta da bocha em 2021 no Prêmio Paralímpicos, à Agência Brasil.

A bocha paralímpica é praticada por atletas com grau severo de comprometimento físico-motor. São quatro classes. A BC1 e a BC2 reúnem pessoas que jogam com as mãos ou com os pés. Na BC1 é permitido que um auxiliar entregue as bolas. Na BC3, os jogadores têm apoio de uma calha para direcionar os arremessos e podem usar instrumentos específicos para empurrar a esfera. Na BC4, estão os competidores com lesão medular.

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor-técnico da Associação Nacional de Desporto para Deficientes (Ande), Leonardo Baideck, explicou que a World Boccia (federação internacional da modalidade) decidiu dividir os atletas por gênero após observar que os resultados masculinos nas classes em que bola é lançada com a mão eram melhores que os femininos. Em Tóquio, as medalhas individuais das quatro categorias foram para homens. Duas para o Brasil, ambas de prata, com José Carlos Chagas (BC1) e o próprio Maciel (BC2).

Antes da divisão por gêneros, a única brasileira em um top-10 mundial era Evelyn Oliveira, sexta na classe BC3. Depois da mudança, o Brasil passou a ter cinco mulheres entre as dez melhores nas respectivas categorias: Natali de Faria (terceira) na BC2, Evelyn (segunda) e Evani Calado (quarta) na BC3 e Ercileide da Silva (sexta) na BC4.

No masculino, o país tem um top-10 em cada classe. José Carlos é o mais bem colocado, na vice-liderança da BC1. Maciel está em terceiro na BC2. Na BC3, Mateus Carvalho era o 13º antes da divisão por gêneros e subiu para oitavo com o novo ranking. Na BC4, Eliseu dos Santos aparece em quarto lugar.

Campeão nos Jogos de Londres (Reino Unido), em 2012, e prata em Tóquio, Maciel cita a Copa América realizada em dezembro do ano passado, em São Paulo, como exemplo do potencial que o Brasil tem para ir ao pódio no novo formato. Os atletas do país conquistaram dez medalhas individuais: cinco no masculino e cinco no feminino. Ao todo, foram quatro de ouro, três de prata e três de bronze.

“Foi a primeira competição pós-Tóquio nesse novo sistema, mas deu para ver a evolução. Tenho certeza que para o Mundial deste ano, no Rio de Janeiro, chegaremos preparados para buscar o maior número de vagas para Paris 2024”, afirmou Maciel, que já vive a expectativa pela competição marcada para o período de 3 a 14 de dezembro, no Parque Olímpico da Barra, na zona oeste da capital fluminense.

“É muito mais gostoso jogar em casa, mas também a responsabilidade aumenta. Quando entrarmos no Parque Olímpico, virá toda a memória dos Jogos do Rio. Contamos com o apoio da torcida, como foi em 2016”, encerrou o medalhista paralímpico.


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