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06/01/2022 às 11h28min - Atualizada em 10/01/2022 às 00h00min

O Abismo da Prata de Gian Correa e Os Chorões Alterados

O violonista 7 cordas, compositor, arranjador, Gian Correa e Os Chorões Alterados lançam no dia 15 de janeiro, o álbum "O Abismo da Prata" em formato digital e físico.

SALA DA NOTÍCIA Graciela Binaghi
Thamires Mulatinho
O Abismo da Prata nasceu da parceria entre Gian Correa e o artista plástico Apolo Torres. O projeto que aborda temas sociais tem como maneira de expressão o diálogo entre duas artes: o grafite e o choro. Para cada uma das 8 composições de Gian Correa, um muro foi pintado na cidade de São Paulo por Apolo. Através do QR code presente em cada muro, é possível se apreciar a pintura mural e a respectiva música simultaneamente.

A música diz respeito ao olhar de Gian Correa sobre o choro contemporâneo, este gênero centenário que nas mãos de Gian toma nova forma, com uma sonoridade fresca que flerta com elementos musicais atuais, mas não deixa de lado os fundamentos da música brasileira.

Para este álbum, Gian contou com alguns dos maiores representantes em seus instrumentos da cena musical paulistana: Cainã Cavalcante no violão de 6 cordas, Enrique Menezes nas flautas, Henrique Araújo ao cavaquinho, bandolim e violão tenor, e Rafael Toledo na percussão.

O trabalho conta ainda com participações especiais de Juliana Amaral (voz), Renato Braz (voz) e Shai Maestro/NY (piano Rhodes). 

“Gian Correa é uma convergência de superlativos. Como toca, como arranja, como compõe!
Músico raro. muito inquieto com a cabeça a milhão por hora!
Veio para enriquecer a música brasileira. Altíssimo nível! Uma honra poder dizer essas palavras sobre ele.”
Guinga


Neste disco, Gian Correa traz a expressão sonora da indignação a uma lógica sistêmica de opressão e abuso. O foco é a denúncia das injustiças sociais. Cada faixa, ainda, é acompanhada por um painel de Apolo Torres que traz, em si, a tradução, em imagem, do mesmo conceito. Cada painel é pintado em um ponto da cidade de São Paulo de grande importância para o choro.



Álbum O Abismo da Prata



1.Nua e Crua
Avenida Paes de Barros, 955, Bairro da Mooca em São Paulo
Homenagem ao Clube do Choro de São Paulo

Na verdade, é tudo injusto e desnecessário. Essa é a realidade, nua e crua. Tudo que há são mãos pueris que trabalham enquanto outras brincam. Só há, de um lado, o futuro e, de outro, o fim. Só há o silêncio e o descaso, assentados e irremovíveis do palanque sagrado da desigualdade. Como sofreram os profetas que quiseram derrotar a feiura que caminha pelos corredores da história.
Como rodaram as rocas e os teares que tecem fios inquebráveis, grilhões que passam qual herança, atravessando as gerações.

2.Não Se Entrega 
Rua General Osório 46, Bairro Sta. Efigênia em São Paulo
Homenagem à tradicional roda de choro a loja Contemporânea

O dia a dia é melodia que se repete. Em meio à batalha, permanecer talvez não seja dever, mas certamente é salvação. A mão frágil que entrega balas no farol é a mesma que toca, firme, cordas e coração. É espírito que se levanta e carrega, na penumbra, o mundo inteiro em suas costas.
É dura e mutável a caminhada, do cantar preguiçoso do galo ao cair violento das noites.
Resta somente a resistência àqueles que não se entregam.

3.O Diplomado da Corte
Rua Belmiro Braga, 16, Bairro Vila Madalena em São Paulo
Homenagem ao Bar do Cidão

Como ter coragem pra bater no próprio peito e tomar como teu aquilo que de teu nada tem? Não seria melhor dar graças, sempre e em todo lugar, por aquilo que te foi entregue em bandeja de prata? É ético teu destino? É veloz ou morosa tua jornada? Assim, o diplomado se torna o bobo, e tem na corte o seu picadeiro. Mas o problema vai vir quando o circo pegar fogo.

4.Suor Por Matéria 
Rua 13 de Maio, 749, Bairro Bixiga em São Paulo
Homenagem ao bar Villagio Café

Caminhando cinzentos pelas ruas, uma coleção de mercadorias nos espreita.
Relógios de corda, repetimos e repetimos, dando de cabeça baixa nosso suor e nosso brilho, bilhetes de troca de cada vez menos valor. Perdemos a nós mesmos e ganhamos coisas — e que tristes são as coisas! Somos também dignos de louvor.
Mais valem as forças e histórias e amores e tudo mais que não pode e não será comprado. Somos, também e principalmente, imateriais.

5.Notas Amargas
Rua Capital Federal, 30, Bairro Sumaré em São Paulo
Homenagem à Roda de Choro do Silvinho,
Bar do Bacalhau, Escola de Choro de SP e Rádio Tupi.

O sabor da tirania é amargo e amargas são as notas que tão inumanamente trocam de mãos. É também amargo o odor putrefato dos frutos que já foram colhidos podres do pé, como se fosse esse seu inevitável porvir. Maçãs proibidas que tomamos e comemos e, com amargura, cuspimos de volta ao chão. Mas tanta amargura não será em vão: serão amargos seus destinos, que nós, com notas nossas de outro soar, reduziremos a pó.

6. Lampejo de Consciência
Rua Simpatia, 159, Bairro Vila Madalena em São Paulo
Homenagem ao Bar Ó Do Borogodó

Lampejos de um sonho azulado. Clarão, faísca, centelha. Homens que removem seus ternos e abandonam suas gravatas. Despem-se também de preconceitos, privilégios, prata. Comungam todos do mesmo pão. Mãos abertas e união. Só por um instante, por um segundo, ainda que fugaz.
Mas é só sonho e tudo some em rápido espiral com o soar cruel do despertador.
É hora de ir trabalhar.

7.Vida Que Segue
Rua Jequirituba, 566, Bairro Grajaú em São Paulo
Homenagem ao luthier de instrumentos de choro Agnaldo Luz

Somos as dores dos ombros que carregam enxadas. Os calos nos dedos. Somos as serras e os machados que cortam madeira. As faces escurecidas pelo carvão que move a fábrica, que move o trem. Madeira e carvão. Café com pão, café com pão. Indivíduos-locomotiva, tordos silenciados, calados com as bocas de arroz e feijão.
Um passo atrás do outro, encontrando o sol que entra pelas rachaduras das paredes de gesso da opressão.

8.Esperançar 
Av. Baruel, 259, Bairro Casa Verde em São Paulo
Homenagem à roda de choro do luthier Manoel Andrade

Os muros não vão se derrubar sozinhos, tampouco vão, de bom grado, se abrir as algemas.
O asfalto não vai quebrar por vontade própria: cabe à flor furá-lo. Agir é verbo.
Mudar é verbo. Lutar é verbo. Quaisquer que sejam nossas armas, do sangue à poesia, esperar é inconcebível. Não basta a esperança. Devemos esperançar.

Ficha Técnica
Os Chorões Alterados
Gian Correa: Violão 7 Cordas
Cainã Cavalcante: Violão 6 Cordas
Enrique Menezes: Flautas
Henrique Araújo: Cavaquinho, Bandolim, Violão Tenor e Tamborim
Rafael Toledo: Panderia, Pandeiro, Adufe, Caixa, Caixeta, Reco-Reco, Pratos

Músicos convidados
Juliana Amaral Voz [faixa 8]
Renato Braz Voz [faixa 8]
Shai Maestro Piano Rhodes [faixa 4]

Produzido por Gian Correa
Gravação Thiago Big Rabello no estúdio Da Pá Virada
Assistente de gravação: Frederico Pacheco
Mixagem: Gian Correa no estúdio Usina Telecoteco
Masterização: Rodrigo Castro Lopes
Gravado 25 e 26 de novembro de 2020

Lançamento pelo selo Anzic Records, New York.
Produção Executiva | Giovani Correa
Projeto | Enrique Menezes
Apoio | Usina Telecoteco
Shai Maestro gravado por ele mesmo
Renato Braz gravado por Mário Gil no estúdio Dancape
Juliana Amaral gravada por Gian Correa no estúdio Usina Telecoteco
Gian Correa usa violões Agnaldo Luz e cordas DÁddario

Ilustrações do CD | Apolo Torres
Design da Arte do CD | Maria Birba
Textos e poemas do Encarte | Renato Frei
Fotos | Thamires Mulatinho
Todas as composições e arranjos são de autoria de Gian Correa
Todos os murais foram pintados por Apolo Torres entre março de 2020 e fevereiro de 2021 
Poema e letra de Esperançar por Renato Frei 

Sobre Gian Correa
É violonista 7 cordas, compositor, arranjador, produtor musical e responsável pela Usina Telecoteco, onde produziu inúmeros projetos musicais.

2013
Lançamento Mistura 7 (YB Music)
Lançado no palco do Auditório Ibirapuera e elogiado por diversos críticos, como Hermano Vianna, Tárik de Souza,
Carlos Bozzo Júnior, Carlos Calado e Fábio Carrilho.

Lançamento álbum Remistura 7
(YB Music)
Gravado em CD / DVD, no Estúdio 185 Apodi, no SESC Pompeia, eleito um dos 10 melhores álbuns de 2016 por
Carlos Calado e um dos melhores discos do ano pelo Itaú Cultural.

2016
Lançamento da web Série Joga um 7 aí!
Para difundir a linguagem brasileira do violão de 7 cordas e divulgar jovens músicos e mestres veteranos representantes deste instrumento.

2017
Lançou o álbum “Esmê”, homenagem ao compositor Esmeraldino Salles com André Mehmari, Fábio Peron e Fernando Amaro.

2018
Gravações do choro paulistano com seus grupos Panorama do Choro, Aeromosca, Alexandre Ribeiro Quarteto, Cadeira de Balanço, Grupo Um a Zero, Grupo Chorando as Pitangas e César Roversi Entre Linhas.

Participou em palco e gravações com artistas como Zeca Baleiro, Criolo, Germano Mathias, Nelson Ayres, Gilberto Gil, Tom Zé, Emicida, Toninho Ferragutti, Mestrinho, Yamandu Costa, Monarco da Portela, Nelson Sargento, Juliana Amaral, Verônica Ferriani, Fabiana Cozza, Laércio de Freitas, Altamiro Carrilho, Nailor Proveta, Danilo Brito, Rodrigo Campos.

Tocou pelo mundo com Concertgebouw em Amsterdã, Palau de la Musica Catalaña em Barcelona, Casa da Música na cidade do Porto, Teatro de Bellas Artes em Bogotá, Clube do Choro de Paris, Zappa em Tel Aviv, Casa do Brasil em Madri, Durov Club em Moscou, Usadba Jazz Festival Ecaterimburgo (Rússia).

Realizou apresentações na África em duo com o violinista francês Nicolas Krassik.

Selecionado no chamamento Brasil Experiences para apresentações na Rússia durante a Copa 

2020
Gravou, arranjou e fez a turnê do álbum Espiral de Ilusão do artista Criolo.

Lançamento álbum “7” em duo com o violonista Rogerio Caetano
indicado por Yamandu Costa na lista do 7 álbuns do ano finalista em duas categorias no Independent Music Awards em duas categorias no Prêmio Profissionais da Música

Lançamento álbum Gian Correa Big Band
álbum com participações especiais de Mônica Salmaso, Nailor Proveta e Mestrinho, e que entrou para algumas das maiores playlists de jazz do mundo no Spotify.

Gian Correa já circulou com seus projetos instrumentais por palcos como Auditório Ibirapuera, Teatro do SESC Pompeia, Festival Ilhabela Bossa e Choro, Festival de Música de Ourinhos, Sala do Conservatório Praça das Artes, Instrumental SESC Brasil, SESC Santana, SESC Ribeirão Preto, Festival de Choro de Avaré, Teatro Municipal de Botucatu, Festival Música Mundo, Clube de Choro de Brasília, Casa do Choro, Clube do Choro de Santos, Bourbon Street, Faculdade Souza Lima, Powerhouse Moscow, Café Scenario (Moscou), Kotél (Dimitrov), Прощай, оружие! (Dubna), entre outros.

Ganhou três prêmios PROAC para gravação e circulação de espetáculos de seus projetos solo e viabilizou via crowdfunding para gravação do seu DVD.

Na área educacional, atuou como professor da Escola do Auditório Ibirapuera por 7 anos e já ministrou cursos de violão em Oficina de Música de Curitiba, Festival de Música de Ibiapaba, Festival Choro Jazz Fortaleza Jericoacoara, Festival de Música de Ourinhos, Camp Sambáiba, além da oficinas na Escola de Música de Brasília, Clube do Choro de Brasília, Clube do Choro de Paris, Festival de Choro de Avaré.

Gian Correa também e criador e responsável pelo instituto Usina Telecoteco, que utiliza ideias, instrumentos, pesquisas e experiências para criar uma música que esteja ao mesmo tempo enraizada na tradição brasileira, e que desenhe nela novos caminhos, em particular do mundo urbano do samba/choro.

O mais recente projeto da Usina Telecoteco é a Escola de Choro de São Paulo que tem como professores, além de Gian Correa, os especialistas em choro Enrique Menezes (flauta), Alexandre Ribeiro (clarinete), Henrique Araújo (cavaquinho), Vitor Casagrande (bandolim) e Rafael Toledo (pandeiro). A escola funciona no parque da Sabesp no
Sumaré. Ainda na área educacional, a Usina produziu o primeiro curso de violão de 7 cordas online, contando com mais de 100 alunos inscritos.

Gian Correa e Enrique Menezes se dividem entre as funções de elaboração e redação de projetos, composição, mixagem e produção musical. A estrutura da Usina Telecoteco ainda conta com equipe de vendas, gestão e administração, marketing e produção de vídeo, além de parceria com o selo e estúdio YB e a assessoria de imprensa Na Mídia Comunicação.


https://www.giancorrea.com.br/oabismodaprata

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