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24/09/2020 às 19h02min - Atualizada em 24/09/2020 às 19h02min

25 de setembro, Dia Nacional do Rádio

Acompanhando a evolução da tecnologia, veículo permanece fazendo parte do dia a dia dos brasileiros, informando, entretendo e despertando vocação; surgem novos talentos

​Raimundo Primeiro
Com informações da Abert – Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão
Arimatéia Júnior, apresentador do “Rádio Alternativo”, na Nativa FM - Foto: Divulgação
Paixão nacional, apesar dos tempos atuais, do advento da tecnologia, o rádio vive um dia festivo hoje. Comemora-se, nesta sexta-feira, 25 de setembro, o Dia Nacional do Rádio, uma homenagem ao nascimento de Edgar Roquete Pinto, considerado o pai da radiodifusão no Brasil.

A primeira transmissão no território nacional, aconteceu em 7 de setembro de 1922, por ocasião da inauguração da Exposição do Centenário da Independência do Brasil. Roque Pinto diz que a experiência não chamou atenção de muita gente.

Sobre o assunto, afirma Roquete Pinto: “creio que a causa principal foram os alto-falantes, instalados na exposição. Ouvindo discursos e músicas, reproduzidos no meio de um barulho infernal, era uma curiosidade, sem maiores consequências”.

A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro foi a primeira estação de rádio brasileira. A emissora foi criada pelo próprio Roquete Pinto. Doada ao governo em 1936, a emissora foi transformada na Rádio MEC, hoje comandada pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

Primeira emissora da cidade, a Rádio Imperatriz AM fez história, constituindo-se, também, em escola para muitos dos radialistas que ainda estão em atividade hoje em dia. Foi lá que eles começaram, inclusive “eu, pois também tive a grata honra de compor o time de profissionais da pioneira”. 

A emissora teve bons nomes e, igualmente, fez “nascer” comunicadores talentosos, entre os quais, Jânio Arley, Jaldene Nunes, Jean, Amaral Reis, José Filho, Zé Filho, Léo Costa, Conor Farias, João Rodrigues, Dema de Oliveira, hoje no Jornal O PROGRESSO; Carloto Júnior, Ary Aragão, Ary Torres, o “Velho Teixeira”; Clodomir Guimarães, o “Compadre Corró”; Aldeman Costa, Aurino Brito, Laury Barros, Arildo Carvalho, Valdisneys Lima, Alexandre Costa, Breno Franco, Jerry Alves, Edy Soares, Dina Prado e Angra Nascimento,  todos “pratas da casa”, nascidos e/ou crescidos em Imperatriz.

O jornalista Elson Araújo também militou na radiodifusão, pertencendo aos quadros das rádios Imperatriz e Mirante AM, emissoras nas quais aprendeu muito, conta. “O rádio é uma grande escola para quem escolheu a comunicação social como profissão”, afirma, complementando: “quem teve o privilégio de passar pelo rádio, não tem dificuldade para desenvolver as outras vertentes da comunicação”.

“Estrelas” do rádio imperatrizense vieram de outras constelações. Algumas maranhenses e/ou outras, evidentemente, não. Eis, agora, portanto, algumas delas: Marcelo Rodrigues, Demerval Moreno, Arimatéia Júnior, Edmilson Sanches, Assis Fontinelle, Manoel Cecílio, Roberto Chaves, Sitônio Silva, além do próprio Moacir Spósito, fundador da Rádio Imperatriz, apresentaram programas lideres de audiências, movimentando a cidade e a região, durante o tempo que permaneciam no ar. 

O jornalista, radialista, palestrante e escritor Edmilson Sanches, destaca que o rádio é um herói da resistência. “Assim como seu aparecimento, em 1895, não extinguiu o teatro, o cinema nem o fonógrafo, invenções que lhe antecederam, o rádio não se deixou abater por meios de comunicação e lazer que vieram depois dele, como a televisão, o computador e a telefonia celular e seus grupos e redes sociais, digitais. Há espaço, há lugar e momento para todos”.

Segundo Edmilson Sanches, o rádio é insubstituível e tem suas vantagens em relação a outros meios de comunicação: pode-se ouvir rádio e executar outra tarefa (às vezes, até com mais entusiasmo e produtividade); o custo publicitário é menor; o alcance do rádio é maior e chega onde ainda não está chegando a televisão; e, sob qualquer análise, o rádio é mais próximo, mais íntimo do seu público, do seu ouvinte. E, claro, montar uma rádio (após ter a concessão) requer bem menos dinheiro do que uma estação de TV, por exemplo.

“Sou jornalista e radialista e passei a desempenhar as duas atividades conjuntamente ali pelos 13 ou 14 anos. Tinha página em jornal e era responsável por três programas na estação radioemissora de minha cidade, Caxias – a Rádio Mearim. Até hoje mantenho guardadas diversas cartas dos ouvintes com os pedidos musicais ou repostas às perguntas que um dos programas lançava, para pesquisa, com direito a prêmios”, lembra.

Em Imperatriz, onde fundou a Associação de Imprensa e o Sindicato de jornalistas, radialistas e outros profissionais de rádio e televisão, Sanches foi convidado para ser um dos diretores da Rádio Terra FM, na década de 1980. Dirigia o Jornalismo, redigia as notícias dos jornais e das veiculações horárias e tinha um programa de entrevistas e música de três horas de duração, aos domingos – o “Radioatividade”, cujo “slogan” era: “Seu Melhor Programa de Domingo”.

“Não é saudosismo, mas guardo com muito carinho as lembranças de programas que eu ouvia quando criança: histórias infantis nos fins de semana da Rádio Mearim; o “Programa do Jairizinho” e a novela “O Direito de Nascer”, ambos em uma rádio da Bahia, não sei se a Rádio Clube ou a Rádio Sociedade da Bahia; o programa musical e de recados “Seu Gosto na Berlinda” (“o roteiro musical feito pelo próprio ouvinte”), com a voz inconfundível do locutor-apresentador Roque Moreira, na Rádio Pioneira, de Teresina (PI), além, claro, dos programas radiofônicos de meus colegas na Rádio Mearim de Caxias – entre os quais, Ivalter Cardoso, J. Rodrigues, Luiz Abdoral, Roberto Nunes (que foi para São Luís e se tornou locutor esportivo)”.

Concluindo, Sanches frisa “o rádio contribuiu para minha educação e cultura. Em criança, ali entre 7 e 9 anos de idade, eu tinha um caderno onde anotava o nome das músicas e seus intérpretes, em ordem alfabética. A vizinhança, quando soube, costumava pedir emprestado o caderno, para escolha e solicitação, por carta, de músicas “somente para ouvir” ou “para oferecer” a alguém. Bons tempos”. 

Fruto da nova “safra” de radialistas, Angra Nascimento integra a equipe de repórteres da Rádio Mirante FM, informando o público diariamente por meio do Programa “Mano Santana”, levado ao ar na parte da manhã, de segunda a sexta-feira.

Procurada pela reportagem no início da tarde desta quinta-feira, 24, a radialista Angra Nascimento aproveitou para homenagear os colegas que atuam nesta parte do Maranhão, acrescentando ser “uma data bacana, celebrada pelos apaixonados por rádio, como eu, por exemplo, que, desde criança, dizia que queria trabalhar em uma emissora de rádio”.
Angra Nascimento começou em Amarante (MA), sua terra natal, trabalhando em rádio comunitária. Depois, entre 2003 e 2005, esteve na extinta Rádio Imperatriz. Foi programadora musical da emissora localizada na rua Simplício Moreira, Centro. 

Com o fechamento da RI, foi para a Rádio Mirante AM, situada na rua Alagoas, bairro Juçara, como operadora de áudio, de onde foi remanejada para o Imirante, portal do Sistema Mirante de Comunicação, passando, logo depois, a fazer parte do Jornalismo da Rádio Mirante FM. “O rádio é uma paixão insaciável”, declara, emocionada.

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