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22/09/2020 às 00h00min - Atualizada em 22/09/2020 às 00h00min

CRM acusa policiais de invadirem enfermaria e ameaçarem médicos

Conselho classificou caso como ‘ataque covarde à dignidade e à autonomia do médico’.

Da Redação
Paraíso do Tocantins (TO) - Policiais civis são acusados de terem invadido uma enfermaria de covid-19 e ameaçado médicos no Hospital Regional de Paraíso do Tocantins. O caso foi denunciado, em nota, pelo Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) na sexta-feira (18) ao “expressar veemente repúdio aos atos de truculência”.

Segundo o CRM-TO, no dia 14 de setembro, dois agentes da Polícia Civil de Paraíso compareceram ao setor de urgência e emergência do Hospital Regional conduzindo um preso para a realização de exame pericial em decorrência de lesão corporal.

No entanto, conforme o CRM, o exame solicitado pelos policiais é “ato sabidamente diverso da natureza dos serviços prestados” no hospital regional, por contrariarem os ditames da Resolução CRM-TO n° 102/2018, que veda o médico plantonista de realizar tais procedimentos durante o período de trabalho, previsto apenas para pacientes em estado de intenso sofrimento ou mesmo risco de morte, especialmente em local onde existe unidade do IML, como no caso de Porto Nacional.

“Diante da negativa dos médicos que ali laboravam, os agentes passaram a proferir ameaças, e, sob supostas ordens do delegado local Lucas Kenesz de Oliveira, os policiais, armados e portando algemas de forma ostensiva, ameaçaram e constrangeram os médicos Jorge Ivan Alves Bezerra e Cóndor Amauri Condorcet Tocantins”, disse o sindicato.

Para o CRM, o episódio merece o mais contundente repúdio e reprovação social, pois, protagonizado por agentes estatais, fere de morte a observância aos princípios da administração pública.

“As condutas ali praticadas pelos agentes de Polícia Civil, notadamente a invasão à enfermaria de covid-19, colocaram em iminente risco a saúde pública e afiguram-se, sobretudo, como um ataque covarde à dignidade e à autonomia do profissional médico”, finalizou o CRM-TO.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) nada havia divulgado sobre o episódio.

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