MENU

05/11/2021 às 21h27min - Atualizada em 05/11/2021 às 21h27min

Julgador

Elson Araújo
 
Entre os muitos ensinamentos de Jesus Cristo, o mais difícil, ou quase impossível de ser seguido, é aquele presente em Mateus capitulo 7: 1-2, que diz: “Não julgueis, para que não sejais julgados”. Diante desse ensinamento conclui-se que se a depender os homens da Terra do cumprimento deste dispositivo bíblico “o lugar deles no Céu”, sua salvação estará seriamente comprometida.

Ao longo da evolução o homem desenvolveu um espirito julgador superficial. Julga não só pessoas, mas também fatos e coisas. “Nem a mãe natureza escapa”. São julgamentos, na maioria das vezes, sem direito ao contraditório e a ampla defesa onde o in dubio pro reo, máxima do direito que diz que na dúvida deve se beneficiar o réu, anda a léguas de distância. As sentenças são sumárias, e quase todas condenatórias. 

Que atire a primeira pedra quem, já hoje, depois de ter acordado não fez um, dois, ou mais julgamentos!   Pouco nos damos conta dessa imperfeição humana.  O Nazareno tem razão quando alerta que a medida que julgamos também somos julgados. Sendo assim, chegamos a mais uma conclusão: “a humanidade é um grande tribunal onde todos julgam todos”.

Já se julgou menos, é verdade. Mas hoje, diante do quadro evolutivo da sociedade julga-se mais.  Tudo é motivo para a emissão de um juízo de valor. O modo de alguém se vestir, o carro que anda, o jeito de falar, a cor da pele, e mesmo o de caminhar são motivos para a emissão imediata de algum tipo de (pré) conceito. Somos julgados até pelas  nossas companhias.  Aquele velho dito popular que assinala “diz-me com quem andas que dir-te-ei que és”   confirma essa assertiva.

Julgar no aspecto do que hoje abordamos pode ter seu lado positivo. Um julgamento bem embasado onde se permita deixar de lado nosso subjetivismo marcado, quase sempre, pelos (pré) conceitos, pode contribuir bastante para que nossas escolhas sejam melhores, e com isso erremos menos. O impedimento para que alcancemos esse nível é justamente o danado do preconceito e suas variáveis.

Esse defeito de origem, o de julgadores, revela mais uma vez que somos uma enorme pedra bruta carente de polimento. E se não temos como nos livrar desse gen julgador que pelo menos aprendamos a julgar melhor e errar o mínimo, o máximo possível.
Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Loading...