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04/11/2021 às 09h28min - Atualizada em 04/11/2021 às 09h28min

Chegada do 5G deve trazer melhorias para o setor agropecuário de Goiás

Estado, sexto maior produtor agropecuário do país, foi vanguarda na instalação de sede móvel da tecnologia ainda no ano passado, em Rio Verde.

Felipe Moura
Brasil 61
Plantação. Foto: Agência Brasil

  

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realiza o leilão do 5G nesta quarta-feira (4). A chegada da tecnologia ao país, segundo especialistas, deve impulsionar o agronegócio, responsável por 26,6% do PIB brasileiro em 2020. O estado de Goiás, sexto maior produtor agropecuário do Brasil, com mais de R$ 93 bi movimentados até setembro deste ano, tem muito a ganhar com a implementação da nova geração de internet móvel. 

Até por isso, o estado foi pioneiro nos testes envolvendo o 5G. No fim do ano passado, o município de Rio Verde lançou a primeira sede móvel da tecnologia, ainda em caráter experimental, no Brasil. O primeiro desafio do estado, no entanto, é popularizar a conectividade para os produtores goianos. 

Segundo o último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2017, 71,8% dos estabelecimentos rurais do Brasil não possuíam conexão. 

Para especialistas, a chegada do 5G vai potencializar a chamada Internet das Coisas, que permite que as máquinas se comuniquem entre si. Isso fará a diferença no processo de automatização da produção no campo, explica Igor Nogueira Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). 

“É uma tecnologia que veio para revolucionar uma série de coisas. Que vai nos dar uma maior velocidade, um maior tempo de resposta na transmissão de dados. Não é um impacto tão somente para o cidadão. É um impacto, creio eu, até muito maior para as empresas, porque o 5G é uma tecnologia que vai permitir a comunicação não só entre as pessoas, mas, sobretudo, entre máquinas. É máquina conversando com máquina, é máquina conversando com a infraestrutura”, explica.  

Exemplos

Gustavo Brito, executivo da IHM, explica que, por meio da tecnologia, um produtor conseguirá monitorar o plantio. “Através da Internet das Coisas, eu consigo medir a umidade do solo e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, por exemplo, e por meio de algoritmo se define quais são os parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. Eu consigo melhorar a gestão de consumo de água e energia”, afirma.  

A agricultura de precisão não será a única a se beneficiar com o 5G, mas a criação de gado e de outros animais também será mais eficiente. Segundo Antonio Bordeaux, especialista em IoT, será possível, por exemplo, monitorar o gado por meio de pequenos dispositivos eletrônicos e tornar mais efetiva a locomoção dos animais, saber a hora certa do abate e diminuir as perdas por roubo. 

No entanto, para que tudo isso seja possível é preciso garantir que a internet chegue às propriedades rurais de Goiás. É aí que o leilão do 5G entra, pois as operadoras que conquistarem o direito de explorar o serviço no país terão que ampliar a conexão de 4G para as localidades com mais de 600 habitantes, o que abrange boa parte do campo. 

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC), presidente da subcomissão que acompanha a implantação da tecnologia 5G no Brasil, destaca como a Internet das Coisas, que já é possível com o 4G, pode impactar o setor agrícola. “Da mesma forma, uma máquina que está no campo em uma grande plantação no Nordeste brasileiro, por exemplo, poderá ser manuseada ou operada por um trabalhador que vai estar no Norte do Brasil. Isso tudo vai ser possível com essa nova tecnologia virtual, que com certeza vai aumentar a produtividade na indústria brasileira e no agronegócio”, diz. 

Leilão

Previsto para esta quinta-feira (4), o leilão do 5G é considerado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o maior de radiofrequência da história do país. No certame, serão ofertadas quatro faixas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. Pense nessas faixas como rodovias no ar, por onde passam as ondas eletromagnéticas responsáveis pelas transmissões de TV, rádio e internet. 

A expectativa do governo é que o leilão do 5G movimente R$ 49,7 bilhões. Destes, as empresas vencedoras devem desembolsar R$ 39,1 bilhões em investimentos no setor. O governo, por sua vez, deve arrecadar R$ 10,6 bilhões graças ao pagamento das outorgas, isto é, uma quantia que as companhias pagam para explorar a tecnologia. 

De acordo com o Ministério das Comunicações, o agronegócio poderá crescer até 20% ao ano com a instalação do 5G. Especialistas destacam que a tecnologia é até 100 vezes mais rápida que a geração de internet móvel atual. 
 


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