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08/10/2021 às 20h09min - Atualizada em 08/10/2021 às 20h09min

Fóssil de provável titanossauro encontrado em Davinópolis abre caminho para novas descobertas

Foram coletados vários ossos, que estão sendo identificados, em bom estado de conservação.

Illya Nathasje - Com informações
Fóssil de dinossauro gigante e ainda desconhecido é achado em obra de ferrovia no Maranhão Foto Foto: Divulgação/Brado
 
Se confirmada ser de um titanossauro, a ossada encontrada em Davinópolis, não seria a primeira da espécie em terras maranhenses e justamente por esse aspecto, o achado se reveste de maior importância. O paleontólogo Elver Luiz Mayer afirmou que por ser o primeiro registro de dinossauro nessa área, é possível atestar um grande potencial para novos estudos, que vão ajudar a contar a história desses animais gigantescos que viveram no Brasil há mais de 100 milhões de anos.

Descoberta, ainda no mês de abril, durante a construção de uma ferrovia que deve fazer a ligação de Davinópolis com a cidade de Sumaré (SP), a retirada dos fósseis aconteceu no mês de junho, mas só agora foi revelada, inicialmente pelo jornal Folha de São Paulo. A empresa Brado Logística é que realiza as obras na ferrovia.

Nos anos 90, um fóssil da mesma espécie foi encontrado na Ilha do Cajual, próxima ao município de Alcântara. Com a segunda descoberta, a depender da confirmação - acentua Luiz Mayer - a descoberta de mais vestígios desse grupo de dinossauros abre caminho para o entendimento da evolução desses animais no Maranhão e no Brasil. 

Registros da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, atestam já há muito tempo, a ocorrência de fósseis de dinossauros na região de Alcântara, no litoral maranhense e em Itapecuru Mirim. No Estado já foram documentadas várias formas, entre elas algumas que representam animais gigantescos, como os titanossauros, herbívoros quadrúpedes que podiam atingir mais de 25 metros de comprimento. Também foram registrados grandes carnívoros como o Carcharodontosaurus e o Spinosaurus, ambos medindo cerca de 12 metros de comprimento.

Também paleontólogo, Manuel Alfredo Medeiros que é servidor da UFMA, professor titular do Laboratório de Paleontologia, destacou a diferença entre as descobertas anteriores “sempre de pedaços pequenos, quebrados e isolados” para o agora descoberto em Davinópolis “cujos membros foram encontrados mais próximos e mais preservados”.  Foram encontrados um fêmur de mais de 1,5 metro, pés e mãos, costelas, além de vértebras do animal, que podem revelar vestígios sobre a passagem dos saurópodes no Brasil, no período Cretáceo.

 

Ossada levada para o Pará

Coleta, para pesquisa, de material da ossada de dinossauro encontrado em Davinópolis — Foto: Divulgação/Brado
 
Ainda que no Maranhão, na cidade de Davinópolis, os fósseis foram coletados e estão sendo analisados por pesquisadores da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), que tem a frente da equipe o professor e paleontólogo Elver Luiz Mayer. E por que isso ocorreu? Quem explica é o professor e paleontólogo Manuel Alfredo Medeiros ao afirmar que os ossos não pertencem ao Estado, e sim a União. 

“Pela Lei de Proteção do Patrimônio Fossilífero, um fóssil é patrimônio da União e pode ser mantido sob a guarda de qualquer instituição federal, estadual ou municipal dentro do território brasileiro. Por essa lei, não há a obrigação de que fique no estado de origem, apesar de que essa seria a situação ideal”. Ele ressaltou ainda que, quando um fóssil é descoberto ele precisa ser coletado o mais rápido possível, pois poderá ser rapidamente destruído pelos processos naturais a que for exposto. E, no caso da descoberta feita em Davinópolis, a equipe da Unifesspa tinha recursos disponíveis para coletar os ossos e assim proteger a integridade dos fósseis. “O grupo envolvido na coleta nos comunicou que o material estava sendo coletado e que seria estudado. Por sorte, a equipe da universidade paraense que coletou o fóssil dispunha de recursos para uso imediato e, assim, o espécime pôde ser salvaguardado”, disse.

Ainda de acordo com o paleontólogo, caso ocorra o encontro de novos fósseis no Maranhão, seria preciso haver a liberação imediata de verba para escavação, contando com uma equipe de, no mínimo, cinco pessoas. Só assim o Estado poderia ter a chance de manter os fósseis em seu território. Em casos como esse, “não é adequado se esperar meses pela aprovação de um projeto para coleta, porque nesse tempo, o material poderia ser seriamente afetado pela erosão”, explicou o  Manuel Alfredo.

Tombamento dos fósseis

De acordo com a Lei de Proteção ao Patrimônio Fossilífero, os fósseis podem ser tombado em qualquer estado do Brasil, independentemente, do local onde forem encontrados dentro do território brasileiro.
 

Translado e tombamento

O paleontólogo Manuel Alfredo afirma que o ideal seria que os fósseis encontrados em Davinópolis, depois de estudado, sejam trazidos do Estado do Pará ao Maranhão, para que sejam tombados em uma das duas coleções de fósseis maranhenses, que são a da UFMA e a do Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão. “Mas isso só pode ser sugerido, não pode ser imposto. 

O professor Elver Mayer, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, seguiu a Lei de Proteção do Patrimônio Fossilífero, resguardando o material, que deverá ser estudado e publicado. Como o achado não foi feito pela UFMA resta torcer para que a guarda definitiva do material seja em uma das coleções maranhenses.

Já o gerente de engenharia da Brado, Homero Rech, destacou que encontrar um registro como esse em uma área tão importante para a Companhia além de uma grande surpresa, representa um ganho para o patrimônio histórico do Brasil e do mundo. 

 

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