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07/10/2021 às 16h37min - Atualizada em 07/10/2021 às 16h37min

“A literatura amolda e dá sensibilidade ao jurista”, diz Lourival Serejo

O presidente do TJMA e membro da AML destaca a importância da literatura como veículo indispensável na atividade judicante

Irma Helenn Cabral
Asscom TJMA
Nova edição foi produzida na Biblioteca Madalena Serejo, na ESMAM - Foto: Divulgação/ESMAM
  
“A literatura amolda e dá sensibilidade ao juiz. Tira-nos dessa parte excessivamente técnica que a função judicante exige, nos humaniza. Não posso imaginar um juiz que não se envolve com literatura”, diz o desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa, presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, durante o Café Literário da Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM).

Por sugestão do magistrado, a nova edição foi gravada na sede da escola judicial maranhense, que no mês de novembro completará 35 anos de fundação. “Aqui, sempre me sinto em casa; a ESMAM é minha ‘filha de criação’. Nunca cortei o cordão umbilical e preocupo-me com o seu funcionamento”, enfatiza, relembrando as duas gestões em que dirigiu a entidade. “Comecei a me dedicar desde 1993. Nos primeiros cursos de formação, estava presente nas aulas de Ética e Processo Civil”, conta.

Em meio ao acervo da Biblioteca Desembargadora Madalena Serejo, o jurista e escritor, membro da Academia Maranhense de Letras (AML), revisita suas memórias e leituras da infância cercada por livros, a afinidade com a obra de Humberto de Campos e Monteiro Lobato, um dos mais comentados pela família. “Aquilo me envolveu como um convite para entrar nesse mundo da literatura”, constata.

LIVROS QUE MARCARAM

Lourival Serejo prossegue numa trilha de livros que definem sua trajetória, descrevendo obras que estiveram (e ainda estão) em sua companhia, moldando a existência do homem e jurista, autor de 15 obras – crônicas, poemas e publicações jurídicas - e incontáveis textos publicados.

Estão guardados na sua memória de tantos livros lidos, As Forças Morais - dedicado à juventude da América Latina, do escritor argentino José Ingenieros (1965); Confissões, de Santo Agostinho e Os irmãos Karamázov, de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski - filósofo e jornalista do Império Russo, cujo bicentenário se comemora nesse ano.

SOBRE SER POETA
Autor de um livro de poemas premiado no Brasil e na Itália – Entre Viana a Viena - e outro prestes a ser lançado, Lourival Serejo silencia quanto questionado sobre a sua definição como poeta. “Respeito tanto que não ouso dizer que sou poeta. No sentido de ter sensibilidade para captar o cotidiano, ter um olhar diferente, visão profunda do insignificante, sensibilidade de se conectar com as circunstâncias, capacidade de captar o instante; nesse ponto, eu me classificaria como poeta, se as condições forem essas”, pondera, acrescentando que nenhum escritor pode ser grande sem a poesia, pois é dela que se extrai a concisão do estilo.

LEITURAS RECENTES

Ao final, o escritor enumera leituras recentes e as indica como indispensáveis à formação de uma consciência crítica e atual. Entre as indicações estão Torto Arado, do geógrafo baiano Itamar Vieira Junior, romance que aborda sobre o universo rural do Brasil, colocando ênfase nas figuras femininas, em sua liberdade e na violência exercida sobre o corpo num contexto dominado pela sociedade patriarcal. A obra foi premiada nos principais concursos literários da língua portuguesa e conquistou a crítica lusitana.

Outra recomendação e leitura recente do jurista, é O Homem que amava os cachorros, do escritor cubano Leonardo Padura Fuentes, jornalista que assumiu a cadeira de literatura latino-americana na Universidade de Havana. A premiadíssima e audaciosa obra romantiza o assassinato do revolucionário russo Leon Trotski e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo.

CAFÉ LITERÁRIO

Apresentado pela servidora Anna Tereza Soares, com produção de Jacques Elray, a edição está disponível no canal do Youtube (EAD ESMAM) e nas redes sociais da Escola Superior da Magistratura do Maranhão - @esmam_tjma.

“O Café Literário é um espaço para interpretações diversas, amplas e filosóficas. Magistrados e magistradas compartilham suas impressões sobre o que leem e interpretam, além dos densos textos sobre Direito e da Justiça. Esperamos que seja um estímulo para a leitura de obras importantes e construção de novos saberes”, diz o diretor da ESMAM, desembargador José Jorge Figueiredo dos Anjos.

O programa integra um mix de conteúdos e eventos que marcam as comemorações dos 35 anos da ESMAM, cuja data será celebrada em 12 de novembro. Fazem parte do roteiro, a série de Aulas Magnas com juristas e palestrantes de renome nacional, que teve início em março; lançamento de revista científica; simpósio de Direitos Humanos; entrega de medalhas e honrarias; nova edição da mostra de talentos e artes do Judiciário – ESMAM CULTURAL 2021, que acontece em dezembro; e lançamento do programa “Pílulas de Conhecimento”, com lembretes, dicas e informações relevantes para o dia a dia, já em produção pela escola. 

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