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06/10/2021 às 19h43min - Atualizada em 06/10/2021 às 19h43min

Pequenas só no nome: MPMEs apresentam evolução positiva em 2021, apesar da pandemia

Levantamentos da CNI e Jucema apontam evolução. Falta/alto custo de matéria-prima e dificuldade de acesso ao crédito se mantém como principais obstáculos

Ascom FIEMA
Coordenadoria de Comunicação e Eventos do Sistema FIEMA
Joanas Alves, empresário do ramo de panificação de Imperatriz ressalta cotidiano do empresário - Foto: Divulgação/Ascom FIEMA
   
São Luís – Da padaria da esquina, onde você compra o pão de todo santo dia, passando pela oficina mecânica, que resolve os imprevistos inesperados com o carro, até a cachaça ou cerveja artesanal que começa a fazer a cabeça de quem gostar de beber no final de semana, essas e muitas outras micro e pequenas empresas (MPEs) de diversos setores desempenham um papel importante na geração de empregos e renda em todo país e não é diferente no Maranhão. 

Terça-feira, 5 de outubro, é o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. A data está associada à data da criação do Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999), que atualmente é regulamentado pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. 

Apesar de não ter muito o que comemorar com os efeitos da pandemia, que mudou o funcionamento de 5,3 milhões de pequenas empresas no Brasil, o que equivale a 31% do total. Outras 10,1 milhões, ou 58,9%, interromperam as atividades temporariamente, segundo pesquisa “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, realizada pelo Sebrae. 

De acordo com o Painel de Inteligência de Mercado da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Maranhão possui 6.303 micro e pequenas empresas que estão divididas em indústrias extrativistas, de transformação e Serviços industriais de Utilidade Pública (SIUP), construção que fabricam produtos alimentícios, bebidas, produtos de minerais não-metálicos e metalurgia. E no setor da construção, tem como principais atividades edificações, obras de infraestrutura e serviços especializados. 

Nas atividades de indústrias extrativas e de transformação são 3.171 empresas divididas em 2.483 micros e 314 pequenas, que atuam em cidades como São Luís, Imperatriz, Balsas, Açailândia, São José de Ribamar, Caxias e Timon. Já no setor de construção civil são 3.132 registradas, sendo 2.804 micros e 212 pequenas que atuam em São Luís, Imperatriz, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Balsas, Açailândia e Caxias. 

Somente no primeiro semestre deste ano, elas foram responsáveis pela contratação formal de 17.737 trabalhadores no Estado, ou seja, os pequenos negócios criaram 89% das vagas com carteira assinada. O número é quase sete vezes maior que o total de empregos gerados pelas empresas de médio e grande porte que, no mesmo período, abriram 2.745 vagas.  

Esses dados integram parte de um estudo inédito elaborado pela Junta Comercial do Maranhão (Jucema), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Energia, com informações do Novo CAGED disponibilizados atualmente pelo Ministério da Economia. 

Diferentemente dos primeiros meses do ano, o segundo trimestre de 2021 foi marcado pela evolução positiva das pequenas indústrias. Segundo o Panorama da Pequena Indústria, da CNI houve melhora na situação financeira, na confiança e nas perspectivas dos 900 micros e pequenos empresários de todo o Brasil que participam da pesquisa. O levantamento mostrou que os indicadores de desempenho não estão só mais elevados ante o trimestre anterior, como também em relação ao mesmo período de anos anteriores. 

“Para os próximos meses, há uma expectativa de novo aumento desse indicador, em decorrência: do avanço da vacinação no Brasil, que está atingindo faixas etárias que abarcam a população economicamente ativa; do aumento do volume de produção; e da manutenção da criação de empregos no setor industrial”, aponta o coordenador de ações estratégicas e economista da FIEMA, José Henrique Polary.  

A média do segundo trimestre de 2021 registrou 46,5 pontos, resultado que está acima da média do primeiro trimestre de 2021 (43,9 pontos) e do segundo trimestre de 2020 (34,1 pontos, influenciado pela pandemia). 

MELHORA DAS CONDIÇÕES FINANCEIRAS DA PEQUENA INDÚSTRIA - O Índice de Situação Financeira das pequenas indústrias alcançou 42,3 pontos, o que representa um aumento de 4,5 pontos em relação ao primeiro trimestre de 2021.  

AUMENTO NA CONFIANÇA E PERSPECTIVAS REFLETE RETOMADA E OTIMISMO - Os empresários estão otimistas para os próximos meses. O aumento do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) para pequenas indústrias apontam que MPMEs têm expectativa de melhora e pretendem manter o ritmo de recuperação da atividade. O ICEI alcançou 60,9 pontos em julho de 2021, após três aumentos consecutivos do indicador e segue acima da média histórica (52,5 pontos). Enquanto o indicador das perspectivas da pequena indústria apontou aumento de 0,5 ponto em julho de 2021, alcançando 52,6 pontos. 

PRINCIPAIS PROBLEMAS DA PEQUENA INDÚSTRIA NO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2021 - A falta ou o alto custo de matéria-prima e a elevada carga tributária permanecem nos primeiros lugares do ranking de principais problemas enfrentados pelas MPMEs no segundo trimestre de 2021. 

A falta ou o alto custo de matéria-prima se manteve como principal obstáculo para as empresas dos setores de transformação e de construção (com 60,4% e 58,5% de assinalações, respectivamente), mas ficou em segundo lugar no ranking de problemas para os empresários do setor de extração (36,2%).  

ACESSO AO CRÉDITO COMPLICADO DE DESATAR - Uma pesquisa do Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) revela que as exigências de garantias (reais, avalista, fiança, caução), taxas de juros elevadas e o processo burocrático são as principais dificuldades apontadas por 74% dos industriais que buscam empréstimo para a realização de investimentos.   

Outros impedimentos à obtenção do empréstimo salientados na pesquisa foram o registro no SERASA, SPC, exigência de reciprocidade (aquisição de outros produtos junto a instituição financeira), prazos curtos e falta de certidões.  A pesquisa feita no 1º semestre de 2021, com a participação de indústrias 41% microempresa, 41% pequeno porte e 14% médio porte), revelou que 41% dos empresários do setor industrial, no estado, buscam empréstimo para a realização de investimentos e 32% buscam para capital de giro.   

INVESTIMENTOS – Segundo a pesquisa, 41% dos empresários têm interesse em fazer investimento com o crédito, sendo que 16% querem investir em máquinas e equipamentos. Em contrapartida, os investimentos em inovação e realização de projetos abrigam apenas 6% cada. Para Investimentos em construções, reformas ou ampliações, 10% dos empresários demonstraram interesse.  

CAPITAL DE GIRO – A pesquisa também revelou que 32% das necessidades dos industriais no estado são para capital de giro, sendo 23% para longo prazo e 9% para curto prazo.   

“A pandemia do coronavírus impactou fortemente o caixa das empresas. No setor industrial, a saída para muitos negócios tem sido a redução da produção, até mesmo pela falta de insumos e os custos gerais da operação. Apesar desse cenário, que já melhorou, essa parceria com as instituições financeiras poderia ser mais maleável, boa parte das indústrias maranhenses ainda encontram muita dificuldade para obter crédito. As MPEs são uma potência econômica no meio da classe produtiva, acreditamos que, com o avanço da vacinação no Maranhão e a retomada gradativa das atividades, as MPEs apresentarão resultados positivos em 2022”, destacou vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do Conselho Temático de Pequenas e Médias Empresas da Federação, Celso Gonçalo.  

Os principais desafios para micro e pequenas empresas se manterem no mercado estão associados à falta de planejamento e pouca capacitação em gestão, ao excesso de burocracia para a obtenção de crédito e à alta carga tributária. Com a economia desaquecida e o custo elevado do crédito, as micro e pequenas empresas estão enfrentando maiores desafios e precisam de um tratamento especial para sobreviverem no País. Segundo o IBGE, a média de sobrevivência de uma micro ou pequena empresa no Brasil é de cinco anos. 

Pequeno só no nome MPE´s registram maior participação na economia brasileira - Foto: Divulgação/Ascom FIEMA
MICROS E PEQUENOS EMPRESÁRIOS – Para o microempresário da indústria de panificação de Imperatriz, Joanas Alves da Silva, que atua no mercado há 18 anos, as dificuldades ainda são várias. “Os custos para contratar mão de obra, nem sempre qualificada, energia, matéria prima, esses dois itens estão inflacionados, dificuldade de crédito imediato, a concorrência desleal com empresas informais que se matam a cada dia. Mais o momento é de esperança, assim vive um microempresário neste país!”, destaca Joanas que teve que diversificar produtos, procurar novos clientes, economizar energia, reduzir a quantidade de funcionários e aumentar a produção, criar incentivo para os colaboradores, trabalhar as redes sociais para buscar novos clientes e manter a esperança por dias melhores. Afinal já foi bem pior a situação!”, ressalta o empresário. 

O empresário que trabalha há 4 anos no cultivo de cana de açúcar e produção de cachaça, Frederico Damiani, na cidade de Vargem Grande, que chega a empregar cerca de 30 trabalhadores no período da safra, destaca que a principal dificuldade dos produtores de cachaça,  registrados no MAPA é a venda do produto por diversos fatores: a concorrência desleal de produtores informais; o desconhecimento do público a respeito do que é uma cachaça artesanal, o nível de qualidade exigido na produção, desvalorização cultural da bebida, confusão entre a diferença de uma cachaça industrial e uma cachaça artesanal e a dificuldade de entrada e expansão nos grandes e pequenos clientes. Nossa esperança é que com a retomada das atividades, o consumo e procura por nosso tipo de produto aumente e que possamos expandir as vendas visto que possuímos muito estoque sem vazão”, enfatiza o empresário. 

Frederico Azevedo que atua em São Luís, há 6 anos, no segmento de construção voltado para o saneamento básico enfatiza que no seu setor vive um novo momento com a aprovação do Novo Macro Regulatório do Saneamento. “O país tem agora um marco legal e seguro para que os investimentos privados em saneamento aconteçam. Estamos com um futuro promissor para o setor, mas a maior dificuldade do micro e pequeno empresa é ser vista e ser competitiva no setor gigante como o do saneamento básico.  O Brasil necessita de maior cobertura para o acesso a água potável e ao saneamento básico. Ainda temos custos elevados em impostos, um embrulhamento de taxas, impostos, acesso ao financiamento cheio de burocracias generalizadas, as regras não são muitas claras, que só levam a micro e pequena empresa a ter a falta de competividade”, enfatiza Frederico.  

Para o empresário Euzébio Aragão que atua no ramo da construção naval há 4 anos em São Luís, a maior dificuldade é a escassez no fornecimento. “Falta mão de obra qualificada (soldadores) para o segmento naval e da matéria prima - alumínio naval e insumos que todos são comprados fora do estado, assim, elevando os custos que somados a carga tributária estadual, tem impactado diretamente no preço para o consumidor final e nas vendas.  Durante a pandemia tivemos de intensificar as vendas dos produtos e diversificar os serviços de manutenção e reforma de embarcações em alumínio.  

NAC - O acessoao crédito é uma das grandes dificuldades dos empresários, principalmente dos pequenos e médios. Reconheço o esforço do NAC e da CNI em promover essa importante ligação com os Bancos e oportunizar crédito aos empresários em condições especiais!”, destacou o presidente da FIEMA, Edilson Baldez das Neves.    

“O NAC no Maranhão já atendeu, nos últimos 8 meses, mais de 500 empresas maranhenses. Além disso, dispomos de uma série de cartilhas que estão disponíveis gratuitamente no site da Federação orientando os  empresários de todos os portes sobre linhas de crédito e como acioná-las”, enfatizou Cesar Miranda, superintendente da FIEMA. 

Para um atendimento personalizado por profissionais preparados para ajudar na escolha do melhor financiamento a ser contratado pelo telefone (98) 32121860 ou pelo email [email protected] 

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