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24/06/2021 às 00h00min - Atualizada em 24/06/2021 às 00h00min

IMGUINORAPULIS

Capítulo XVI

*Republicado a pedidos
**Publicado originalmente em 2 de dezembro de 2012

Um simples discurso criou uma confusão

Dois dias após ter assumido o cargo de secretário municipal da educação, marquei uma reunião com todos os funcionários da secretaria. Na hora e no local marcados, no caso o prédio da escola recém-inaugurada, lá estava a minha equipe de trabalho. Abri a reunião agradecendo a todos pela presença e passei a tecer comentários sobre a forma como seria a minha gestão à frente da secretaria, lembrando inclusive que o senhor prefeito municipal me tinha dado "carta branca". Enquanto eu falava, observei que entre os presentes se encontrava o vereador TONICO LEITOSO, sempre atento às minhas palavras. Aliás, era ele que, na hora que eu fazia uma pausa para um respiro, aliviado, iniciava a sessão de aplausos, que era seguida pelos demais componentes da plateia e se estendia até o momento em que as mãos começavam a doer.

Falei um "bocadão de tempo" e neste espaço fui por várias vezes interrompido para responder às mais cretinas e absurdas perguntas, formuladas não apenas pelos funcionários, mas principalmente pelo vereador TONICO LEITOSO, que chegou a me perguntar se era verdade que Tiradentes tinha se enforcado. Ante a minha resposta afirmativa, comentou entre soluços, no seu palavreado cheio de erros: "Que pena! Quando eu era pequeno, foi ele que arrancou os meus dentes caninos!".

No meu pronunciamento, por várias e várias vezes fiz o uso da linguagem conotativa e lembro-me bem de ter pedido a todos ali presentes, professores, funcionários, alunos, pais de alunos e comunidade em geral, para que tivessem um carinho e uma atenção toda especial para com aquele prédio que tinha sido construído e inaugurado pela prefeitura municipal. Usando uma figura de linguagem, citei que ali estava enterrada uma verdadeira mina de ouro que precisava ser explorada. E, ao finalizar as minhas palavras, em tom bem vibrante e cheio de ênfase, exclamei: "Vamos todos, unidos, arrancar este tesouro que aqui está enterrado!".

Liberei todos os funcionários daquele dia de trabalho e, como tal, não havia a necessidade de ir ao prédio da prefeitura municipal. Assim, decidi dar uma passadinha na farmácia do DOTO MATOUSINHO para colocar as fofocas em dia. Depois, fui até o Córrego Estandarte para me refrescar um pouco, dei uma passada na XURRASKARIA KIKAI NAKEDA e ainda cedo da noite, após jantar uma "sopa de entulhos" que me tinha sido servida pelo VIADINO, me recolhi aos meus aposentos.

Já por volta de dez e meia para onze horas da noite, me encontrava em um sono quase profundo quando fui despertado por um alarido muito grande, que vinha da rua onde se localizava a pensão em que me hospedava. Rapidamente fui até a porta da rua e observei que por lá passava uma verdadeira procissão, tendo à frente o vereador TONICO LEITOSO, acompanhado da sua esposa, sogro e sogra, filhos e filhas, tios e sobrinhos, cunhados e cunhadas, enfim todos os parentes e aderentes, cada um com um carrinho de mão com picaretas, pá, enxada e outros instrumentos de trabalho propícios para mexer com a terra.

"Para onde vai esta procissão?", perguntei, cheio de curiosidades. Sem sequer parar, o vereador TONICO LEITOSO, me respondeu: - VAMO EXPLORA A TAR MINA DE OURO QUI O SIO DIXE QUI TÁ INTERRADA NA INSCOLA MUNISSIPAU. E uma outra voz, que não consegui identificar de quem, ainda complementou: - VAMO EM FRENTE ANTE QUI OUTRO VEREADOR SEJA MAIS INSPERTO.
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JAURO GURGEL

JAURO GURGEL

JAURO José Studart GURGEL, durante muitos anos Editor Regional de O PROGRESSO, em Araguaína (TO),

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