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14/06/2021 às 00h00min - Atualizada em 14/06/2021 às 00h00min

IMGUINORAPULIS

Capítulo XIII

*Republicado a pedidos
**Publicado originalmente em 18 de novembro de 2012

Minha primeira noite como autoridade municipal

Ainda fazia pouco tempo do desaparecimento do sol no poente, mas já estava quase dormindo na suíte que me foi reservada, quando o VIADINO bateu na porta para me avisar que o vereador FURTUOSO VALADRÃO estava me convidando para jantar. Diante das circunstâncias desfavoráveis do jantar na noite anterior, aquele convite era irrecusável. Acompanhei o ilustre vereador até a sua casa e me surpreendi de forma positiva com o que me foi oferecido: uma galinha caipira ao molho, com arroz e pequi, que foi devorada em questão de segundos; e um bate-papo bem descontraído sobre os mais variados assuntos: do futebol à atual conjuntura política brasileira. O presidente da Câmara Municipal, apesar de não ter frequentado os bancos escolares, tinha um certo conhecimento "das coisas", e por várias vezes me disse que tinha se formado na universidade da vida.

O tempo passou rapidamente e o sono interrompido momentos antes começou a se manifestar. Agradeci pelo excelente jantar, elogiando os dons culinários da senhora "primeira-dama" da Câmara Municipal, e no lugar de ir direto para a pensão, decidi passar primeiro pela XURRASKARIA KIKAI NAKEDA, para beber uma dose de SETE QUEDAS, e assim dormir mais tranquilo. Mas, lá chegando, encontro os vereadores TONICO LEITOSO e PARAÍBA, que ainda discutiam sobre a tal "gramaticação da Rua do Tenente Desconhecido". Com uma certa ousadia, contestei o vereador PARAÍBA, lembrando que ele tinha votado a favor, e ele, com uma certa grosseria, declarou: - MAS SOU CONTRA! Fiquei sem entender esta forma de comportamento, pois acho que o ser humano deve tomar atitudes dignas e coerentes, e repentinamente o vereador TONICO LEITOSO exclamou: - A NOITADA VAI CONTINUÁ! NOIS VAI PRO TRIÂNGULO DA FLOR!, enquanto o vereador PARAÍBA meteu a mão no bolso, pensando eu que ia tirar o dinheiro para pagar a conta, mas o que saiu do bolso foi apenas um velho pente meio banguela que, após ser passado nos cabelos, voltou ao local de origem, ou seja, ao bolso traseiro das calças. JAPONA, PINDURA MAIS ESTA QUE ADISPOIS NOIS PAGA!, e fomos os três saindo da churrascaria.

No que pese o sono que cada vez mais se fortalecia, a minha curiosidade era grande em conhecer o tal TRIÂNGULO DA FLOR, pois embora os dois vereadores nada tenham me explicado a respeito, de imediato eu imaginei do que se tratava. Como em toda cidade brasileira que se preze, IMGUINORAPULIS também tinha a sua famosa Z.B.M. E mesmo não me agradando a companhia dos dois vereadores, sempre com diálogos repetitivos e enfadonhos, acompanhei os dois caminhando por ruas, ruelas, veredas e estradas esburacadas e escuras. Depois de caminharmos mais de dois quilômetros, avistamos ao longe uma luzinha, com o vereador PARAÍBA me tranquilizando: - TAMO QUASE CHEGANDO! AQUI JÁ É A METADE DO CAMIM!.

Fiquei na dúvida se continuava a caminhada ou se regressava para a pensão. Decidi continuar e, após mais quase dois quilômetros, chegamos a um imenso terreiro em formato triangular e todo cercado de arame farpado, em cujo centro havia um velho barracão de tábuas e coberto de palhas. Na frente do barracão havia um gigantesco banco feito do tronco de um coqueiro, onde cinco ou seis homens estavam sentados. Enquanto cumprimentávamos as referidas pessoas, uma porta se abriu, dela saindo um homem ainda vestindo as calças, ao mesmo tempo em que uma senhora bastante gorda, desdentada e descabelada gritou: ENTRA O PRÓXIMO! E lá se foi o primeiro que estava sentado na fila de espera.

O vereador PARAÍBA me explicou que aquela mulher era a FLOR, dona do TRIÂNGULO, mas que nos fundos do barracão tinha uma outra porta, onde poderíamos entrar e lá encontrar o que havia de melhor em termos de mulher. E citou o nome da PIRULITO, filha da FLOR e "cacho" do prefeito LADRONESIO FURTADO. Entrei no recinto e observei em um dos quatro cantos da sala uma mesa, ocupada por duas "donzelas", que segundo o vereador TONICO LEITOSO eram as "musas da cidade". Apresentei-me às duas, que ao dizer-me os seus nomes me provocou uma crise de risos: a primeira, conhecida por PIRULITO, na verdade se chamava EVA GINA DO REGO BRILHANTE, enquanto a sua companheira de labuta tinha o nome de JACINTA PENA DO PINTO. "Realmente, dois nomes bem sugestivos!", comentei com os meus botões e entrei na "gandaia".
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JAURO GURGEL

JAURO GURGEL

JAURO José Studart GURGEL, durante muitos anos Editor Regional de O PROGRESSO, em Araguaína (TO),

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