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17/04/2021 às 00h00min - Atualizada em 17/04/2021 às 00h00min

AO PROFESSOR FRAZÃO


 
Mestre – vá pela sombra, cuidado com os desníveis das calçadas e que Deus o tenha no Seu Reino Sagrado.

Professor Frazão, por mais esforço a que eu me exija, não consigo me lembrar exatamente como, quando e onde nos conhecemos. Lembro-me, no entanto, que certa manhã, ainda cedo, quando eu atravessava a Rua Frei Manoel Procópio, em frente à Panificadora Pão Delano, fui recebido por você, do outro lado sobre a calçada, ao efusivo grito: CLEVIEÉÉÉÉGAS!!!!! Então me aproximei para os cumprimentos, estendo-lhe a mão, foi quando você me abraçou e me beijou. Publicamente!!! Tecendo menções elogiosas e de admiração a meu respeito.

Não esperava de você, naquela ocasião, nem via em mim motivos para tamanha cordialidade e afeto de tua parte. Mas foi como você calorosamente ali me cumprimentou. E então eu fiz ali, sem você saber, um PACTO DE AMIZADE COM VOCÊ. E todas as vezes que eu o encontrava pelas ruas e lugares da vida, encaminhava-me em tua direção e cumprimentava-o pelo teu nome, em voz elevada e com um proposital aperto de mão e enfeixava: PROPFESSOR FRAZÃO!!! Sentia, então, uma calorosa sinergia e empatia entre nós dois. E você falando nas alturas, como era do teu jeito de ser. No que eu correspondia, ao equilíbrio -francamente...

Certo dia, porque não sei, pedi o teu endereço. Você detalhou: morava na época à margem da Rodovia BR-010, nas imediações da Exposição Agropecuária, lado esquerdo, de quem segue rumo ao Bananal. Dias depois fui ao local designado e nada encontrei. Mais tarde voltamos a nos encontrar e te relatei o “mico” que levei, mas não me lembro do desfecho.

Mais tarde quando você desenvolvia uma pomada a partir da folha da graviola, fui contigo e você me obsequiou com dois púcaros. Ao procurar pelo preço, você pulou nas alturas e, como sempre falando nas alturas, disse que aquilo era um experimento público, de uma universidade Pública e a distribuição seria a CUSTO ZERO. Agradeci e saímos cada qual para o seu lado.

O mundo continuou na giratória. E quando você foi vilipendiado e ofendido numa reportagem pública por interesse comercial, na TV Globo, dirigida pelo Sr. Drauzio Varella, ele mesmo que num momento que lhe convinha (mais recentemente) disse que “o coconavirus é uma gripezinha” (tradução livre), então tomei as tuas dores e escrevi um texto que foi publicado nestas colunas, em setembro de 2010, com o título “PROFESSOR FRAZÃO – NOSSO HERÓI – O CRIADOR DA PASTA CONTRA O CANCER, ESTÁ FERIDO MAS NÃO DESMORALIZADO”. Nem sei se você leu. Só  sei que fiz a minha parte. O tema está em meus arquivos e poderá ser objeto de reedição, na próxima edição deste diário.  Deus Proverá.

Certo, meu caro PROFESSOR FRAZÃO, é que faz algum tempo e nossos contatos tornaram-se rareados. E, até mesmo, nem isso: “Faz tempo que não te vejo”, como na canção de Amelinha (Ai que Saudade D’ocê). Ainda assim, mestre, recente quando eu despertei pela tua falta eu falei com os meus botões: “Frazão aonde anda você”? E continuei no silêncio que nos tem permeado.

Recente, minha mulher me fala do teu estado de saúde e até me noticiou que você, internado, precisava de “qualquer tipo de sangue”, disse. E quando eu me movimentava para te levar uma quota do meu sangue e assim  pudesse ser útil  à tua vida (ou de outrem), eis que o mundo desaba sobre a minha cabeça, com a notícia: MORRE O PROFESSOR FRAZÃO. Nem preciso dizer do estado de choque, o impacto a que fui submetido mas... eu tenho consciência que entre os mortais, a morte é um caminho inevitável.

E então mestre... como lá em cima está escrito: “vá pela sombra, cuidado com os desníveis das calçadas e que Deus o tenha no seu reino sagrado”
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CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

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