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16/01/2021 às 00h00min - Atualizada em 16/01/2021 às 00h00min

TRIBUTO A GENIVAL LACERDA!



Graaannnde Genival Lacerda! 
Elba Ramalho na música NÃO SONHO MAIS, ela diz a um personagem: “Tu que foi tão valente /  Chorou pra gente / Pediu piedade/ E olha, que maldade”. Esse verso “tu que foi tão valente”, na música de Elba Ramalho eu acho a tua cara.
  
Benito de Paula, por sua vez, precisou só de uma sanfona branca e um gibão de couro para cantar Luiz Gonzaga de ouro.  Eu aqui para contar sobre você, tenho que juntar aquela alpercata branca, aquela calça branca, camisa colorida, chapéu colorido, aquela tua pança e aquela tua dança. Genival, você é único! É original!

Quanto à SEVERINA Chique-chique, (800.000 cópias) uma moça pobrezinha “que botou uma butique para a vida melhorar”, aí veio Pedro Caroço, filho de Zé Vagamela que passa o dia na janela, fazendo aceno pra ela / Ele tá de olho é na boutique dela! Na época, Genival, eu um questionador do social, fazia as minhas reflexões ao imaginar que de tantas Severina Chique-chique e outros tantos Pedro Caroço, na janela, só de olho na Butique dela – o mundo está cheio dessas mazelas.

Tirada boa é aquela em que “Mariquinha pra casar tá fazendo exigência /  Só casa com homem loiro / Olho azul, com muito ouro / Que não goste de beijar / Vai, vai, vai, Mariquinha vai sobrar. Genival, por onde você andou, a tua irreverência você deixou, no duplo sentido e no forró chanchada das tuas cantigas. Aquela do RIPA NA CHULIPA!, que diz:  Meu velho já tem setenta/ Nunca usou a medicina / Na plantação ele encontra/ Sua melhor vitamina / É forte igualmente um touro / Quase ninguém acredita / Se as garotas bobear... / Ele ripa na chulipa... ...ripa na chulipa

E assim Genival, você foi desfilando tuas margaridas. Aquela do caldo de mocotó  despertou o interesse da terceira idade. E assim como Zenilton na música O BOI LAMBEU (que diz que: “mulher minha o boi não lambe/ a mulher do Mané o boi lambeu”, aí Genival, com essa do caldo de mocotó, imagino que foi taaanto boi que pagou o pato e morreu.

Genival, toquei muito tuas músicas no meu programa RÁDIO LIVRE, no quadro “RETRATOS DA VIDA”.  Veja que Sérgio Reis em PANELA VELHA, prestigia o sexo frágil e diz: “não me interessa se ela é coroa / panela velha é que faz comida boa”. Você Genival, de tua parte, inverteu os papéis e o COROA agora é o machão. Vamos recordar?: Se você é inteligente/ Se você é pra lá de boa / Assegure o seu futuro/  Esse jovem é um pão duro/ Não despreze o seu coroa / Coroa lhe dá casa com rádio e televisão/ Geladeira, enceradeira e dá dinheiro na mão /   Coroa traz doutor se você adoecer /  É remédio a toda hora e fica perto de você /  Não deixa faltar feijão, o arroz nem o café/  E o jovem vai pra farra se esquece que tem mulher. Hei Genival, são os RETRATOS DA VIDA!!!

Tem uma música tua, GENIVAL, que eu  tenho plena certeza que retrata o sentimento de muita gente.  Porque ela fala de uma saudade e reconstrói uma realidade. Vamos rever? Quem dera ter você de novo/  De novo, chegando/ Quem dera ter você agora / De novo, me amando  //////  Gostoso era o tempo de lua na beira do mar /  Cafuné na rede, um chamego daqui, um chamego de lá /  O amor afoitando o desejo fez tudo o que quis /  Mas quem é que não sente saudade do tempo que foi tão feliz. Fica quieto Genival ela tocou muito no meu quadro: “AMOOOOOR ... MEU GRAAAANDE AMOR!

Agora Genival, naquela do Radinho de Pilha, você foi simplesmente demais! Foi longe demais, abusou do teu talento e, na minha opinião, deixou todas as outras para trás. É a vida dura e suada daquele Paraíba que foi pro Rio de Janeiro / trabalhou o ano inteiro /  como ajudante de pedreiro/  e comprou e mandou um rádio para a sua mulher. E a mulher nem aí – DEU O RÁDIO de  graaaaça e não lhe disse nada. Só pra fazer pirraça! E nesse vai e vem, nesse mexe e remexe, o rádio que mandou pra sua mulher, além dos estragos...  todo o mundo já conhece. 

                                     * Viegas questiona o social
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CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

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