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06/01/2021 às 00h00min - Atualizada em 06/01/2021 às 00h00min

Coluna do Lima Rodrigues


CULTURA

João do Vale e Pedreiras

Passei a virada de 2020 para 2021 na casa de parentes (por parte do meu pai) em Pedreiras (MA), uma aconchegante cidade do chamado Médio Mearim, que tem como padroeiro São Benedito. Mas a cidade é conhecida também por ter gerado para o Brasil e para o mundo um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira (MPB): João Batista do Vale, ou simplesmente João do Vale, que nasceu em 11 de outubro de 1934 no povoado Lago da Onça, naquele pujante município, e morreu em São Luís em 6 de dezembro de 1996. Além de compositor, ele foi também músico e cantor. Ouvi diversas pessoas sobre João do Vale. A maioria o respeita e o considera um grande artista que elevou para o Brasil e para o mundo o nome de Pedreiras, mas ainda há alguns que o consideram apenas “um cachaceiro” e que “nunca fez nada por Pedreiras”.
Respeito as opiniões de todos, mas segue a homenagem.

O artista
De origem humilde, João do Vale sempre gostou de música. Aos 13 anos, se mudou para São Luís. Em 1964, estreou como cantor. Suas principais composições são: Carcará, em parceira com José Cândido e imortalizada na interpretação de Maria Bethânia; Peba na Pimenta, com Adelino Rivera, e Pisa na Fuló, com Ernesto Pires e Silveira Júnior. Ele teve músicas gravadas por Zé Gonzaga, Césario Pinto, Marlene, Luís Vieira e Dolores Duran e até o Mestre Luiz Gonzaga, em 1962, gravou a canção de Teresina a São Luís, que retrata a ferrovia São Luís-Teresina. Ele teve inúmeros sucessos gravados por grandes intérpretes. Mas na vida foi também vendedor de laranja, ajudante de caminhão, garimpeiro e ajudante de pedreiro.

Biografia extensa
O artista maranhense tem uma extensa biografia que inclui a criação de um grupo de bumba-meu-boi em São Luís, autoria de trilha sonora para o cinema brasileiro, entre os quais Meu Nome é Lampião, de Mozael Silveira. E participou do Show Opinião, dirigido por Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, no Rio de Janeiro, um marco da MPB, que teve também a participação de Zé Keti e Nara Leão, tornando-se conhecido nacionalmente pelo sucesso de sua música Carcará (com a participação de João Cândido), a mais marcante do espetáculo, que lançou Maria Bethânia como cantora, ao substituir Nara Leão no espetáculo.

Chico Buarque
João do Vale participou de gravação de LP ao lado de Chico Buarque, Tom Jobim, Gonzaguinha e Zé Ramalho, entre outros. Em 1995, Chico Buarque voltou a reverenciar o amigo, reunindo artistas para gravar o disco João Batista do Vale, com participação de Edu Lobo, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Alceu Valença, e do próprio Chico Buarque, e que foi Prêmio Sharp de melhor disco regional. Tem dezenas de músicas gravadas e algumas delas deram popularidade a muitos cantores: Peba na pimenta (com João Batista e Adelino Rivera), gravada por Ari Toledo; Pisa na fulô (com Ernesto Pires e Silveira Júnior), xote de 1957, gravado por ele mesmo; também o baião Coronel Antonio Bento (Luiz Wanderley e João do Vale), sucesso com Tim Maia; e Asa do Vento, que foi gravada por Caetano Veloso,

Homenagens
Em 1995, foi fundado o Teatro João do Vale, no Centro Histórico de São Luís. Em 2006 (décimo ano após sua morte), foi lançado o espetáculo musical "João do Vale - o Poeta do Povo", peça de Maria Helena Künner, com direção musical de Marco Aurêh, baseada na biografia "Pisa na fulô, mas não maltrata o Carcará", escrita por Márcio Paschoal. As músicas Carcará e Estrela Miúda (gravadas por grandes nomes da música brasileira como Marinês, Elba Ramalho, Amelinha, dentre outros) fizeram parte da trilha sonora da novela Cordel Encantado, da Rede Globo de televisão, na interpretação marcante de Maria Bethânia. Na sua terra natal, em Pedreiras, é homenageado com uma estátua sua, onde o braço e o carcará que ele segura são feitos de bronze. Em 2017, foi montado, em São Luís, o espetáculo João do Vale- o Musical, que também fez apresentações no interior do estado e no Piauí.

Em 2018, foi escrito, pela poeta e cantora pedreirense Maria Suelma F. Oliveira uma homenagem ao aniversário do Poeta, um soneto, intitulado “Soneto de Carcará na Fulô”. "João Batista do Vale, famigerado João do Vale, o intrépido boêmio da Princesa do Mearim. Nascido no dia 11 de outubro de 1934 já tinha no seu sangue as hemácias, leucócitos e plaquetas de um belo cantador. Poderia até arriscar que ao primeiro respiro de sua nascença entoou o carcará que em breve seria seu redentor. Pedreiras e todos os seus conterrâneos te felicitam com saudosismo o seu aniversário. Ainda vive em cada um de nós o espírito do profeta da poesia externada em pura melodia. Receba meu presente, declarou Suh Oliveira.

Soneto de Carcará na Fulô
Foi ali no cantinho da esquina que eu ouvi num rádio de pilha do seu Raimundo a primeira vez o Peba na Pimenta
Do artista que não tá aqui nesse mundo João Batista do Vale, o poeta fez do Carcará seu maior trunfo e me fez até cheirar certa fulô pra saber se devia ou não judiar de meu amô
Eu fui na Golada, rodei e dancei, até no som do tambor eu rodei
Pois aqui estou vendo Estrela que de tão Miúda me faz lembrar meu amor
Vem Carcará, vamo pisar nessa Fulô.
Autora: . Suh Oliveira
Pedreiras, 11/10/2018 Maria Suelma F Oliveira em homenagem a João do Vale.
(Com informações da Wikipédia e citações do jornal O Imparcial de 6 de dezembro de 2016 e de 25 de abril de 2018).

Projeto Golada pro Brasil
Vários artistas de Pedreiras já prestaram homenagem a João do Vale. A jornalista Lucy Fabris, que trabalhou em rádio e televisão de Pedreiras e mora atualmente em Parauapebas (PA), onde também resido há quase dez anos, me enviou um vídeo muito bonito com um belo show em homenagem ao autor de Carcará, fruto do fantástico “Projeto Cultural Golada pro Brasil”, do qual também ela participou. Entre os artistas que participaram do projeto estão Paulo Piratta, Samuel Barreto, Neto do Kawaco, Chagas Melo, Edivaldo Santos, Betinho, Josevan Pereira, Chico Viola, Iacson Felipe, Qarlos, Naylton Silva, Paulino, Raul Viana, Bebeto Chocolate, Índio Sanfoneiro, Sabrina, Lucy Fabris, Franciene Brandão, Mayana, Ana Rosélis e Paula Geovana, Na magnífica homenagem, o grupo aborda até o preconceito sofrido por João do Vale por ser negro e de família humilde. O show transformou-se em um belo DVD que está disponível no You Tube.

Pedreiras
De acordo com o site oficial da prefeitura, “atribue-se que o nome de Pedreiras é oriundo do grande bloco de pedras existentes na margem esquerda do Rio Mearim, distante da cidade aproximadamente três quilômetros”, considerado um dos pontos turísticos da cidade, além da estátua de bronze em homenagem ao cantor, compositor e músico João do Vale, na entrada de Pedreiras, e a bela igreja matriz de São Benedito, com sua majestosa arquitetura e sua atraente escadaria.

Pedreiras tornou-se distrito pela lei provincial nº 1453, de 4 de março de 1989, desmembrado de São Luiz Gonzaga, teve divisão administrativa em 1896, ao ser criado o distrito de Pau d‘Arco e finalmente pela lei estadual nº 947, de 27 de abril de 1920, a vila de Pedreiras é elevada à condição de cidade. Portanto, em 27 de abril completará 101 anos de fundação. Segundo o IBGE, em 2018 Pedreiras contava com uma população estimada em quase 40 mil habitantes. A cidade é interligada a Trizidela do Vale, um antigo bairro emancipado, cujo acesso é feito pela Ponte Francisco Sá.

Comércio
Em meados do século XX o município foi dos maiores polos produtores de arroz, batata e macaxeira (mandioca) do interior do Maranhão. Pedreiras é centro regional de abastecimento de 16 cidades na região do Mearim e concentra os órgãos regionais como Detran, Justiça Estadual e do Trabalho, Ministério Público, Defensoria pública, Caema, Funasa, OAB (Subseção de Pedreiras) e Secretaria da fazenda estadual e outros.

Tal vocação comercial e de agronegócios resultaram em empreendimentos no ramo do comércio varejista, atacadista, de transporte e distribuição de gêneros alimentícios. Na região existe grande extrativismo de produtos da palmeira de babaçu. Na região temos indústrias que processam este óleo e também fazem sabão e produtos de limpeza. A produção rural está voltada para a criação de bovinos, caprinos e extrativismo vegetal. Em volta da cultura do arroz, o comércio se fortaleceu.

Clima
Pedreiras tem clima quente com muitas chuvas no conhecido "inverno maranhense". Sofre com os impactos das enchentes que anualmente acometem o município no decorrer da estação chuvosa, quando ocorre o processo de escoamento de vários afluentes do rio Mearim, contribuindo para a elevação do seu nível e, consequentemente, causando alagamento de diversas áreas urbanas do município. Ressalta-se que este é um dos principais fatores que interferem no desenvolvimento desta cidade, pois a ocorrência de inundações no centro urbano acarreta inúmeros transtornos socioeconômicos, sendo esta cidade atingida pelas cheias do rio Mearim em intervalos anuais e intensidade diversificada.

Lazer
Conta com quatro clubes. O AABB, o maior da cidade, o Cressupe, o da Associação Comercial e o Global Club (que apenas realiza shows e que antes era o Estação Cidade). A Copa Ouro de Pedreiras é o maior evento esportivo da região. Atrai cerca de 250 times anualmente e mobiliza mais de cinco mil pessoas entre atletas e interessados. O carnaval é um dos mais agitados da região. Combina trio elétrico na rua, eventos da AABB, maçonaria e palco da prefeitura.

O Rio Mearim é um dos principais pontos turísticos da cidade. Em destaque temos o balneário Caema, onde famílias se encontram para se divertir nos finais de semana. (Com informações do site oficial da prefeitura de Pedreiras, da Wikipédia e dos artistas do Projeto Golada pro Brasil).

Visita histórica
Histórica. Assim considero a visita que fiz a Pedreiras, porque conheci primos por parte de meu pai, Raimundo Rodrigues, que são filho de Marçal Melo e Judite Melo, prima em primeiro grau do meu pai. Em nome do primo Josmar Martins de Melo,58, empresário na cidade, do ramo de posto de combustível e de locação de equipamentos para construção, saúdo todos os demais primos, tias e parentes. Ah, conheci também a prima Joyce, professora, casada com o professor Alisson, talentoso também na organização de excursões por esse Brasil afora.

Virada do ano
Passamos o ano novo no Sítio Rei Arthur, a cinco quilômetros de Pedreiras, na região do Barreiro, com o Josmar e a simpática esposa Dayane Gouveia de Melo e os filhos do casal: Talysom (advogado), Tamyres (Gerente do Posto Santa Helena), Arthur (13 anos) e Helena (8 anos), além dos primos Ruzio e a esposa Cris; Consuelo e o esposo Martins; Mônica e o marido Ronaldo; Jean e a esposa Nilce, Marçal (Divorciado), Selma (viúva), com a filha Carol e o namorado Jailson; Jairo, filho da prima Edileuza, que mora em São Luís; minha esposa Ana Cláudia e minha sogra, Iones Pereira, entre outros parentes e amigos.

Forró Pé de Serra
No sábado, dia 2 de janeiro, voltamos ao Sítio Rei Arthur para um churrasco ao som de muito forró pé de serra comandado pelos cantores e músicos Adalberto Pessoa, Arthur Gonzaga, Jailson, Samuel e o advogado Talysson, o grande diretor e apresentador.do musical.

Nova administração
“Pedreiras representa a esperança de dias melhores. É um novo recomeço de uma nova história”, afirmou o empresário Josmar Melo, ressaltando que “a prefeita Vanessa Maia (Solidariedade), que tomou dia 1º de janeiro de 2021, fará um grande trabalho nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e segurança, além de fortalecer a economia do município, gerando emprego e renda e o desenvolvimento da cidade”.

A prefeita Vanessa Maia trabalhava no Poder Judiciário e o esposo dela, Fred Maia, foi vice-prefeito de Trizidela do Vale (cidade vizinha) por oito anos e prefeito também por oito anos, tendo deixado o cargo em 31 de dezembro de 2020, mas passando a cadeira para o sucessor que ele ajudou a eleger: Dr. Deibson Bale (PDT). Como se diz por aí, e se referindo ao agora empresário Fred Maia: “O homem é bom de voto”.

Por conhecer os primos, primas, sobrinhos, e a tia Judite e conhecer de perto a história de João do Vale, valeu a pena ter conhecido Pedreiras e sua história de destaque na história do Maranhão. Valeu São Benedito. Valeu João do Vale. Valeu rapaziada do Projeto Cultural Golada pro Brasil. Pedreiras é show.
Até breve.
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