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09/12/2020 às 00h00min - Atualizada em 09/12/2020 às 00h00min

Coluna do Lima Rodrigues


Carlos Eduardo Ribeiro, o Cadu, de Paragominas (PA), um agropecuarista preocupado com o meio ambiente
A Fazenda Mutirão, no município de Paragominas, tem 25 mil hectares, e uma bela paisagem, onde são criados Brangus, fruto do cruzamento de Angus com Nelore. O Brangus surgiu nos Estados Unidos há 130 anos e chegou ao Brasil há 40 anos.

Logo na entrada da fazenda, o visitante se depara com a exuberante plantação de 1.400 hectares de Paricá, árvore também conhecida pelo nome de Faveira Branca e Guapuruvu da Amazônia. O Paricá é a espécie florestal nativa mais cultivada do Brasil. Enquanto outras madeiras levam 15 anos para o início de corte, o Paricá só necessita de cinco anos. O Paricá, que pode chegar entre 15 e 40 metros de altura e 100 centímetros de largura, é a madeira de qualidade empregada em vários produtos, desde palitos de fósforo, até portas, compensados e papel.

O dono da fazenda é o paulista Carlos Eduardo Ribeiro do Valle, o Cadu, que se preocupa com a preservação do meio ambiente e tem propriedade no Pará há 46 anos. Ele começou a investir no Pará com apenas 28 anos e hoje está com 74 anos. “Meu avô já era pecuarista. E ainda jovem resolvi investir no Pará. Depois, já casado (ele tem quatro filhos), recebi de meu sogro uma parte da fazenda dele para abrir e formar, com 2.420 hectares, em Naviraí (MS). Hoje, com o apoio da minha esposa, administramos as fazendas no Pará e em Mato Grosso do Sul”, disse Cadu em entrevista ao programa Conexão Rural, que vai ar no próximo fim de semana.

Da prosa na varanda, fomos conhecer mais detalhes da Fazenda Mutirão. Fomos de camionete porque a fazenda é bem grande. Tem Brangus e Nelore por toda parte. São ao todo 3.500 animais Nelore Puro e Brangus, e animais comerciais.

Embriões
A principal atividade da Mutirão é produzir touros nelore e isso vem ocorrendo há 22 anos e o Brangus começou a ser produzido a partir de 2015.  “Os registros do touros Nelore ocorrem desde 1998 e a partir de 2021 a Fazenda Mutirão iniciará a produção de embriões das vacas doadoras Nelore e Brangus”, anuncio o agropecuarista.

E gente nota a satisfação dele ao ver os bezerros frutos de FIV, Fertilização In Vitro, mamando nas vacas bem à vontade no pasto.  O uso da FIV acerela a produção de bovinos com uma genética bem superior. O sistema Inseminação Artificial por Tempo Fixo – IATF – também é utilizado na fazenda.

Mombaça
Em seguida fomos conhecer outras áreas da fazenda e vimos um pasto de capim mombaça espetacular, pronto para ser devorado em breve por lotes de 130 animais por vez. Segundo a Embrapa, o capim-mombaça é uma alternativa para áreas de solo com maior fertilidade, sendo indicada na diversificação das pastagens em sistemas intensivos de produção animal. Sua adoção tem se dado especialmente em áreas de produção de leite e, mais recentemente, em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).

Tem capim para muitos animais e pela qualidade dos bezerros que as vacas estão parindo, elas merecem um capim também de alta qualidade.

Depois, fomos para um local alto e bonito da fazenda e vimos lá embaixo, cercada pela natureza preservada, uma área de pasto com Brangus e Nelore convivendo na maior tranquilidade e sintonia do mundo.

E foi lá que o agropecuarista Cadu disse que valeu a pena investir na pecuária no estado do Pará. “Fui aos EUA e fiquei animado com que vi e comecei a criar a raça que já tinha aqui no Brasil, mas com o cruzamento com o Nelore, e o resultado tem sido maravilhoso”, destacou Cadu.

Lavoura e Pecuária
A paixão do Cadu é pela a pecuária, mas a agricultura também tem sua importância na Fazenda Mutirão e a gente constata isso ao ver trator, maquinários e implementos agrícolas aguardando o momento de entrar em ação. O agropecuarsta desenvolve o sistema integração Lavoura Pecuária. E com o uso de bastante calcário, a terra está sendo preparada para o plantio de soja.

Em parceria com a família Radomski, Cadu está preparando o solo para o plantio de 500 hectares de soja na Fazenda Mutirão e ano que vem aumentará para 1.200 ha. “A parceria com o Seu Cadu tem sido muito boa. A terra dele é boa e tem um bom rendimento por hectare”, afirmou Ricardo Radomski Júniior, da família parceira na plantação da leguminosa.

O paulista Cadu cuida da terra com muito carinho e circulando por ela, se sente mais à vontade do que quando anda pela Avenida Paulista em São Paulo.

A preocupação do Cadu com a natureza, a gente percebe por toda área. É como se a fazenda tivesse uma cerca só de árvores, lá de longe, em vales que se perdem de vista. A Fazenda Mutirão segue as normas do Código Florestal Brasileiro e 80 por cento de sua área são preservados.

Açaí e igarapés
Os igarapés e rios que cortam a fazenda também são preservados e as matas ciliares, com uma vegetação arrojada, contribuem para isso, numa prova de que elas são fundamentais para a proteção natural dos cursos d´água.

Após almoçar e trocar um dedo de prosa na varanda da casa da sede da Fazenda Mutirão, o Cadu nos levou para conhecer a plantação de açaí. A gente passa por uma espécie de trilha ou corredor de acesso ao açaizal e a mais um igarapé que faz parte da propriedade. O igarapé também tem sua área de mata ciliar preservada e os cantos dos pássaros e o ar puro da natureza deixam os visitantes completamente relaxados. É um verdadeiro paraíso.

“Aqui, produzimos soja, criamos gado e preservamos o meio ambiente e conservamos a floresta amazônica. Então, por que essa perseguição de que o produtor rural prejudica a Amazônia? Quem fala isso não entende nada de agronegócio”, declarou Cadu, o agropecuarista que se preocupa com a preservação do meio ambiente, gera emprego e renda e acredita que a carne do Brangus, devido à sua maciez, qualidade e marmoreio, se tornará no futuro a melhor carne do mundo.

Cadu conta com o eficiente apoio do gerente José Eduardo (há 16 anos na Fazenda Mutirão) e de uma equipe atuante de funcionários. Todos preocupados com a produtividade e sustentabilidade.
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