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14/11/2020 às 00h00min - Atualizada em 14/11/2020 às 00h00min

TEMPO DE ELEIÇÕES


Guardo comigo uma velha frase que diz: “Políticos são como aves de arribação: nas eleições ele vêm, passadas as eleições eles vão”. Chega a ser odioso os expedientes hipócritas da politicagem: sorrisos, abraços, promessas, discursos, ôba ôba e coisa e tal. E abraçar velhinhos? Beijá-los, até? Pegar nas mãos de descamisados e beijar os filhos alheios? Eu fico só vendo! Mas o que me deixa encafifado são aqueles sorrisos de faz de conta, emprestados, alugados, “control C, control V”, quais nos seus retratinhos ou retratões, feitos para a ocasião.

Vejo os discursos programados, “bem bolados”, articulados,  qual uma caixa ou um caixão –  pregado com prego. Um invólucro, como selo e tudo e algo mais. Pronto: esse é o candidato! Tudo na ponta da língua.  Discurso e imagens para cada edição. Tudo arrumação, direito, bonitinho. Foi assim que foi programado para falar. Qual um papagaio que também fala. Assim são a falácia e as firulas dos candidatos. Feita para expor, para mostrar é claro! E não interessam os meios – interessam os fins. Claro que isso aí é para os peixes mais graúdos, estejam eles em que água estiverem – seja para executar, seja para “legislar”.

Antigamente, ao tempo da roda quadrada, candidatos ao executivo diziam: “Se eu for eleito ... se eu for eleito”. Numa perspectiva de futuro. Hoje eles falam como se eleitos estejam. Todos eles. E aí tocam: “no meu governo vou fazer isto, vou fazer aquilo, vou fazer aquilo outro. Mera falácia”! Quanta falácia! Tem neguinho por aí que de tanto latir, quer dizer de tanto falar em ocasiões outras, já botou o rabo entre as pernas e restou calado. Uma coisa, porém, me chama atenção: É que antes sabidões de plantão registravam suas promessas em Cartório. Cartório é para essas e outras coisas. Hoje, porém, ninguém mais fala em tais registros cartorários. Senti dura falta. Eu gostava daqueles arroubos de promessa. Uma pena!

Outra coisa: Fala-se daqui, fala-se dali que a PANDEMIA chegou por aqui antes do carnaval. Em nome da folia, tocou-se o carnaval com PANDEMIA e tudo por debaixo dos panos. Depois, baixou a onda com mais de oitenta mil mortes no país. E faz de conta que a PANDEMIA acabou. Agora com mais de cento e sessenta mil mortes e as CARREATAS E AGLOMERAÇÕES POLÍTICAS, estão a todo vapor. Tudo em nome da democracia e aos olhos dos “quem de direito”. Acaba não, mundão. E as músicas dos candidatos? É um besteirol que dá dó. Mas aquele indicativo em CHUVA DE HONESTIDADE, salvou a Pátria! Parabéns!

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Estou aos 75. E olha que isso não é uma idade para qualquer um! Em toda a minha vida, ao que posso lembrar NUNCA fui ouvido por uma tal “pesquisa eleitoral”. Mas, por desconto dos pecados e, porque o pão comido não é lembrado, quem sabe, alguma vez. Talvez. Ultimamente porém, não sei que pecado foi esse meu, estou sendo sabatinado sucessivamente por uma tal “pesquisa eleitoral”, que mais parece coisa de MEIA TIGELA. Um tipo FUNDO DE QUINTAL.  E a gente pode até ver que é uma coisa de má qualidade, feita assim na base do “quebra-galho”, por algum amador de ocasião. E ainda por cima com um “selo de qualidade”: “... para ser registrada na Justiça Eleitoral”. Dizem. Aí eu fico vendo: O PAPEL AGUENTA TUDO. Desgraçado esse papel. E que pape?!

Aí eu vou logo perguntando: Essa pesquisa é encomendada por qual Coligação ou Partido ou Candidato? Aí vem uma resposta solene: “Não. E por um Instituto.” É uma cortada e tanta! É ou não é? Sargento Mauro das minhas saudades, ao seu tempo já dizia: ”Eu não são tão besta assim – eu sei tocar trombone”. Então eu faço a paráfrase e digo “Eu não sou tão besta assim – eu sei ler e escrever”. Aí começa a polêmica: - Seja o Instituto que for, ele está sempre a serviço de alguém ou por interesse de um grupo. Já começam perguntando pela minha idade. Não tenho problema com a idade da minha idade. Mas se fosse um Roberto Carlos, ou um Sílvio Santos ou uma finada Hebe Camargo? Era aí que a porca torcia o rabo.

A segunda pergunta – a mesma de sempre, quais as demais é sobre a escolaridade do entrevistado. Eu digo logo: “Tenho diploma de datilografia, sei ler e escrever e até assinar o nome”. Bem aí eu percebo que o entrevistador “cai dos quartos” (com diziam) e até parece que quer desistir da entrevista, porque o trem está azedando. No morde e assopra eu estimulo: “Vamos lá, segue em frente”. Já pensou se fizessem essa pergunta ao Valdemar? Quando lhe fiz tal pergunta, faz uns 50 anos, o cara quase botou o mundo em baixo. Fosse hoje e o caldo estaria fatalmente derramado.

A terceira pergunta versa sobre o “projeto dos candidatos”. Aí eu qual um Dr. Enéas Carneiro (aquele do MEU NOME É ENÉAS. Lembra? Com a resposta na ponta da língua, vou desfolhando a margarida. E depois da falácia eu resumo: “Falar até papagaio fala”. E então essas “propostas”, são como uma caixa pregada a prego, ou ainda que colada cola - feitas para a embalagem. É um disco programado, decorado, feito muitas vezes pelo MARQUETEIRO de plantão ou de ocasião. E então, discursos e “propostas” não me dizem nada, vezes nada. Não por nada mas porque em matéria de promessa, todos são iguais. E até parece que os majoritários aprenderam com os seus minoritários “vereadores”. Esses, então, como prometem! Prometem que é uma beleza!!! E como prometem!!!

No quesito final, os amadores da entrevista, me mostram o mesmo papel com os nomes em círculo dos candidatos a Prefeito. E apontam: Em quais destes nomes você não votaria? Em princípio eu parava e respirava. Agora de tanto ser perguntado, nem precisa parar nem respirar. E vou direto e reto: “NESTE AQUI”. FULANO DE TAL. Pronto! A entrevista está encerrada e... FIM DE PAPO, com diria Seixas, na sua música.   Este texto eu fiz assim... num piscar de olhos. Fácil, fácil – qual nas propostas e aventuras dos candidatos que falam pelos cotovelos como se eleitos estejam. É aí que eu fico com vergonha. Vergonha por eles.

TANTA LARANJA MADURA...

O que eu estou esperando mesmo, é o fim das eleições. Quero acompanhar a votação dos candidatos. Quero ver a votação dos candidatos E escrever “TANTA LARANJA MADURA, TANTO LIMÃO PELO CHÃO”  - uma ode às centenas e milhares de  votos que se estragaram, que se perderam, que se espalharam pelo chão, tais os candidatos que os obtiveram – seja pelas vias lícitas ou não e que afinal não deram em nada e se perderam pelo chão. Me aguardem. Quem viver verá!
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CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

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