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10/12/2022 às 00h00min - Atualizada em 10/12/2022 às 00h00min

ENTRE PAI E FILHO

CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

 
O pai era um cara bem situado na vida. Tinha emprego, o salário e a vida que qualquer um gostaria de ter. Era, também, um cara decidido. Punha pra resolver e resolvia. Fosse o tubarão, o jacaré ou a bruxa que voava com a vassoura, ou o fogo da curacanga, ele enfrentava com a mesma disposição. E não arredava. Tornamo-nos bons amigos. Eu o admirava ela segurança que ele transmitia.

Contou-me então que todos os dias levava o seu filho, adolescente a um colégio. Colégio de grife, de endinheirados. Um colégio caro. Certo dia, porém, ficou sabendo que tão logo deixava o seu moleque na porta da Escola, o moleque só esperava o pai desaparecer na esquina, na sua caminhonetona  e, sem demora já ia para o jogo eletrônico (vídeo game) que havia pelas cercanias da escola, lá mais adiante.

O pai ficou pê vida. Considerou o ato do filho uma traição. O crime da mal!  Ficou na dele e no dia seguinte deixou o garotão na porta da escola, com previsão de saída para as doze horas. Desde as desde às onze horas já estava lá adiante... na “mutuca” e na tocaia, esperando o moleque. Quando deu pouco antes do meio-dia, lá vem o moleque, pra escola, como costumava fazer. Aí o pai chegou junto!  Segurou o moleque pela gola e... “Assim que é a tua escola? E porrada! Me beija e diz: “pai eu te amo”. E porrada”. “Porra moleque, te boto na Escola pra ser gente, pra ter um futuro e tu fica é no jogo?! E... porrada. E “pai eu te amo” e me beije. E o festival rolando...

Aí os colegas do moleque resolveram tirar partido e querer partir pra cima: O pai olhou na cara deles disse: “Não se metam que isso aqui é coisa de pai e filho. Não se metam”. O zum-zum-zum persistiu. “De dois a dois, três a três, quatro a quatro pode vir. Mas se preparem que se não apanharam do pai de vocês, vão apanhar agora”. Aí a molecada murchou, esmoreceu.  E o papo acabou...

 

NO HOSPITAL

Esse mesmo pai, agora está no papel e lugar de filho. Seu pai estava doente, então ele fez um plano de saúde ao seu velho, “pagando os tubos” e o internou um Hospital famoso, na capital. Certo dia ao chegar para uma visita, sentiu-se decepcionado com o atendimento que o seu pai estava recebendo. Parecia um “desvalido”, disse. Já chegou espancando a porta do Hospital.

Em seguida pegou uma cadeira e fez um “arraso”. Não ficou pedra sobre pedra. Estava indignado, enfezado. Ora, diz ele; que pagava “os tubos”, ao plano de saúde e o seu pai, como um desvalido um mendigo. E o pau quebrou.! Logo surge o segurança com ares de quem queria partir pra cima. Ele então, parou a ação, olhou firme na cara do guarda e disse: “Não te mete, isto aqui é briga de cachorro grande. Não te mete que tu não dá conta.  E se tu te meter sobra pra ti. Chama os teus patrões” E vociferou; “Eu pago os tubos por um plano de saúde ao meu pai e apontou “esse é o atendimento que você está vendo. Chama os teus patrões”. Logo-logo, a vida e o atendimento e saúde do ancião internado e tudo mudou.

 

*MEMÓRIAS DE UM TIBÚRCIO*

*Tibúrcio era um bom sujeito. Morava na beira rio.  Negão, corpulento, cheio de rugas. Seu ofício era comprar o que aparecesse nos barcos da beira-rio, vindos das bandas do Embiral: galinha, pato, guiné. O que tivesse. Desde cedo, no cais, já estava de cócoras, à espera das embarcações vindas das bandas do Embiral, no seu ofício de comprador de “criações de terreiros” e do que tivesse que lhe agradasse ao seu negócio. Um porquinho, até.  E saía pela cidade, com um baita pau-de-carga no ombro, carregando e vendendo suas galinhas, por aí. E assim Tibúrcio, no dia a dia, tocava a vida.*

Certa feita, Tibúrcio deu uma “escorregada”, andou comprando umas galinhas roubadas e... foi dar com os costados na polícia, na cadeia. E ficou por lá uns três dias. Quando saiu, dirigiu-se ao permanente: “Quero falar com o Delegado”. O permanente retrucou: “Que que tu quer com o Delegado? Tu já não saiu? Vai timbora, vai cuidar de tua vida. “Quero falar com o Delegado, insistiu Tibúrcio. Foi o jeito!

Frente a frente com o delegado, ele então perguntou: Senhor por que é que eu fui preso?  O delegado chamou pelo livro de ocorrência/s e enquadrou Tibúrcio no crime de receptação, advertindo-lhe na pena de prisão a que se fazia sujeito. Tibúrcio não se deu por vencido e disse: Eu que sou trabalhador, perdi o meu dinheiro, fiquei preso e desmoralizado. E o ladrão, foi embora e nem ficou preso. E, com a voz trêmula de homem ferido em seus brios disse à autoridade: “O senhor não vai me ver mais aqui, porque nesta cidade eu não moro mais. Hoje mesmo eu vou mimbora daqui”.

Chegou em casa e disse à sua mulher. Tô indo embora e não moro mais nesta cidade. Se quiser ficar, fica que a casa, é tua. Se quiser ir comigo, vamos embora e eu vendo casa. E se mandou. Foi morar em Açailândia. No ofício que aprendeu: comprar e vender galinhas. E, no puro capricho, nunca mais pisou nesta cidade – tal e qual prometeu ao Delegado.

 

OPINIÃO:

Não é que o povo verde-e-amarelo ame a direita, tampouco morra de amores pelo ainda Presidente. O que o povo não tolera é a tal esquerda, nem o PT e sua petralhada. E odeia de morte ao MOLUSCO. E tudo o que o povo espera conferir é aquela de... “quem ri por último ri melhor”.

* Viegas – questiona o social
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