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17/09/2022 às 00h26min - Atualizada em 17/09/2022 às 00h26min

O sacrifício nas andanças políticas

BANDEIRA NETO

BANDEIRA NETO

Nelson BANDEIRA NETO é cronista e funcionário do SESI-Serviço Social da Indústria

   
Aconteceu naqueles idos desviado do espaço; distante, já bem longínquo.

Tendo como dons ilustrativos o cenário como ofertório de campanha política, para lhes tributar o mandato de legislar no período de 1971 a 1973.

Só existiam dois partidos: ARENA e MDB, ou seja, governo e oposição.

O trabalho era feito para conquistar o eleitor. Debaixo de todo o sacrifício. Na época, vereador não era remunerado em nada. Não tinha, sequer, emendas impositivas.

Lutava dedicadamente em defesa dos interesses de suas comunidades. Combatia para ver a sobra de benefícios sociais a serem implantados, embora, acanhadamente.

Vamos isentar nomes para evitar melindre por extrema delicadeza, até porque, muitos ou quase todos já foram para orientes desconhecidos deste mundo desvairado de interpretações política-religiosas e humanitária.

Essa concessão de poderes, foi durante um mandato [tampão] para o executivo igualar com outras respectivas gestões da administração pública brasileira.

Certo que o prefeito da época era do MDB; com isso, a pedido de um vereador que adorava fazer uma desobriga pelo interior do município, rogando para o mandatário que abrisse uma estrada carroçável de São Félix a Viração, todos povoados de Imperatriz.

Pleito atendido. Contratou um contingente de homens com foice, machado e facão, para abrir essa estrada para tráfego de animais, até quando outras melhorias chegassem para transporte motorizado.

Depois da convenção partidária, inaugurou-se a estrada tão cobiçada por aquele edil que tinha sua base eleitoral naquela região, em que o único meio de chegar lá era por embarcação fluvial, gastando cerca de seis horas de águas de cima abaixo.

O partido contratou o melhor conjunto musical da cidade; com estilo melodioso e propriamente interiorana (sax, bateria, zabumba, triângulo, afoxé e pandeiro). Não dependia de energia elétrica para tocar e foliar.

Até porque naqueles tempos não tinha luz elétrica para aquelas bandas. Os focos de luz eram tocados a querosene mesmo.

Levaram, também, o melhor locutor e animador de festas e comícios (in memoriam), para narrar a chegada do peregrino político montado no lombo de uma égua e com um chapéu de palha, se aparentando como um bom coitadinho.

A casa que ia recebê-lo feita toda em madeira de lei da região, a deus-dará do Ibama – nem existia.

A ideia básica do político calha-se no transformismo em decorrência da pressão do meio e de acordo as necessidades dos pretensos postulantes a qualquer pleito.

Predeterminado de ir com uma romaria como se estivesse mergulhado no seu interior, em busca de algo que lhe falasse à alma...sobre caminhos rústicos e muitas passagens íngremes... demonstrando ser um desbravador.

Ao aproximar-se do local, o primeiro “foguete” anunciou.

Foi o ponto efervescente do locutor, chamando todos pelo microfone para ajudar “desapear” o grande “político” dos mais distantes e, pobres sem Esperança... semelhando o caminho por onde Jesus já tinha passado!

Aparentemente como o Rei Salomão chegando a Jerusalém...

Sob a execução do Hino do Marinheiro, ao desce de sua égua - abraçando e paparicando seus correligionários - rogando aos seus acompanhantes muito cuidado com as cabaças de água para não as danificar. 

Depois desse porogodó todo com seu semblante de um inditoso pedinte; adentrou naquele casarão avarandado por todos os lados, diante de um bonito e verdejante quintal.

Aí foi a hora mais comovente do encontro. Os bichos (galinhas e outros viveres gargarejando); de repente sua excelência o “galo do terreiro” faltando duas horas de luz para o sol se pôr...dar-lhe aquela sonora cantada de fim dia.

(fig.) ... aquele cavaleiro político andarilho, disse: “até o galo já me conhece” ... para não dizer seu nome.

A viradela deixou, finalizou, enfim, à noite com uma grande festa dançante, com o clarão dos lampiões, candieiros, petromax..., mas sempre aparecem os indesejáveis.

Foi para o salão dançar no piso de chão batido, com os bolsos cheios de pimenta malagueta, espalhando-a por todo o espaço; mais tarde, sapateadas, veio uma espirradeira, olhos vermelhos, tosse, muito catarro, ao ponto de o conjunto não ter mais fôlego para tocar.

Aí o arauto subiu o tom: “Isso é gente da oposição; quando come mel se lambuza!”

Como bem sintetizou Ariano Suassuna, para a arquitetura política!...

“Ao redor do buraco, tudo é beira!”

Pois é! Todo exercício físico que o político faz é correr atrás do dinheiro.

                            Escolha o menos ruim! Tchau! 
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