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03/09/2022 às 00h00min - Atualizada em 03/09/2022 às 00h00min

AVES DE ARRIBAÇÃO

CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

 
Diz-se por aí que “políticos são como aves de arribação - nos tempos de eleições eles vêm, passadas as eleições, eles vão”. Pois é, estão eles aí em revoada eleitoreira de caça e cata aos votos para as eleições de outubro. Deles na maior cara lavada de todos os tempos. Umas velhas raposas e outros e outras que querem porque querem se infiltrar. Ou como na canção de Gil “...E prometem um vestido pra Maria e prometem um roçado por João...”

Tenho dessa política de interesses uma velha concepção: “ou os homens e mulheres de boa-fé entram na política para ajudar na salvação da lavoura ou os gafanhotos destroem essa lavoura”. E ainda insistem em dizer que  “o Brasil está um passo do abismo”. E até parece que essa eleição será um tudo ou nada. Não sei. Será?

A MÚSICA DOS CANDIDATOS

Tenho por concepção de que quem inventou esse negócio de música de campanha eleitoral, foi o mestre Sarney, lá pelos anos 1960. Uma letra que, simples, enxuta eu guardo até hoje: “Eu voto é minha lei / prá deputado, José Sarney”.  A mesma música para Governador: “Eu voto é minha lei / Governador José Sarney”. A mesma música para Senador; “Eu voto e é minha lei / Pra senador José Sarney”. A música de Sarney atravessou os tempos e foi ouvida e absorvida por gerações.
As músicas dos candidatos (quiçá em princípio, seguindo as pegadas do mestre Sarney), descambaram para o ridículo, a falta de criatividade, o mau gosto. A falta de senso. São músicas compridas, esticadas, discursivas, escrotas e sem nenhum apelo eleitoral, qual um discurso das arábias. Mirem-se, senhores candidatos, no mestre Sarney. Nas músicas do mestre Sarney durante suas campanhas eleitorais. “Eu voto é minha lei/ Governador José Sarney”.

 “TANTA LARANJA MADURA...”

Vem aí: “Tanta laranja madura, tanto limão pelo chão”, uma resenha que costumo escrever por aqui, após a apuração das urnas eleitoreiras. Aliás que, faz anos. Não temos mais “apurações eleitoreiras”. Agora o que se tem é um BOLETIM ELEITORAL, uma decorrência das urnas eletrônicas eleitorais, objeto de discussões e polêmicas tantas, como se tem visto Brasil afora. Vejamos no que isso vai dar e só que viver, verá.

“Tanta laranja madura tanto limão pelo chão”, é uma sátira bem-humoradas aos tantos votos eleitorais que se perderam (e se perdem), em face a votos dados (ou não dados?), a candidatos não eleitos. Preferido mesmo, por aqui em “tanta laranja madura, tanto limão pelo chão”, são as votações perdidas a vereadores não eleitos. Chega a ser uma delícia... mas um lamento também...

APOSTA NO INTERIOR

Era dia de “planta de arroz”. No interior, na Baixada, de onde eu venho, em dia de planta de arroz, havia que ter fartura, para que na colheita, também houvesse fartura. Era a crença, costume, cultura. Na literatura chinesa tem algo assim. Joana da Mangueira a dona da roça, falastrona, solteirona que dava a quem queria e não dava a quem não queria, estava exultante, contente. Tinha um caldeirão de arroz cozido, uma “caldeiroada” de peixe fresco mais farinha em quantidade para seus três trabalhadores.

BICO DE NORATO, tinha fama de ser o “maior comedor” (comilão) daquelas bandas. Ou... como diziam: ”Primeiro sem segundo”. Na hora do almoço, BICO DE NORATO, servindo-se de um antigo costume do lugar, levantou as tampas dos caldeirões de comida e deu um brado: ”Ah! Só isso?! Isso eu como sozinho”. Ninguém acreditou. E então fizeram apostas entre facão, dias de serviço e até “porta de baile”. Se BICO comesse aquilo tudo estava comido. Se não comesse teria que pagar para os outros desde facão, dias de serviço e até “porta de baile”.  Aposta fechada!

Resultado: Bico comeu tudo sozinho, e ainda “bebeu o caldo restante, misturado à farinha que era a “sobremesa”, outro antigo costume do lugar. E os outros ficaram com fome. Que foi para nunca mais apostar com BICO, quando o assunto era “de comer”.

* Viegas questiona o social
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