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25/02/2022 às 17h58min - Atualizada em 25/02/2022 às 17h58min

A primeira médica brasileira

NAILTON LYRA

NAILTON LYRA

O Doutor ​NAILTON Jorge Ferreira LYRA é médico e Conselheiro Regional de Medicina e Conselheiro Federal de Medicina representando o Estado do Maranhão


  
Acompanhando a novela das seis, sobre o Imperador Pedro II, temos no meio da trama uma história que tem uma meia verdade.

O dia 3 de fevereiro é consagrado ao dia da mulher médica em homenagem a Elizabeth Blackwell nascimento em 3 de fevereiro de 1821, primeira mulher a ser médica nos Estados Unidos (USA) e em todo mundo.

Dez universidades recusaram seu pedido inicial, e finalmente foi aceita no Geneve Medical College em NY e em 11 de fevereiro de 1849 tornando-se a primeira mulher a receber um título de Medicina. Pioneira em promover a entrada de mais mulheres nos cursos médicos foi, também, uma reformista e uma abolicionista.
Sua irmã foi a terceira médica dos USA e, depois da Guerra da Secessão, fundou a Universidade Médica da Mulher. Aposentou-se em 1907, depois de trabalhar como ginecologista na Inglaterra.

Mas porque esse preâmbulo, se no Brasil a primeira médica também se formou nos USA? Maria Augusta Generoso Estrela, nascida em 1860 na cidade do Rio de Janeiro, influenciada pela atividade do pai que era farmacêutico, interessou-se por cursar medicina. Tornou-se conhecida de D. Pedro II quando seu navio, que voltava de Portugal, envolveu-se em um acidente e ela teve papel importante no socorro das vítimas, isso com 13 anos.

Em 1874 viu em uma revista americana que médicas estavam se formando nos USA e em 1876, com apoio do seu pai Albino Augusto Generoso Estrela, inscreveu-se no New York College and Hospital for Women, já que no Brasil não era permitido uma mulher cursar medicina. Com 16 anos fez uma dissertação sobre porque queria ser medica, e com dois anos a menos da idade permitida foi admitida para o curso.

Mas seu pai, por infortúnios nos negócios, foi à falência fazendo a menina achar que seria o fim de sua carreira.

D. Pedro II, sabedor desses fatos, por meio de decreto, ordenou a concessão de uma bolsa de estudos e assim ela conseguiu se formar em 1879. Como era muito jovem sofreu pressão ao tentar exercer a sua profissão no Brasil. Submeteu-se a exames na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sendo aprovada com láureas.

Nesse mesmo ano, 1879, D. Pedro II, por Decreto Imperial, acabou com o monopólio machista da medicina.

Maria Augusta morreu, subitamente, em sua casa aos 86 anos, em 1946 e ainda mantinha uma salinha aonde prestava atendimentos.

Hoje é a patronesse da cadeira 64 da Academia de Medicina de São Paulo, tem ruas com seu nome no Rio de Janeiro, São Paulo, Poços de Caldas e Porto Alegre.

O Decreto Imperial de 1879 possibilitou que a primeira brasileira conseguisse se graduar em Medicina no Brasil.

Rita Lobato Velho Lopes, gaúcha de Rio Grande, nascida em 1866, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1879 e se transferiu para a Faculdade de Medicina de Salvador, formando-se em 1887. Foi a segunda latino–americana com diploma de médica e seu trabalho de conclusão do curso foi “A operação cesariana”.

Venceu a hostilidade do corpo discente e docente motivados pelos preconceitos da época e a função doméstica da mulher que falava mais forte. Isso fez com que tivesse que se esforçar ainda mais para conquistar espaço e respeito de alunos e professores. Mas seu trabalho de conclusão de curso foi duramente criticado, talvez pelo motivo da área cirúrgica ser ainda mais fechada e machista.

Atendia em sua clínica em sua casa, em Porto Alegre. Engajou-se no movimento feminista sendo eleita primeira mulher eleita vereadora em Rio Pardo. A ascensão do Estado Novo Getulista interrompeu seu mandato.

Morreu aos 87 anos de Idade na Estância de Capivari, no RS, em 6 de janeiro de 1954.

Este artigo de resgate histórico presta homenagem às médicas brasileiras, que hoje são 46,6 % na demografia médica brasileira, graças à visão e a importância de um grande vulto histórico no Brasil:  D. Pedro II.

Em Imperatriz temos diversas e excelentes profissionais nessa área. Temos o dever de citar a Dra. Eimar de Andrade Melo, pioneira na assistência médica imperatrizense desde a década de 60.

Gostaria de citar todas as médicas nominalmente, mas quero que se sintam todas abraçadas em meu cumprimento às Dras. Joselita Aguiar, Miriam Sodré, Natalina, Elenice, Sandra Pacheco e Maria do Carmo.
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