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12/02/2022 às 00h00min - Atualizada em 12/02/2022 às 00h00min

... LEMBRANDO A CIDADANIA DO MESTRE CABRAL

CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.


 
Quando MESTRE CABRAL, aqui do Parque Gráfico de O PROGRESSO, em meados de outubro de 2013, recebeu o seu título de CIDADÃO DE IMPERATRIZ, outorgado pela Câmara Municipal, oportunidade em que eu também recebera semelhante Comenda, participei de algumas efemérides dos bastidores daquele ensejo.

MESTRE CABRAL estava na dúvida: se apenas agradeceria simplesmente pelo Título ou se faria um discurso. Preocupava-se em não dar conta do improviso. E eu, insensato, não tive a luz de sugerir-lhe ou até mesmo providenciar-lhe um discurso por escrito, qual o fiz quando da minha vez. Por escrito!

Na oportunidade, nos bastidores, o parque gráfico de O PROGRESSO, com MESTRE CABRAL na liderança, estava em  alvoroço, em vibrações e temeridades. Sugeri então que Mestre Cabral convidasse à sua diplomação, entre outros, um antigo colega também da antiga área gráfica de O PROGRESSO – o Ribeiro. Ribeiro era um cara eloquente, falaz, voz grave, forte e firme que insistia por lembrar que morou no Rio de Janeiro. Ele que amava a sua Turiaçu e falava das suas pescarias e das suas tralhas de pesca. E, como sempre, exaltava o seu ídolo, a quem dizia ter sido seu cunhado o JOÃO DO VALE, maranhense de Pedreiras, compositor e cantor do imortal CARCARÁ.

Seu Cabral aprovou a ideia e o CAPIJUBA, a quem eu respeitosa e solenemente o chamo de SEU CAPIJAS, assim um tanto na levada, também aprovou a minha sugestão. Mas como localizar o Ribeiro, se fazia nada menos que trinta (30) anos que dele não tínhamos notícia? Fiz então uma carta que mandei para a Prefeitura Municipal de Turiaçu, outra para a Câmara Municipal, para a Igreja Católica, para o Delegado de Polícia e até para Alcoólicos Anônimos (se tivesse). Quem sabe, Ribeiro, bom de cerveja, teria dado com os costados por lá. E só não mandei uma carta para a “Associação dos Alcoólicos Declarados – AAD - porque não imaginei tivesse ali tal entidade.

Passados alguns dias, recebi um telefonema e simultaneamente uma carta, da Câmara Municipal de Turiaçu, dando-me notícias daquele cidadão conforme acima referido. Dizia que havia sido vereador no período ali indicado; que estaria aposentado e indicou o seu endereço e telefone. E Ribeiro (amigo da antiga velha guarda de artes gráficas de O PROGRESSO, ainda dos saudosos tempos do SEU VIEIRA), no entanto, não demonstrou interesse no tal convite, senão uma frieza que frustrou a todos nós.

Lembro agora que o Auditório da Associação Comercial estava lotado com autoridades, vereadores, homenageados. Chegou  atrasado o ELSON ARAÚJO na época, o todo -supostamente-prestigiado Secretário de Comunicação da Administração MADEIRA. Dono da situação como na banalidade de quem chega chutando latas ao quintal de sua casa, naquele auditório lotaaaaaado!!! Eu ainda sussurrei com os meus botões: “Tá podendo...” mas o Elson continuou olhando nos horizontes, como se ali não visse ninguém. O poder tem dessas coisas. Quer dizer: “Tinha dessas coisas”. Logo ele, o ELSON, que reiteradamente me diz que sou o seu escriba (de meia tigela) preferido.

Houve, na solenidade, um certo mestre de cerimônia que quando da entrega do título à Primeira Dama (esposa do Prefeito), quase tomou conta da noite com uma “babação” maior do mundo e por pouco não esvaziou o auditório daquela solenidade. Quando o MESTRE CABRAL recebeu o seu título e foi fazer o seu discurso de agradecimento, aquilo me pareceu um caminhão carregado, deslizando, tentando subir uma ladeira molhada e escorregadia. Engatou uma primeira, uma segunda e foi subindo. Lá adiante como que faltando força, faltando força... mas o caminhão no discurso do MESTRE CABRAL chegou lá em cima e o auditório lotado o aplaudiu!!!

Eu ali, de paletó e gravata, discurso escrito, no bolso, familiares ali em volta, estava nervoso mas, ainda assim, seguro de mim. Por conta da “babação” prolongada, o tempo da solenidade ficou complicado. Logo Fátima Avelino, então Vereadora, nomeada Secretária da Mesa, limitou em cinco minutos o tempo de cada um. Sem mais demora quando comecei a falar, logo o auditório ficou empolgado e Fátima Avelino, de sua iniciativa, dobrou o meu tempo. Tenho esse discurso  escrito em algum lugar, ainda que perdido.

Lembro agora que numa certa noite e a gente no alvoroço por conta do título de cidadania do MESTRE CABRAL. Logo chega o SEU CAPIJAS que já havia tomado umas duas, temperava a boca, temperava... e ligeiramente gaguejava. Naquela noite não sei por que cargas d’água, eu estava sem celular. Apelei então para o CAPIJUBA, que eu chamo respeitosamente de SEU CAPIJAS.  Seu Capijas tinha um telefone miúdo, surrado, sambado, desses que quando novo deve ter custado UM E NOVENTA E NOVE.  “SEU CAPIJAS quebra essa. Faça essa ligação”, pedi.

Aí o CAPIJAS ligava, ligava e a ligação não completava. Depois ele ligava e dizia que o telefone chamava, chamava e ninguém atendia. Ainda temperando a boca e gaguejando, SEU CAPIJAS saiu pela tangente, olhando o visor do seu celular de um e noventa e nove: Éh! Eu acho que esse telefone não tem crédito”. Eu que sempre relevei as escapatórias do nosso diagramador, logo levei na troça. “Então Seu Capijas, me compre um bode”. E então SEU CAPIJAS temperava a boca, temperava, olhava  insistente para a tela do seu celular de um e noventa e nove e nada dizia.

 * Viegas questiona o social
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