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22/01/2022 às 06h00min - Atualizada em 22/01/2022 às 06h00min

Ômicron


   
Primeiro vamos esclarecer o que é a palavra Ômicron. Refere-se à 15ª letra do alfabeto grego, e como tinha a variante Delta porque pularam várias letras e forma para a 15ª letra, surgiram sim outras variantes como Epsilon, Lota, Lambda, mas que rapidamente desapareceram. Então, na África do Sul surgiu uma nova variante com o pesado nome de B.1.1.529. As letras a seguir eram Nu e Xi, mas foram rejeitadas porque a primeira se confundia com a pronúncia de novo (new) em inglês e a segunda para evitar atritos desnecessários com o líder chinês Xi Jinping. Para evitar também estigmas, foi feita a opção para uso de letras gregas em vez de usar seu local de origem como Vírus de Wuhan ou Vírus Chinês.

Bem, mas estamos enfrentando outro bichinho mortal. Está-se dizendo que ele é mais infeccioso que os outros e talvez o vírus de maior poder de infectividade que se conhece na atualidade. Os anteriores, com alto poder de disseminação, eram o sarampo e a varicela. Mas porque isso? Devido a uma coisa (propriedade) que os vírus possuem: a mutação. A chamada variante Delta tem 18 mutações (modificações) na proteína Spike (espinho – aquelas anteninhas do vírus) em relação ao inicial, e a Ômicron 43 mutações, esses espinhos que possibilitam a entrada na célula, logo vocês podem imaginar o porquê da maior capacidade de infecção, sendo o poder de transmissão de duas a três vezes a da variedade Delta.
É todo dia dito que essa nova cepa apesar de mais transmissível ela tem evolução mais benigna, mas será isso? Dois fatores tem que ser considerados, primeiro o elevado nível de vacinação principalmente no Brasil e no Reino Unido, e a chamada imunidade natural, já que o número exato de pessoas que tiveram infecção por SARS COV 2 em um pais como o Brasil é desconhecido, mormente o apagão no Ministério da Saúde. Mas como as variantes anteriores essa também está levando a internações e a óbitos Então temos até o momento uma pergunta não esclarecida, qual o motivo desse comportamento biológico, com menos internações, menos óbitos e maior número de infectados?

Mesmo com esse fato, a Ômicron representa uma grande preocupação ao sistema de saúde, mesmo que uma percentagem menor de pacientes necessitem de internação, sua gigantesca transmissão levam ao absenteísmo nas atividades laborais em todos os ramos de atividade, pois está se falando em milhões de contaminados/dia.

Vamos usar números fictícios. Imagine que somente 1% dos contaminados necessitam de internação, em um cenário de 15 milhões de infectados por semana no mundo, isso representa cerca de 150 mil internações em sete dias, um número que o sistema de saúde é incapaz de absorver.

No Brasil um levantamento do Instituto Todos pela Saúde com 3,2 mil amostras colhidas de pacientes com COVID, entre 2 e 8 de Janeiro, revelou que 98,7% traziam a variante Ômicron, um fator que pode explicar a maior capacidade de transmissão é que o Ômicron transita com mais facilidade na mucosa nasal e na faringe e pesquisa em hamsters mostrou que essa variante não consegue infectar bem as células pulmonares.

Alguns fatos importantes temos que alertar, primeiro as pessoas não vacinadas tem um risco 17 vezes maior de hospitalização e um risco 20 vezes maior de morrer por COVID quando se comparam com os vacinados. Estudos mostram uma diminuição de efetividade contra a variante Ômicron principalmente com vacina da Astra –Zeneca com somente duas doses, mas uma terceira dose eleva substancialmente o nível de proteção para até 80% dos indivíduos tornando o risco de hospitalização 81% de vezes menor se ele tiver tomado as três doses.

Não vou entrar no debate sobre ser a favor ou contra a vacina. Sei que os números mostram uma diminuição acentuada de internações e óbitos, mas essa variante desconhecida pode trazer problemas futuros, pois as sequelas deixadas pelo SARS COV 2 ainda estão no início de nossas observações e aprendizados. As mortes que subitamente aumentaram por problemas ora ditos da vacina ou ora do COVID, estão longe de serem esclarecidas. Ainda temos um longo caminho no aprendizado, mas cuide-se pois ele existe e levou muitos amigos nossos.
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NAILTON LYRA

NAILTON LYRA

O Doutor ​NAILTON Jorge Ferreira LYRA é médico e Conselheiro Regional de Medicina e Conselheiro Federal de Medicina representando o Estado do Maranhão

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