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08/01/2022 às 00h00min - Atualizada em 08/01/2022 às 00h00min

PERDI O TEXTO : “ERA UMA HORA DA MADRUGADA”

CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

 
Era uma hora da madrugada do primeiro dia deste ano de 2022. Era um silêncio ensurdecedor. E então em me refazendo, vi que era a primeira hora do primeiro dia deste novo ano. O pleno silêncio era incomum, anormal. Não havia pessoas pelas ruas nem batendo pernas, nem batendo bocas, nem falando coisas. Nem um maldito carro de som nas alturas, rolando pelas ruas molhadas. Nada. Nada. Nada.

Não havia foguetório, nem os costumeiros tum-tum-tuns e bam-bam-bans que vem dos bares da vida, nem da Beira Rio próximo daqui. Beira Rio de todas gentes, de todas noites, de todas as pândegas. A essa altura, o sono se foi. E enquanto eu ainda rolava na cama, avaliando o silêncio reinante, vi então que os tempos mudaram.

Beira Rio, seus bares e cercanias, tudo a silêncio, proibidos à aglomeração. E então pareceu-me algo fora do lugar. O lugar comum das tantas noites. Sim, porque a Beira Rio-Tocantins é a noite e a noite por aqui é a Beira Rio. E logo entendi que OS TEMPOS MUDARAM obviamente provocados pela maldita PANDEMIA e seus sucedâneos que vergastam a todos nós, que nos obrigam a usar máscara (para quem máscara usa), que nos empurra ao recolhimento dos costumes do social.

E ali, na noite acordada, uma da madrugada, no silêncio ensurdecedor, logo me propus a escrever um texto para esta PÁGINA. E então escrevi, de uma assentada, um tema denominado UMA HORA DA MADRUGADA. É SILÊNCIO NA CIDADE. OS TEMPOS MUDARAM. E então, no texto, festejava o ano novo, festejava o ano velho, festejava a vida e o AR DA VIDA. Sim, o AR DA VIDA era a estrela mais incandescente do meu texto da primeira hora da madrugada, do primeiro dia deste novo ano.

O texto escorria como escorre o caldo da cana na moenda dos engenhos. Ficou legal. Muito legal. Mas... no triz de um triz, dei um comando e o texto se foi. E então varei madrugada até quase ao romper do dia à tentativa da recuperação do texto. E NADA! Foi, aquele momento, um dos momentos difícil da minha vida. Senti-me perdido, doído, amargurado, infeliz, com vontade de chorar. Um texto é como uma cria, um filho. E o filho, já dizia a minha mãe. “É a corda do coração”. E então refleti como na lição do meu pai quando ele dizia: “vão-se os anéis e ficam os dedos”. Ou como na antiga canção de Jair: “Perdi a fé / perdi a moça que amava / E a rua onde morava/ Está tão longe pra voltar. Era, porém, aquela perda, UM CAMINHO SEM VOLTA.

Posso escrever (com já escrevi) quinze, vinte, trinta laudas, até. Mas se perder o texto, não me animo, nem tento, nem consigo reescrevê-lo. E por mais que eu tente – melhor nem tentar –  “será pior se tentar”. E então venho aqui e agora, SÓ PARA NÃO PERDER TOTALMENTE A VIAGEM, porque em sua grande maior parte perdida se fez, quando num “triz” perdi o texto que fiz quando era UMA HORA DA MADRUGADA.  

E então que tenhamos todos nós um FELIZ ANO NOVO. Que valorizemos o ANO VELHO por onde passou a vida; que valorizemos e agradeçamos ao Criador pela vida e pelo AR DA VIDA. E, porque perdi o texto que se ocupava do AR DA VIDA, este agora é o meu tema com o qual  recebo e dou Graças e Boas Vindas ao ano de 2022. E que o Criador na sua infinita misericórdia, nos permita em continuar respirando o AR DA VIDA.

* Viegas questiona o social
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