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06/11/2021 às 00h00min - Atualizada em 06/11/2021 às 00h00min

A RESIGNAÇÃO DOS POBRES

 
- A conformação dos pobres é saber que os ricos, os poderosos, os Prefeitos, os Deputados Federais, os Senadores, os Vereadores, as saradas das academias, os endinheirados do erário, os coronéis, os Ministros e outros que determinam  prisões e liberdades e até mesmo outros que sentenciam sobre a vida e a morte outros tantos do mesmo ou outros quilates, também sentam ao vaso, não urinam guaraná, nem defecam pão-de-ló. E que, ainda  que com tanto poder ou com tanto dinheiro ou com a mão sobre a caneta ou com a chave do erário, conduzem  por onde vão  coliformes fecais em suas vísceras e, quando desencarnarem vão todos para debaixo do chão. E, putrefatos, ao pó voltarão. E, enquanto isso os vermes se divertirão.

O MAL FEITO NÃO TEM DONO

O Senhor meu avô ao seu tempo já dizia: “O mal feito não tem dono”. A frase, uma observação que, diante do mal feito, o dono (o autor) nunca aparecia. No domingo passado a Rede Globo exibiu no FANTÁSTICO, CADÊ O DINHEIRO QUE ESTAVA AQUI?, uma matéria que abordou sobre a construção do FORUM JUDICIAL DE IMPERATRIZ, cinco blocos, em que foram gastos setenta e cinco milhões e que, inacabada (ainda nas estruturas), está entregue ao abandono, à ferrugem, ao matagal e aos mal feitores da periferia.

Um escândalo vexatório nacional. Do tamanho do Maranhão? Não, do tamanho do Brasil! Entre outras anotações?: 24 envolvidos, obra sem dotação orçamentária (imagine: obra sem dotação orçamentária), mais de 20 irregularidades, sobre preço, superfaturamento, uns 160 ou 180 milhões para terminar a coisa. A ativista-delatora inspirou-se na delação  porque “... tanto dinheiro público jogado na lata do lixo”. Dono, que é bom, NÃO APARECEU. Ávido, assisti ao FANTÁSTICO. Também recebi vídeos da gravação que estão comigo. E lembrei-me da lição do meu avô. “O MAL FEITO NÃO TEM DONO”.

LEMBRANÇA DA MINHA “VISÃO GERAL”

Por volta dos anos 1963, chegou a Tv-Difusora-canal-4, na capital. A esse tempo pessoas que “decretado” pegavam carona na TV da casa alheia eram chamadas de TELEVIZINHOS. Televizinhos existiam em quantidade, até porque nem todo o mundo tinha uma Tv na época. Você lembra?  Naquela noite, eventual e ocasionalmente eu estava um televizinho. Era o famoso tempo dos FESTIVAIS da música brasileira, com muita música de protesto, umas na sutileza e outras às escâncaras contra o REGIME MILITAR.
Naquela noite, o título de uma música (não a canção) – me despertou interesse: VISÃO GERAL, foi o título. Já disse isso noutros scripts, por aqui. Naquela época eu era altamente “encasquetado” com o jornalismo. Vivia escrevendo pequenos textos pelos jornais da capital. Eu era um “foca” (aquele cara que queria se meter pelo meio). Então eu disse com os meus botões: “Um dia quando eu escrever uma coluna no jornal, já tenho o título: Será  “VISÃO GERAL”. Eu acreditava nisso.

Em maio de 1973, quando pisei neste solo sagrado e ensanguentado tocantino, entre outras iniciativas, procurei o Seu Vieira, dono do então jovem, Jornal O PROGRESSO. Desfilei as minha catilinárias, falei das travessuras que antei praticando na “vida pregressa”: rádio, jornais  e então... Senhor  VIEIRA – de saudosa e inesquecível memória – a mim me abriu os braços! E então comecei e dei vida à minha coluna VISÃO  GERAL, em O PROGRESSO. Diria, sem medo de ser feliz, que VISÃO GERAL, sem percalços, teve seus dias de glória e de vitória. E foi uma porta de REALIZAÇÃO PESSOAL PARA MIM. Até que... até que...até que um dia, acho que  pouco depois de uns dois anos por lá, quando me dei por conta o  SEU VIEIRA, vendeu o seu Jornal.

Em princípio, fiquei atento, afinal  “toda muda murcha”, me disseram isso. Era uma tarde e eu estava na redação. Lá também estava um novo COMANDANTE EM CHEFE, um jornalista de nomeada que veio da capital para traçar as novas diretrizes do Jornal, dá-lhe nova feição, novo conteúdo. Enfim: uma nova dimensão.

Eu, filho do meu pai, puxando conversa com aquele Supremo, tomei de um jornal e exibi-lhe a minha última coluna VISÃO GERAL. Por sorte minha – disso sempre lembrei – a coluna estava, para o meu gosto, de bom tamanho, quer dizer: De bom conteúdo. O chefe cruzou as pernas e leu-a de ponta a ponta. E, ao final me disse:  Textuais: “Jornalismo moderno é isso aí. Você não precisa mudar em nada”. E então respirei fundo, fui para a minha casa onde patroneava mais três irmãos, comigo quatro, e então dormi O SONO DOS JUSTOS. E pensei: doravante VISÃO GERAL terá uma vida nova. Uma nova Vida!

- No dia seguinte quando voltei ao jornal, a minha VISÃO GERAL era uma estranha no ninho e não grata nas colunas de O PROGRESSO. E então pulei fora de um barco em que estive livre e leve de junho/73 a outubro/75 = dois anos e quatro  meses. Encerra-se aí a saga da minha coluna VISÃO GERAL.

Passei dez (10) anos sem escrever. Certa noite quando eu ouvia A PARÁBOLA DOS TALENTOS de que trata a Bíblia em Mateus 25-14:30 e novamente a PARÁBOLA DOS TALENTOS e novamente a PARÁBOLA DOS TALENTOS, martelando a minha mente, vi então que, deixando de escrever, estava enterrando os meus talentos. E então pela graça e bênção do CRIADOR com o aval do Seu Coló, na época Editor de  O Progresso e por todo esse tempo como até hoje e, obviamente, com o aceite da Direção deste Jornal, TAMOS JUNTOS. E o que era VISÃO GERAL, transformou-se mais tarde, bem mais tarde, nestes... CAMINHOS POR ONDE ANDEI.

(Escrevo estas reminiscências não por ímpeto de regozijo pessoal mas para não esquecer das trilhas a que trilhei; trilhas essas que compõem os... CAMINHOS POR ONDE ANDEI)

 * Viegas questiona o social
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CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

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