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18/09/2021 às 00h00min - Atualizada em 18/09/2021 às 00h00min

Lembrança do meu amigo Armando Gaspar

  
Nomeei o CAPIJUBA para ser o meu “EMBAIXADOR”, aqui em O PROGRESSO. Para ele me lembrar para eu não esquecer de mandar os meus textos, como algumas vezes isso me tem ocorrido. É que antes eu mandava os textos para o Jornal na sexta-feira e estava habituado a essa rotina. Como o jornal mudou e não trabalha mais aos sábados, deverei mandá-los na quinta-feira ou até na sexta ainda mais cedo, no máximo. Essa mudança me “confundiu” um pouco e eu perdi a remessa de algumas edições – outras até mesmo com o texto já pronto.
Por conta disso, ainda na última quarta-feira, já recebi um ZAP do CAPIJUBA, lembrando-me para eu não esquecer de mandar a matéria. Duas coisas o “CAPIJAS” não sabe: uma:  – que eu ando num “deserto” em matéria de escriba e só estou conseguindo “requentar” os textos que escrevo para o rádio, na capital. A outra que ele não sabe é que ele me dá uma satisfação danada ao me lembrar para que eu não esquecer de mandar a coluna. Podes crer!
Falando nisso, tais uns encargos profissionais que me têm cobrado os neurônios e o tempo, esta semana eu estava disposto, justo em não mandar o tema, para estes... CAMINHOS. Pensei em feriar. Mas... aí… quando menos espero, o CAPIJAS, via/ZAP, me cobra, me lembra – cumprindo o seu papel de “Embaixador”. Aí eu pensei: Tenho que honrar a boa-vontade e o cumprimento do meu Embaixador. Não posso decepcioná-lo. Daí então que, usando desse meu antigo recurso, “requento” o texto de alguns anos idos que ora segue. É para você, CAPIJUBA, as minhas homenagens, por conta desta edição. Seguido das minhas... cordiais saudações.
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Corria no ano de 1968. Lembro-me como se fosse agora! Havia na época uma corrida pelos cursos pré-vestibulares: Entre outros, dois deles estavam na crista da onda; o de Zé Maria do Amaral (para medicinae  outras) e o de  ABERICO CARNEIRO para a área de humanas (Direito, Serviço  Social e outros). Os cursos funcionavam à noite”
Certa Noite, o professor de Economia Política, resolveu perguntar sobre INFLAÇÃO. A turma fez silêncio. Silêncio Total.. EU-VIEGAS, não tive o que fazer... levantei-me... e lá se vão quatro... cinco minutos de “abobrinhas” e outras boBagens sobre o que eu julgava ser o fator inflação. A turma (uns 60) fez pleno silêncio. E, o professor Após os seus comentários me mandou  cinco pontos positivos para a minha futura carteira de habitação que eu obteria uns seis anos depois.
Sem que eu jamais imaginasse, estaria ali os meus cinco minutos de glória e fama, Na mesma noite, entre outras homenagens, recebi convite de um até então estanho colega de turma – O ARMANDO GASPAR, para estudarmos diariamente em sua casa. Foi o que aconteceu!
Armando era um tipo bom sujeito, bom caráter, dedicado, estudioso, responsável, exemplar a ponto de que qualquer moça ou rapaz da turma quisera tê-lo por perto como seu amigo, como seu colega. Mas a simplicidade e humildade de Armando acho que não lhe permitiam ver o assédio da turma.
E lá estamos nós (Armando e eu), em matemática, português e literatura varando a noite, na sua casa até às duas da manhã.
Numa certa noite de sábado, lá pelas nove e tanta, eu na casa da namorada, quem me parece? Quem? O Armando!!!! Algum problema? Perguntei. Não, só queria falar com você. E logo nos prometemos um contato para uns 20 minutos depois. Então eu fiquei na minha, dando aquele malho federal na morena, despetalando pétala por pétala a que tinha direito. E esqueci do Armando.
Lá pelas dez, dez e quando saí da casa da moça e ao dobrar a esquina quem eu vejo? Quem? Sentado à calçada, tranquilo, rabiscando o chão, como um plebeu mortal qualquer – quiçá longe de imaginar que ele seria um dos donos daquela constelação de empresas da família.
Armando foi direto: -VIEGAS, HOJE É O NOSSO DIA DE ZONA! P*** Armando, não tô a fim.  O Queê???? Nós vamos é pra Zona pra descontar o que tem que ser descontado. E o primeiro carro que passou o meu amigo fez sinal: TAXI!  Táxi, Táxi! E lá vamos nós para a ZONA! E lá  o meu  AMIGO ARMANDO, como que fichado e registrado pegou a primeira madurona que tinha idade de ser sua tia... e enquanto ele se divertia entre quatro paredes eu agora era quem rabiscava sobre a mesa.
Saímos juntos da ZONA, quase sem dizer palavras. E na Praça João Lisboa nos despedimos: cada qual para o seu lado. Eis a vida! São os retratos da vida! Ele seguiu rumo à Rua de Santo Antônio  (onde morava) e eu peguei a Rua Grande, na rota do Pensionato onde eu morava. Eis a vida...
- Armando Gaspar, meu irmão a quem perdi pelo tempo, pela vida e pelos caminhos de cada um, eu te amo pelo resto da minha vida. Amém!
 
 *Viegas (além de saudosista) questiona o social
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CLEMENTE VIEGAS

CLEMENTE VIEGAS

O Doutor CLEMENTE VIEGAS e advogado, jornalista, cronista e contesta o social.

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