Pouca gente sabe que o embaixador Carlos Alves de Souza, que atuou representando o Brasil no exterior até os anos 1960, é o verdadeiro autor de uma das frases mais reconhecidas e repetidas por milhões de brasileiros: “O Brasil não é um país sério”. 
Atribuída equivocadamente ao ex-presidente francês Charles de Gaulle (1890 - 1970), a frase nunca foi dita pelo general, segundo Souza, e é de autoria do próprio embaixador, que conta como ela surgiu em sua autobiografia, “Um Embaixador em Tempos de Crise”, de 1979.
Pertenço, com muito orgulho e saudade, a uma geração que chamava os mais velhos de “senhor(a)”; que reverenciava, tinha respeito e admiração por seus professores; que obedecia cegamente aos ensinamentos dos pais, mesmo que alguns deles não fossemos os mais adequados àquele momento; que não se intrometia na conversa dos adultos; que cedia naturalmente o lugar aos mais velhos e às senhoras; que não conhecia o “bullying” e as brigas entre as crianças era resolvido lá mesmo na escola; que estudar em escola pública era regra e que estudar em escola particular, uma exceção. 
Pertenço a uma saudosa geração que cantava o Hino Nacional Brasileiro pelo menos uma vez por semana, além do Hino do meu querido Rio Grande do Norte, o Hino do Município de Parnamirim, onde nasci, o Hino à Bandeira, e outros. Pertenço, com muito orgulho, a uma geração que sabia e gostava de reverenciar e conhecia os significados dos símbolos nacionais - a Bandeira Nacional, o Hino Nacional e as Armas das República. Pertenço, enfim, a uma geração que cultuava a verdade como regra, e que abominava a mentira. Coisas do passado! 
Os tempos mudaram e, junto com essa realidade, surgiram novos e grandes desafios. As eleições de outubro de 2018 trouxeram muitos ensinamentos aos brasileiros, entretanto, uma pequena minoria tenta, a todo custo, não reconhecer e se insurge sistematicamente contra essa realidade. Refiro-me, especificamente, aos partidos políticos e seus tradicionais “caciques” que reagem ao recado das urnas. São os grandes perdedores que ainda não fizeram uma leitura correta do recado das urnas de 2018. Se recusam, enfim, a fazer a desejada e necessária “mea culpa”. 
Temos assistido nos últimos tempos a uma preocupante crise de identidade por parte da nossa sociedade. Vivemos em uma sociedade onde há uma nítida inversão de valores; onde ser correto é exceção e, ser falso é bem-vindo; onde a verdade incomoda, e a mentira prospera.
Nos últimos dias a conhecida “mídia tradicional”, juntamente com uma parcela expressiva dos tradicionais “caciques da política”, os grandes perdedores das urnas de 2018 criaram uma celeuma sem precedentes em torno do email encaminhado às escolas pelo Ministro da Educação, Professor Ricardo Vélez Rodríguez, recomendando que filmassem seus alunos cantando o Hino Nacional Brasileiro. 
Esse pequeno, porém significativo fato serve para materializar a séria crise de identidade que tomou conta da sociedade brasileira, onde a inversão de valores se tornou regra. Essa mesma “mídia tradicional” à qual me referi, acha “muito natural” filmar e denominar de “cultura” uma criança apalpando um homem nu no chão de um museu; acha “muito natural” um grupo de adolescentes embriagadas em bailes de funk mostrando as partes íntimas do seu corpo; acha também “muito natural” crianças portarem armas pesadas e servirem de “mulas/aviões” aos traficantes, e de maneira totalmente inversa, se insurgem quando traficantes altamente armados são mortos em confronto com a polícia.
Existe um ditado que diz: “cada povo tem o governo que merece”. Alexandre Garcia, sem dúvida alguma um dos mais lúcidos e competentes jornalistas da atualidade, em seus comentários antes do resultado das eleições de 2018, resumiu que o problema do Brasil não é a qualidade dos nossos políticos, e sim, o eleitor que elege esses políticos. Sim, é verdade, o problema do nosso Brasil é o CIDADÃO!
O atual governo, democraticamente escolhido pela maioria dos brasileiros em outubro de 2018, que sequer completou 60 dias à frente da árdua tarefa de administrar o país, já enfrentou o desastre de Brumadinho que ceifou centenas de vidas inocentes, as enchentes de fevereiro que desabrigaram milhares de pessoas, a grave crise humanitária na Venezuela, dentre outros, vem sendo implacavelmente patrulhado pela “mídia tradicional”, como se fosse responsável pelos desmandos dos governos anteriores. 
Essa mesma “mídia tradicional”, ou seja, a “mídia perdedora”, se preocupa em plantar a “mentira oficial da semana” com a finalidade de desviar a atenção dos grandes desafios da sociedade brasileira, dentre eles, a Reforma da Previdência que significa o presente e o futuro dos nossos filhos e da Nação. 
Sobre a crise de identidade que tomou conta da maioria dos brasileiros, trago à meditação dos leitores o encerramento do livro do embaixador Carlos Alves de Souza, onde diz: “Na minha vivência de mais de 50 anos nos meios militares, diplomáticos, políticos e sociais, cheguei a suas conclusões melancólicas. A primeira é a de que a argila, da qual foi feita o brasileiro, não é de boa qualidade. E a outra, em que foi acertada minha frase, atribuída ao general De Gaulle: ‘Le Brésil n’est pas un pays sérieux’” (“O Brasil não é um país sério”).
E você leitor, o que acha de tudo isso? Qual é o grande problema do Brasil? É o Hino Nacional? Se quiser uma resposta verdadeira, vá até o espelho e veja quem é o responsável! 

Miguel DALADIER Barros é brasileiro, com muito orgulho!