A busca pela “mobilidade urbana” é um desafio enfrentado pela maioria das grandes cidades no Brasil, que esbarram em problemas como o privilégio aos transportes individuais em detrimento do transporte público. A má qualidade dos transportes públicos e o incentivo ao consumo fazem a população optar pelo transporte individual.

Os congestionamentos causam prejuízos à economia do País, acidentes e afetam o trabalho de milhões de pessoas todos os dias. As perdas financeiras relacionadas à falta de políticas públicas sobre mobilidade urbana são calculadas pelo governo em bilhões de reais por ano. Esses recursos públicos desperdiçados poderiam ser aplicados em outras áreas importantes como a saúde, educação, saneamento, segurança, meio ambiente e outras.

O custo dessa crise também afeta o bolso do consumidor. Os caminhões parados no trânsito gastam mais combustível e fazem menos entregas. As empresas são obrigadas, então, a gastar mais com o serviço, colocando mais veículos nas ruas e repassando o custo para o preço dos produtos. O resultado da caótica situação do transporte e trânsito em nosso País tem reflexo direto no chamado “Custo Brasil”, a que me referi em outro artigo sobre o tema.

Além disso, há uma piora da qualidade da saúde dos moradores, uma vez que a fumaça dos veículos é considerada a maior causadora da poluição atmosférica. As pessoas sofrem mais de doenças respiratórias e estão mais sujeitas a câncer de pulmão (pesquisam relatam que a exposição a duas horas no trânsito na cidade de São Paulo equivale a fumar dois cigarros).

De outro lado, como solução a maior mobilidade nas grandes cidades, foi incentivado o uso de motocicletas, que ocupam menos espaço no tráfego. Porém, elas poluem mais do que veículos novos e são as principais causadoras de mortes no trânsito. Segundo o “Mapa da Violência 2011”, do “Instituto Sangari”, o número de vítimas fatais no trânsito brasileiro subiu 23,9%, de 1998 a 2008; entre os motociclistas, o aumento foi de 753,8%. Uma verdadeira “guerra silenciosa no trânsito”!

Por isso, cada vez mais especialistas defendem a “mobilidade urbana sustentável” como solução ao problema do trânsito nas grandes e médias cidades. Uma das principais mudanças seria o investimento maciço em transporte coletivo e o desestímulo ao individual.

A situação acima delineada é também uma realidade em Imperatriz, a segunda maior e mais importante cidade do Estado do Maranhão. Sua localização geográfica traz consigo dois componentes que torna a nossa cidade ainda mais vulnerável em questão de mobilidade urbana.

Primeiro, porque é recortada por uma das principais rodovias federais do País – a Rodovia BR-010 – a conhecida rodovia “Belém/Brasília”. Segundo, porque faz divisa com o Norte do Estado do Tocantins – região esta conhecida por “Bico do Papagaio” – e com o Sul do Estado do Pará, o que nos leva a contabilizar uma população diretamente dependente de Imperatriz em torno de 1,2 milhões de habitantes.

Diante dessa realidade, podemos concluir que a questão relacionada ao transporte e trânsito em nossa cidade constitui-se em prioridade máxima a ser enfrentada pelo Governo Municipal, e mais ainda, pela população diretamente afetada pelo problema da mobilidade urbana.

Basta circular diariamente nas ruas de nossa cidade para se constatar uma verdadeira guerra entre condutores de veículos de passeio, veículos de carga e coletivos, motociclistas e também os ciclistas, o que resulta quase sempre em acidentes com danos materiais e vidas humanas. Urge, portanto, enfrentar com coragem e determinação esse grave problema, o que exige a participação e a cooperação de todos.

Entre as principais soluções para o problema da mobilidade urbana, na visão geral de muitos especialistas, destaca-se o estímulo ao transporte coletivo público, através da melhoria de suas qualidades e eficiências e do desenvolvimento de um trânsito focado na circulação desses veículos.

Por fim, diante dos dados acima e da importância que os Municípios podem, juntamente com a sociedade e as instituições procurar resolver, algumas perguntas devem ser feitas aos postulantes ao cargo de Prefeito de Imperatriz, dentre elas destaco as seguintes:

a) Você estaria disposto a instituir a cobrança de “pedágio urbano”, também conhecido por “multa positiva”, consistente em multar o motorista que estiver circulando em horários e locais preestabelecidos, com menos passageiros do que o permitido, estimulando assim a “carona solidária” e à redução do número de carros em circulação?

b) Você estaria disposto a incentivar a utilização de bicicletas, principalmente com a construção de “ciclovias” e “ciclofaixas”, aproveitando assim a topografia adequada de nossa cidade?

c) Você, candidato(a) a Prefeito(a) de Imperatriz, adotaria horários pré-fixados para a realização de cargas e descargas de mercadorias em estabelecimentos comerciais de grande e médio porte localizados no centro da cidade e em bairros de grande circulação, fiscalizando e punindo os infratores, mesmo que isso lhe trouxesse ônus político?

d) Você, na qualidade de Prefeito(a) de Imperatriz, substituiria os atuais  semáforos pelos chamados “sinais inteligentes” que mudam o tempo entre o vermelho e o verde eletronicamente, de acordo com o fluxo momentâneo de veículos?

e) Por fim, Sr(a) candidato(a) a Prefeito(a), como pretende inserir no âmbito das escolas do Município de Imperatriz a educação no trânsito e segurança” e outros programas governamentais que estimulem desde cedo a prática do ciclismo, o respeito às regras de circulação e a convivência pacífica nas ruas, e mais ainda, a necessidade da prática da “mobilidade urbana sustentável”?

Com a palavra, os(as) candidatos(as) ao cargo de Prefeito(a) de Imperatriz!