Se fizermos um estudo profundo no setor do agronegócio no Brasil, vamos concluir que o campo brasileiro está sob o ataque de uma praga que vem corroendo sua competitividade: o “custo Brasil”.

No Brasil o agronegócio é responsável por 1/3 do Produto Interno Bruto (PIB), porém, não recebe do Estado a importância que deveria ter.

A constatação é que da porteira para dentro a eficiência da agricultura brasileira é quase que inquestionável. Mas quando a produção deixa a fazenda, o agricultor também começa a pagar a conta do chamado “custo Brasil”, um problema crônico que afeta a competitividade e sacrifica o desenvolvimento do País. O custo Brasil” é uma realidade que prejudica a economia sem distinção, da prestação de serviço ao comércio e a indústria.

Entende-se por custo Brasil” um conjunto de problemas estruturais da economia e burocracia do País, que torna nossos produtos e serviços mais caros e menos eficientes, dificultando investimentos e o crescimento interno.

Não existe uma medida clara e precisa do que compõe o “custo Brasil”, mas percebemos esse “custo” nas dificuldades enfrentadas pelas empresas com relação aos altos impostos e taxas, sistemas trabalhista, previdenciário e fiscal complexos e pesados, infra-estrutura deficiente (por exemplo: rodovias, portos, aeroportos etc.), corrupção e impunidade em diversos setores da sociedade, déficit público, taxa de juros elevada, dentre outros.

Para efeito de exemplo, a carga tributária que incide sobre a economia brasileira é de aproximadamente 40% do PIB, uma das mais altas do mundo, cujo resultado deve-se, em grande parte, ao “custo Brasil”.

A FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura) e o Conselho Mundial da Água (CMA), em 2014, através do documentoRumo a um futuro de segurança hídrica e alimentar, alertou sobre a oferta de alimentos para o ano de 2050, e pediu políticas governamentais e investimentos dos setores público e privado para garantir que a produção agrícola, animal e piscicultura seja sustentável e contemple também a salvaguarda dos recursos hídricos.

O documento alerta que em 2050 haverá água suficiente para a produzir os alimentos necessários para alimentar a população global que se espera que superará os 9 mil bilhões de pessoas, mas o consumo excessivo, a degradação e o impacto das alterações climáticas irá reduzir a disponibilidade de água em várias regiões, especialmente em países em desenvolvimento.

Diante dessa realidade sombria, a política agrícola do Brasil deve levar em conta a iminente escassez de alimentos prevista para as próximas décadas. A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), em outro estudo, imagina que, em 2020, a oferta mundial de alimentos tem que crescer 20% para atender à demanda dos países emergentes.

Ela mesma reconhece a contribuição de cada região do planeta da seguinte maneira: Europa: 4%; Austrália: 7%; Estados Unidos e Canadá: de 10% a 15%; Rússia, Ucrânia, China, Índia: em torno de 25%; e o Brasil tem que ser 40%. Diante desse desafio monumental só para alimentos, não podemos perder essa oportunidade uma vez que no Brasil o agronegócio é o “carro-chefe” da nossa economia.

Para bem cumprir esse importante papel cabe ao Brasil no cenário mundial, aumentar a área cultivada que atualmente não atinge 70 milhões de hectares, ou seja, cerca de 8,5% da área total que o Brasil possui, somado a pouco menos de 200 milhões de hectares de pasto.

Em resumo, no Brasil a área com pastagem e agricultura não ocupa nem 30% da área total do nosso território, argumento mais do que suficiente para rechaçar as acusações infundadas de que o agronegócio no Brasil são os “destruidores do meio-ambiente”, como equivocadamente defendem os chamados “movimentos sociais do campo”.

O Brasil ocupa outras posições de destaque no agronegócio mundial, onde lidera a produção e exportação de álcool, açúcar, café e suco de laranja e é o maior exportador de soja e de tabaco. No futuro, tem-se potencial em agroenergia, fruticultura e florestas plantadas, podendo aumentar expressivamente a nossa produção de álcool, biodiesel, frutas frescas, papel, celulose e madeira.

Sobre a crítica de alguns setores da economia que dizem que o agronegócio emprega pouco e que matéria-prima tem baixo valor agregado no momento da exportação, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) defende o setor afirmando que o agronegócio é o setor que mais emprega no país: 37% dos empregos diretos, o que representa mais de 1/3 do PIB nacional. Conclui-se, assim, que o agronegócio tem um peso social no nível de emprego e no nível econômico muito significativo, uma vez que o saldo comercial do agronegócio é o dobro do saldo comercial do país.

É bom lembrar que mesmo em um ambiente de persistente estagnação na economia brasileira, o setor do agronegócio é o que mais responde positivamente na composição do PIB e no saldo da balança comercial do nosso País. Em que pese o mercado agrícola ainda ser líder em produtividade e competitividade no comparativo com outros segmentos da economia, devemos alertar que a praga silenciosa que vem corroendo a nossa competitividade – o “custo Brasil” –, é o maior responsável pelo baixo rendimento da nossa economia, com reflexos altamente negativos ao desenvolvimento do agronegócio.

Por fim, sobre a grande importância do agronegócio na economia do País, deixo à meditação do leitor primeiro texto escrito em terras brasileiras, a “Carta de Caminha”, também conhecido como a “Certidão de Nascimento do Brasil”, escrita em 1º de maio de 1500 ao Rei Dom Manuel I, na qual descreve os primeiros encontros entre colonizadores e colonizados, enfatizando minúcias e impressões sobre o lugar, o povo e os seus costumes, ressaltando as possibilidades de exploração da terra na qual “em se plantando, tudo dá”.