Na data em que a nossa cidade, carinhosamente conhecida por “Princesinha do Tocantins”, completa mais um ano de existência, e ao lado das costumeiras comemorações, como exemplo, o tradicional “bolo de aniversário” que finalmente será distribuído de forma mais civilizada, convido todos a aproveitar esse momento para direcionar os nossos olhares um pouco mais além.

É uma grande oportunidade para que o cidadão possa refletir se, realmente, a falácia diária dos nossos governantes (aqui me refiro ao Executivo e Legislativo municipal), dando conta de que a nossa cidade cresceu, e por esse motivo, o povo está feliz, é realmente verdadeira.

Que a nossa “Princesinha” cresceu ninguém duvida! Mas, se a pergunta fosse se esse crescimento resultou em desenvolvimento, a resposta é um solene NÃO! Não precisa ser muito amigo das letras para saber que existe uma diferença abissal entre o que significa “crescimento” e “desenvolvimento”.

“Crescimento” significa, grosso modo, “ação de aumentar ou de acrescentar alguma coisa”, enquanto que “desenvolvimento” significa “avanço, prosperidade, evolução ou progresso”. Portanto, quando se diz que a nossa cidade cresceu, não significa, necessariamente, que houve o correspondente desenvolvimento.

Para exemplificar essa grande diferença, basta comparar o crescimento que a nossa cidade experimentou nos últimos 20 anos. Nesse período foram instaladas 5 instituições privadas de ensino superior, que somadas às 3 instituições públicas já existentes, significa 15 mil estudantes matriculados. Outros empreendimentos de grande porte também foram instalados nesse mesmo período, como a fábrica de celulose da SUZANO e outros na área da indústria, comércio e serviços. Tudo isso significa que a nossa cidade cresceu, mas, necessariamente, não podemos afirmar que houve desenvolvimento.

Ainda sobre a diferença entre as realidades acima, podemos verificar que nos últimos anos houve em nossa cidade o “crescimento da violência, dos acidentes de trânsito etc.”, porém, não houve, por exemplo, o “desenvolvimento da qualidade do ensino fundamental, da qualidade de vida etc.” É simples perceber tudo isso, basta olhar em volta de onde moramos, para se constatar essa triste realidade.

Mas quem é o responsável pelo “crescimento” da nossa cidade sem o desejável “desenvolvimento”? Primeiramente, e para demonstrar a minha total imparcialidade, aponto como o primeiro responsável, e porque não dizer, o maior deles – o próprio cidadão! Por fim, os nossos governantes!

É de Edmund Burke (1729 – 1797), filósofo e político anglo-irlandês a célebre frase “para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados”.

Como me referi acima, por que devemos aproveitar a data em que a nossa cidade faz aniversário para direcionar os nossos olhares um pouco mais além? Simples, muito simples, porque no dia 5 de outubro, ou seja, a pouco mais de 3 meses, estaremos elegendo os homens e as mulheres que irão decidir entre o “crescimento” e o “desenvolvimento” do nosso município nesses próximos 4 anos. Enfim, vamos escolher os nossos governantes e neles depositar a nossa tão sonhada e desejada felicidade!

Felicidade a qual me refiro, significa, dentre outras coisas, viver numa cidade onde os governantes direcionem as políticas públicas com a finalidade precípua de tornar o cidadão virtuoso e feliz, como já preconizava o “pai dos filósofos” – Sócrates (469 a. C. – 399 a. C.).

O livro “Felicidade e política” de autoria do senador Cristovam Buarque (PPS – DF), no qual procura justificar a necessidade de que seja acrescido ao artigo 6º da Constituição Federal, que trata sobre os direitos sociais, a “busca da felicidade”, o autor cita o pensamento de Mauro Montoryn que diz: “Felicidade do cidadão deveria ser a finalidade de qualquer política pública. Isso parece óbvio, mas não é”.

Portanto, se vivemos numa cidade onde os nossos governantes não se preocupam em direcionar as políticas públicas em busca da felicidade do cidadão, e sim, em busca de vantagens pessoais, é porque o povo – legítimo titular do poder –, não sabe escolher seus representantes. Parece óbvio, mas não é!

O momento atual é mais do que oportuno para que o cidadão faça valer a sua força, o seu poder, escolhendo através do voto os homens e mulheres engajados com os verdadeiros anseios dos munícipes. Votar é o ato mais importante e característico do exercício da cidadania; é a oportunidade única e decisiva, onde não se pode errar, sob pena de vermos a nossa cidade continuar crescendo sem o desejável desenvolvimento.

Uma pergunta, aliás, várias perguntas poderiam ser feitas aos candidatos a candidatos ao cargo do Executivo e Legislativo do nosso Município e, dentre elas, cito a principal: como pretendem exercer esse importante múnus a fim de implementar políticas públicas capazes de conciliar o crescimento com o desenvolvimento, a fim de tornar o munícipe mais virtuoso e feliz? Com a palavra, o(a) nosso(a) futuro(a) Prefeito(a) e os(as) nossos(as) Vereadores(as)!

Por fim, no dia em que a nossa cidade completa 164 anos, deixo à meditação do cidadão-eleitor as sábias, oportunas e atualíssimas palavras do senador Cristovam Buarque (PPS – DF), ao justificar a “PEC da Felicidade” de sua autoria, tratada no livro acima, que deveria servir de norte aos nossos próximos governantes: “Felicidade é uma questão pessoal, mas o caminho para ela depende do entorno social onde a pessoa vive; e este entorno é construído ou desconstruído pela política, pela família, cidade, país, até mesmo pelo mundo. Por isto, o caminho para a busca da felicidade pessoal depende das políticas que administram a sociedade”.

Imperatriz está em festa! Imperatriz completa 164 anos, porém, a cidade e o povo merecem muito mais! No dia 5 de outubro, pensem nisso!

P. S.: Dedico esse artigo aos homens e mulheres vindos de todas as partes do Brasil e do mundo, que com o seu trabalho e dedicação construíram a nossa cidade, tornando seus habitantes mais virtuosos e felizes. PARABÉNS IMPERATRIZ!