William Shakespeare (1564 - 1616) foi um poeta, dramaturgo e ator, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo. A frase "Ser ou não ser, eis a questão" (em inglês: "To be or not to be, that is the question") vem da peça "A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca", de sua autoria. Encontra-se no Ato III, Cena I e é frequentemente usada como um fundo filosófico profundo. Sem dúvida alguma, é uma das mais famosas frases da literatura mundial.
Coincidências à parte, durante o evento promovido pela Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ) e o movimento "Viva Rio", no último dia 31 na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que "o sistema de segurança pública no país está falido."
Raul Jungmann apontou como motivos determinantes da falência da segurança pública a "crise financeira", a "incapacidade do Judiciário de julgar processos", a "superlotação de presídios" e o "poder de facções criminosas", afirmando que "o crime se transnacionalizou". Segundo ele, grandes  grupos criminosos já têm a distribuição do consumo de droga no Brasil. Agora, buscam o controle da produção.
A segurança pública, segundo dispõe o artigo 144 da Constituição Federal, é um dos pilares para a manutenção da estabilidade social, cuja responsabilidade principal é das instituições previstas na mesma norma constitucional, dentre elas, as Polícias Militares dos Estados.
Portanto, se é verdadeiro que "o sistema de segurança pública no país está falido", como afirmou o ministro da Defesa, também é verdade afirmar que essa "falência" não é de agora, é praticamente desde a criação dessas instituições.
Ainda segundo a Constituição Federal, a maior parte das responsabilidades com segurança e ordem pública, foram transferidas para os Estados, restando ao governo federal apenas o controle das polícias Federal e Rodoviária Federal, que ficaram encarregadas do controle das fronteiras e das ações contra os crimes transnacionais e o tráfico de drogas. 
A crise, ou melhor, a "falência" da segurança pública não é algo novo. Vale lembrar que no final de 2017, após o assassinato do Tenente-Coronel Luiz Gustavo Pereira, Comandante do 3º Batalhão da PMRJ localizado na bairro do Méier, o ministro da Justiça Torquato Jardim, afirmou que o governador fluminense Luiz Fernando Pezão, e o secretário de Segurança do Estado, Roberto Sá, não controlam a Polícia Militar. 
Segundo Torquato Jardim, o comando da PM no Rio de Janeiro decorre de "acerto com deputado estadual e o crime organizado". E finalizou a duríssima crítica afirmando que "Comandantes de batalhão são sócios do crime organizado no Rio".
O curioso disso tudo é que diante da gravidade das duríssimas palavras do ministro da Justiça, não houve por parte das autoridades atingidas grandes respostas ou comoções. Moral da história: será que tudo que foi dito não é pura realidade? 
No Brasil, por força da Constituição Federal, os Estados são os principais agentes de mediação social e o principal estruturador das forças de segurança. Na prática, essa missão constitucional nem sempre é cumprida em razão da forte influência política que é exercida sobre as Polícias Militares. 
De fato, o que se verifica na atualidade é que as instituições policiais são viciadas e há mil problemas em torno delas. Fugir desse debate é o mesmo que não admitir o óbvio. Mas, na situação atual, a confiança e o apoio do Estado e da sociedade às Polícias Militares, continuam sendo imprescindíveis. 
Não se trata de defender o "status quo" ou o "sistema", mas de compreender que, até que se possa criar uma alternativa melhor e um modelo de policiamento mais saudável e eficaz, essas instituições precisam continuar operando - porque, por piores que sejam, a situação é muito pior sem elas.
Como afirmou o ministro da Defesa, "o sistema de segurança pública no país está falido." A influência política nas Polícias Militares do país é uma realidade que não se deve esconder. Na prática, essa danosa influência política além de imoral e ilegal, fragiliza a hierarquia e a disciplina que devem servir de norte às Polícias Militares no cumprimento do seu dever constitucional.
Como se sabe, as Polícias Militares, por força da Constituição Federal são consideradas "reserva do Exército" e estão subordinadas aos Governadores dos Estados. Por esse motivo, qualquer influência política fragiliza e desvirtua a atuação dessas instituições diante da responsabilidade com segurança e a ordem pública.
O tema "segurança pública" sempre foi e sempre será uma espécie de "vedete" nos debates políticos entre os candidatos ao cargo de Governador de Estado e Presidente da República. Em 2018 teremos eleição aos cargos de Governador e Presidente da República e, como não poderia deixar de ser, os temas mais importante do chamado "marketing político" como saúde, educação, emprego e "segurança pública" vão tomar conta da agenda nos debates no rádio e TV.
Nós, eleitores e titulares do poder, devemos ter a coragem e a responsabilidade de "separar o joio do trigo", ou seja, de escolher os representantes realmente comprometidos com o bem estar, a segurança e a ordem pública da sociedade.
O modelo de política de segurança pública em nosso país sempre foi implementado de modo "fragmentado", o que justifica e explica em parte a "falência" mencionada pelo ministro da Defesa. Na prática, os órgãos de segurança pública agem isoladamente e sem um objetivo comum. 
Por esse motivo, em 2002 este autor sugeriu uma proposta para a solução da atual crise de segurança pública no Brasil, através do emprego das Forças Armadas na Política Nacional de Segurança Pública - denominada de "DOUTRINA 3PR".
A "DOUTRINA 3PR" seria implementada em total obediência aos artigos 142 e 144 da Constituição Federal, ou seja, respeitando a "missão principal" afeta aos órgãos de segurança pública atuando em conjunto com as Forças Armadas através da "missão secundária". Lamentavelmente, o assunto "segurança pública" gera muitas "paixões" e "vaidades", além, é claro, de dividendos políticos.
Por fim, parafraseando o grande dramaturgo inglês - William Shakespeare (1564 - 1616), pergunta-se: "o sistema de segurança pública no país está falido", como afirmou o ministro da Defesa, Raul Jungmann, ou na realidade quem faliu foi o Estado? Eis a questão!