Diz a legislação que “acidente de trânsito é todo evento danoso que envolva o veículo, a via, o homem e/ou animais e para caracterizar-se, é necessário a presença de dois desses fatores.”

Atualmente, os acidentes de trânsito no Brasil fazem com que uma grande quantidade de vidas sejam perdidas. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2013 (último ano disponível) foram cerca de 44 mil mortos, aumento considerável se levarmos em conta que o DENATRAN, em 2005, divulgou que foram pouco mais de 26 mil mortos em acidentes. Esses dados nos revelam que a cada ano no Brasil, os acidentes de trânsito ceifam mais vidas do que as baixas em 5 anos da guerra no Vietnã. Um absurdo!  Vivemos uma guerra não declarada!

Estamos falando somente de óbitos, porém em 2013 foram cerca de 200 mil feridos em acidentes de trânsito em todo o país. São números assustadores, que representam uma quantidade maior do que as graves doenças que atingem a população brasileira. Mas, infelizmente, esses números parecem não atingir a sensibilidade e razoabilidade dos dirigentes dos órgãos de trânsito, dos nossos governantes e, principalmente, dos condutores, no sentido de se combater veementemente e com ações concretas essa real guerra no trânsito.

Normalmente as pessoas perguntam quem é o culpado, onde a pergunta correta é quem poderia ter evitado o acidente. Uma das maiores causas dos acidentes chama-se condutor de veículo, ou seja, o homem. Estatisticamente, 75% dos acidentes foram causados por falha humana (condutor), 12% por problemas nos veículos, 6% por deficiências das vias e 7% por causas diversas, ou seja, podemos dizer que o homem, no mínimo, é responsável, direta ou indiretamente, por 93% dos acidentes de trânsito.

Na atualidade, o Brasil participa com apenas 3,3% do número de veículos da frota mundial, mas é responsável por 5,5% dos acidentes com vítima fatal, registrados em todo mundo. Entre as diversas causas podemos citar as 3 mais importantes: a) imprudência dos condutores; b) excesso de velocidade; e, c) desrespeito à sinalização.

Os acidentes de trânsito são a principal causa de morte de jovens no mundo. Dos pacientes em tratamento na Rede Sarah, vítimas de acidentes de trânsito, a maior parte, 38%, tem entre 20 e 29 anos. O número de jovens que morrem ou sofrem graves sequelas em acidentes de trânsito mostram que estamos perdendo a maior riqueza do país – a nossa juventude!

Os acidentes de trânsito causam um reflexo imediato no Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. Em 2013, foram 170.805 mil internações por acidentes de trânsito, mais da metade envolvendo motociclistas, ao custo de cerca de R$ 231 milhões no atendimento às vítimas. “Uma verdadeira epidemia. Excesso, exagero que precisa ser enfrentado”, desabafou o então Ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Em nossa cidade, que completará na próxima semana 174 anos, a realidade não é tão diferente. Dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Trânsito do Município de Imperatriz (SETRAN) mostram que as internações por acidentes de trânsito no Hospital Municipal de Imperatriz (“Socorrão”), 85% envolvem motociclistas. É um dado alarmante e assustador, que cabe à sociedade engajar-se nessa cruzada. Essa verdadeira epidemia também possui reflexos imediatos nos recursos destinados a saúde do Município, uma vez que grande parte desses recursos é utilizada no atendimento às internações por acidentes de trânsito.

Dados obtidos junto ao DATASUS mostram que o número de indenizações por invalidez permanente cresceu de forma explosiva a partir de 2004, chegando a 596.000 em 2014. Isto significa que os três motivos decorrentes de indenizações por acidente de trânsito: a) por morte; b) por invalidez permanente; e, c) por despesas médicas, fazem com que a caótica situação atualmente vivida pela Previdência Social se agrave ainda mais nos próximos anos.

Finalmente, para que essa guerra não declarada seja vencida, cabe aos governantes e a sociedade rever seus conceitos e ter uma visão mais coletiva, ou seja, mais cidadã, e a cada passo ter sempre em mente que adiante está um ser humano que deve ser respeitado e protegido.

Por fim, deixo à meditação do leitor as sábias e atuais palavras do vietnamita Thich Nhat Hanh, monge budista, pacifista e escritor: “Para ter paz e alegria você precisa conseguir paz em cada passo que der”. Temos que vencer essa guerra! Pense nisso!