Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Leva meu samba...

Onde andará Mariazinha? Onde andará Seu Oscar? Onde andará a mulata assanhada, que passa com graça fazendo pirraça fingindo inocente e tirando sossego da gente? Onde andará Amélia, aquela que era mulher de verdade? Onde andará o imenso sambista Ataulfo Alves? Ainda lembram? Alguns afirmam, com inteira convicção, que Ataulfo se encontra na última morada do esquecimento. Será? Atire a primeira pedra aquele que tem certeza de que está certo. .Pois é, falam tanto. Dizem tudo o que querem sobre esse inesquecível ícone da música brasileira. Como disseram Ataulfo e parceria: Sei que vou morrer não sei o ...

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“Que país és este?”

Frase esta emblemática que atravessou a história e foi absorvida pela história, mas não foi absolvida. Continua sendo lembrada como um frasesco equívoco, proferido no período dos mais de vinte anos da ditadura militar. Lembram do autor da frase e por que foi dita e retumbantemente propagada pela nossa mídia? Não se lembram? Não acredito! Até porque, dadas as excentricidades dos nossos homens públicos, e em boa parte mais privados do que públicos, insistimos em perguntar: - Que país é este?, sem sermos apaziguados em nossa angústia por uma resposta que nos conforte. Anda não direi quem foi ...

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Louco e lúcido

Louco e lúcido. Criador da sociedade alternativa. Assim, e muito mais, foi Raul Seixas. Baiano de nascimento e, desde menino, dedicou a sua arte musical ao rock. Foi um autor revolucionário, ao lado de Paulo Coelho, o letrista de suas canções. Tive oportunidade de assistir o documentário a respeito da sua vida artística. Sempre rebelde, em todos os sentidos. A droga o consumiu e ele consumiu grande quantidade de drogas. Faleceu no dia 21 de agosto de 1989. Foi encontrado morto pela sua amiga e empregada Dalva Borges. Dizia com muita ênfase: - Ninguém me descobriu ainda. Sou ...

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Não saí do Brasil

Entrei o ano de 2020 com a alma tiritando e o coração batucando. Alegria. Tristeza. Angústia. Dúvida. Não sei. É mais um ano, com muitos votos de sucesso, felicidade, realizações, e o escambao. Veio-me Cartola, o nosso grande poeta da música popular da nossa pátria amada, como uma espécie de tábua de salvação. Socorre-me este mestre da canção e da poesia com o magnífico poema de As rosas não falam: Bate outra vez / Com esperança o meu coração / Pois já vai terminando o verão, enfim / Volto ao jardim / Com a certeza que devo chorar ...

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O que disseram e o que dizem

A grande polêmica, no mundo literário, se ateve na perspectiva da escolha do nome a ser homenageado na FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Ainda está sendo cogitada, para próxima edição desse evento, a poeta norte-americana Elizabeth Bishop. Ao ser sugerido o seu nome, a grita foi geral, com vozes contrárias à escolha e se manifestando favoravelmente. O escritor e cronista Antonio Prata assim resumiu a sua aprovação: “Bishop comemorou o golpe militar. Foi abertamente gay numa época em que isso era heresia. Lúcida como poucos. Bêbada como poucos. O ser humano é complexo. É disso que ...

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2020: Com a licença de Gabo: a crônica de uma morte anunciada

Convenhamos, o título é grande, antijornalístico, mas se impõe pela necessidade.  Retorno a uma crônica bem antiga e me refiro a Coelho Netto, um maranhense que viveu boa parte de sua vida fora do Maranhão. Há uma crônica de sua autoria, em Canteiro de Saudades, cujo título é O ano novo. O cronista narra sua perplexidade sobre esta festejada data: “Falavam tanto do Ano Novo, que eu resolvi esperar a meia-noite”. Assim iniciou a vigília da meia-noite para ver a entrada do ano. Mas decepciona-se. Embora despertado pelos brindes à mesa, beijos, abraços e bênçãos, não conseguiu enxergar ...

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O Natal e as duas mulheres

Machado de Assis

 “Mudaria o Natal ou mudei eu?”

Cora Coralina

Enfeite a árvore de sua vida
com guirlandas de gratidão!
Coloque no coração laços de cetim rosa,
amarelo, azul, carmim,
Decore seu olhar com luzes brilhantes
estendendo as cores em seu semblante
Em sua lista de presentes
em cada caixinha embrulhe
um pedacinho de amor,
carinho,
ternura,
reconciliação,
perdão!
Tem presente de montão
no estoque do nosso coração
e não custa um tostão!
A hora ...

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Isto aqui, ô ô

A nossa pátria amada sempre foi cantada em versos e prosa, com as exaltações de um povo heróico, o brado retumbante e o sol da liberdade em raios fúlgidos. Como não poderia deixar de ser, isso a partir do Hino Nacional, um dos símbolos da retórica do nosso arraigado patriotismo. Principalmente quando se recorre aos seus verdejantes versos para exaltar a nossa glória futebolística. Ao fazer a letra do nosso hino, Joaquim Osório Duque-Estrada cantou a todas as nossas virtudes naturais, como sermos gigantes pela própria natureza, o sol da liberdade, sem deixar de referir-se a nossa indolência, ...

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