Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Nelson Rodrigues, o dramaturgo de si mesmo

É sempre bom fazer releitura de Nelson Rodrigues. Ou ver a reencenação de suas peças teatrais. Nelson viveu intensamente para escrever. Teatro, romances, contos, crônicas, sendo torcedor fanático do Fluminense. Quem o retratou bem, e muito bem, foi Ruy Castro, ao construir a sua rica biografia no livro O Anjo Pornográfico. Escreveu nos jornais Última Hora, Correio da Manhã, O Jornal e O Globo. Durante dez anos, publicou A vida como ela é no jornal Última Hora, cujos temas eram sempre sobre paixões e morte. Essas histórias, ora crônicas, ora contos, foram sucesso permanente de público. Mais ainda: ...

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A democracia do capitão

Há um novo conceito de democracia na pátria amada, que contraria em grau, gênero, número e em todos os sentidos, quer sociológicos, filosóficos e políticos, a célebre definição dada pelo rústico advogado, cujo nome ficou eternamente para história, Abraham Lincoln, nascido em 1809 e assassinado em 1865 por um tresloucado reacionário que entendia que a liberdade e a igualdade teriam, contraditoriamente, que existir com a crueldade da escravidão do negro. Lincoln, em poucos minutos, em Gettysburg, fez o mais belo e fundamental discurso da sua vida como estadista. E iniciou dizendo: "Oitenta e sete anos atrás nossos antepassados ...

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Laranjas ou laranjal?!

Pode ser uma coisa ou outra. Mas tudo indica, pelos fatos amplamente divulgados, que está mais para laranjal do que para laranjas. A extensão do laranjal é infinita. Com o envolvimento de personagens que integram a alta cúpula do novíssimo governo, que, segundo dizem, veio, guindado por cinquenta e oito milhões de votos, para fazer as transformações éticas na pátria amada, embora eu, particularmente, não tenha conseguido ouvir qualquer discurso a respeito desse tema, tão decantado pelos aficionados pelo capitão-presidente. Assim, num primeiro momento, e ainda estamos em fevereiro, nas proximidades do carnaval, apareceu Fabrício Queiroz, um especialista ...

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A mulher e o carnaval

O carnaval, antes de chegar, já chegou. As ruas são interditadas. Os blocos estão soltos. Os tamborins estão explodindo no ritmo da música carnavalesca, ou mesmo não carnavalesca, que se traveste com a fantasia do carnaval. Fora um pouquinho assim no passado. Com as festas pré-carnavalescas. Hoje, muito mais ainda. Tá todo mundo de ressaca. Antecipadamente. Mas não tão antecipadamente, assim. Como diria Machado de Assis: mudou o carnaval, ou mudei eu!

É a vez da mulata, tão vilipendiada e caricaturada. A exemplo, a encenação produzida pela Sra. Donata Meirelles, diretora do Vogue do Brasil e ...

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Boechat

Dizem os entendidos em viver que a vida é breve. É... O tempo passa, porém nem tão rapidamente. Mas, se não fosse o tempo, não construiríamos a eternidade. Em cada dia vivemos o primeiro dia de nossas vidas. Na minha empírica concepção, se amamos, a vida é mais eterna; se odiamos, é tão curta quanto longo é o nosso ódio. Sonhamos sonhos que nos conduzem aos céus. Nem por isso, deixamos de ter pesadelos. A sabedoria popular nos diz que o bom e mau tempo estão dentro de cada um nós. Amar é um dos maiores elixires para ...

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Conceição Evaristo

Maria da Conceição Evaristo de Brito, escritora, poeta, contista e romancista. Em 2015, com o livro Olhos d'água, foi laureada com o prêmio Jabuti, na categoria de contos. Algumas de suas obras já se encontram traduzidas para o francês, inglês e alemão. Titulou-se em mestre e doutora em literatura brasileira e comparada. Professa e pratica a arte da escrevivência. Assim, ela mesma o diz, na apresentação de sua obra memorialista Becos da memória: "...já afirmei que invento sim e sem o menor pudor. As histórias são inventadas, mesmo as reais, quando são contadas. Entre o acontecimento e narração ...

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Pela pátria amada

Por ela, faria o possível e o impossível. Por exemplo, ainda se não cumprisse, me poria de joelho para vencer os degraus na subida à Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, uma façanha, diga-se, de muita convicção e excepcional amor. Façanha que não é para qualquer esquerdista ou direitista. Talvez um centro-direita da turma da mamata. Ou um esquerdista de mesa de bar. Também seria capaz de comer feijão todos os dias, ainda que não seja minha opção alimentar preferida. Alguma dúvida? Entendo. Todo brasileiro é maluco por feijão. Há as raras exceções. Respeitemos essas raríssimas exceções. ...

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Um dia de domingo

Podia ser qualquer dia. Mas foi um dia de domingo. Não tenho ideia do que se comemorava nesse dia. Alguma data festiva. Caía uma chuva bem fina. Dessas que molham pra valer. As nossas ruas e avenidas estavam cheias de carro. E de água. Tanto indo quanto vindo. Alguns com pressa e outros pouco ligando pro tempo. O sinal fechou. De repente, vi aquele rapaz. Sem camisa, ainda moço. Com aparência de velho. Tenho acompanhado, dia sim, dia não, a sua morte, como processo de deterioração não só física, mas moral. Quando o encontrei na primeira vez, nos ...

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