Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

A democracia brasileira

Como sabem, tenho a mania de ler jornais. Recentemente, para ser mais preciso, no dia 28 de outubro passado, li o tabloide O tempo, de Belo Horizonte, Minas, que me foi trazido pelo amigo Lourival Serejo, ao retornar de uma de suas viagens em que foi proferir uma palestra (ou melhor, conferência) sobre Direito de Família, ramo da sua vasta área jurídica de conhecimento. Comecei a folhear o jornal belohorizontino e, na página 6, no caderno Política, encontro, de chofre, esta notícia: Brasil tem a pior democracia. Assustei-me, mas não porque tivesse alguma reles certeza de que a ...

leia mais +

Algumas quase cenas

Cena n.° 1

O pássaro, penas de um amarelo queimado, com alguns levíssimos traços pretos, equilibrava-se no galho de uma árvore e praticava o seu sagrado ofício do canto matinal. O canto se espalhava por toda a área aberta, salteada por uma ou outra árvore, e invadia o casarão de muitas janelas que ficava mais um pouco à frente. Um jovem que fazia limpeza, ainda jovem, utilizando-se de um pano de chão, que esfregava insistentemente no assoalho, teve a sua atenção despertada pelo canto solitário da ave. Aproximou-se da janela, abriu um vão da cortina. Olhou ...

leia mais +

De amor, de tempo e outras coisas...

Sobre o amor, o escritor português Camilo Castelo Branco disse: - O amor é a primeira condição da felicidade do homem. Talvez por isso, tenho me recusado ser o homo digitalis dos tempos atuais: só, triste, radicalizado pelos guetos virtuais. Ora, convenhamos, a arte de amar, sem intermediação, ainda é essencial para todos nós. Ao menos, para mim. Mas disse-me minha mulher que numa recente novela, cujos temas - também dizem, não mais a minha mulher - estão atualíssimos, uma personagem feminina realizou, com uma festa cheia de pompas, um casamento sem o outro ou a outra, para ...

leia mais +

Leiloeiro faz graça com uma prenda na mão

Já faz algum tempo que saí daqui desta nossa aprazível cidade de São Luís, cercada e banhada de águas por todos os lados, para uma aventura passageira no Rio de Janeiro. A viagem se transformou num grande desafio. Sabia apenas que existia o Rio nas páginas de revistas e jornais. A nossa televisão, ainda incipiente, era na base do tape, a transmitir velhos programas de cinco ou seis meses passados. Mas havia alguns programas locais, produzidos com os esforços e o talento de nossos artistas da terra. Ouvia-se falar de Chacrinha e de Sílvio Santos, porém, aqui e ...

leia mais +

Diário do crime: ainda há luz no fim do túnel

Como vejo muito pouca televisão, e quase não escuto rádio, limito minhas informações aos jornais e a uma ou outra revista. As semanárias, pelo menos as que leio, estão mais quietas. Dão notícias mais sobre política ou economia. Mas as nossas folhas estão cheias de sangue, ou trazem quantidade de notícias desalentadoras. Ou se passa por cima, ou se lê de forma dinâmica, com uma mera vista dolhos. Vai-se adiante, buscando algumas informações mais salutares, que animem a gente.

Bem. Por que isso?
Peguei o caderno Cotidiano, da Folha de São Paulo, editado na sexta-feira ...

leia mais +

Desigualdade

A grande luta do homem é, e sempre será, pela igualdade. Senão substancial, pelo menos formal. O direito tem como um dos seus postulados precípuos garantir a igualdade. O Brasil é um país caracterizado extremamente pela desigualdade. Sem lamúrias, mas, constatando fatos visíveis, os pobres estão cada vez mais pobres. Nesta cidade, as palafitas, os bairros carentes, os subempregos, os empregos informais, o desemprego, a desproteção cada vez mais evidente na relação empregatícia, a terceirização, de caráter geral, sobretudo em certas atividades do serviço público, em que a prestadora de serviços ganha rios de dinheiro à custa do ...

leia mais +

Tempo para amar

Não sou um homem moderno. Confesso: sou um quase moderno. Mas, dentro das minhas possibilidades, vivo a modernidade. Sem ser escravo da tecnologia, adaptei-me ao computador. Uso o celular, naquilo que se possa considerar o essencial. Ainda leio o livro de papel, fazendo as anotações nas páginas, na medida em que vou avançando na ânsia de chegar ao fim da leitura e dela retirar alguma coisa de útil ou não. Porém, admiro todos aqueles que estão perfeitamente adaptados aos novos tempos. Alguns deixaram de pensar. O computador tem resposta pra tudo. Pra que pensar?! Antes, quem pensava por ...

leia mais +

1984: o ano que não acabou

1968 foi um ano mítico. O Brasil e o mundo passaram por um intenso processo de profundas mutações comportamentais, abrangendo as questões éticas, políticas e sexuais. Emergiram os movimentos ecológicos, em que as pessoas passaram a voltar-se para preservação do meio ambiente, com o fim de assegurar uma melhor qualidade de vida, e mesmo a própria sobrevivência. Vivia-se em plena guerra fria, cujo campo de batalha era o temor da deflagração de uma guerra nuclear, com força destrutiva tão intensa que, se não houvesse a aniquilação do homem da face da terra, ter-se-ia o retorno aos primórdios de uma civilização ...

leia mais +