Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Antes e depois do discurso distópico

Os primeiros momentos da disseminação do Covid-19 pelo mundo, a surpresa estava no encontro definitivo com a morte. China foi um espanto de alerta e um SOS a avisar a todos que não haveria distinção entre esquerda e direita, ou entre capitalismo neoliberal e socialismo. O mundo, na sua formação globalizada, na feliz concepção de McLuhan, reduzira-se a uma aldeia global em que todos estariam, numa certa intimidade, interligados. Bastava um só portador do coronavírus, ainda que inconsciente, para que, num mero contato, despretensioso contato, na condição de hospedeiro, o transmitisse para o novo contaminado que o passaria ...

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Em Defesa da Democracia e do Estado de Direito

A luz amarela está piscando incessante e perigosamente. A democracia se encontra em perigo(?!?!). Dúvida, que teima em nos atormentar. Muito se tem escrito, falado e debatido sobre a morte da democracia. Os acontecimentos, os mais insignificantes acontecimentos, têm mostrado a gravidade do momento por que passa o mundo com a insurgência de movimentos autoritários, com ressurgimento de idéias fascistas, amplamente defendidas como solução mágica para os problemas que fazem parte do cotidiano de toda sociedade. Textos e livros têm sido publicados, denunciando o perigo destrutivo que ronda esse regime de governo, que se alicerça na vontade do ...

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Capitalismo/Coronavírus/Desigualdade

Nesta conversa, o coronavírus entra de intrometido que é, até porque hoje é a grande vedete do noticiário, daqui e além Tejo. Mas, quem sabe: esse transmissor de um mal perigoso e, em alguns casos, fatal não venha nos dar um recado de que todos são iguais perante a sua força destrutiva. Ricos e pobres não estão imunes a tê-lo passeando mortiferamente pela corrente sanguínea desse nosso frágil corpo. Bem. Que fique claro: não quero desejar o coronavírus a ninguém. Longe, e bem longe disso, estou de joelhos rezando, e rezando muito, para que as cabeças pensantes dos ...

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Logo Depois da Chuva...

As ruas da cidade amanheceram banhadas. Nas poças dágua, o reflexo da luz do sol, ainda encoberto por espessas nuvens, bem como das figuras de quem nelas se projeta. Mas pareciam alegres, como se estivessem sorrindo para gente. Não aquele sorriso aberto, desprendido, porquanto ainda estremunhado pelo ar preguiçoso do sono do amanhecer. Tal como saltimbanco se ia de um lugar a outro. Poucas pessoas se davam ao desafio de circular E dessas poucas, aventureiras de um destino que não podiam libertar-se, seguiam de um ponto a outro para vencer o desafio de superar todos os obstáculos. Traziam ...

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Recado aos brocháveis

Meus caríssimos brocháveis,
 
Não sei se li certo ou se li errado. Mas encontrei nos jornais, meus caros brocháveis, uma frase que foi propagada aos quatro cantos, como se fosse um novo mandamento do machismo. Antes de ir ao tema, tive a inocência, mesmo a insensatez, de pensar que se tratava de alguma disputa para ser ator principal de algum desses filmes mais liberais que têm passado nos mais variados vídeos. Logo tomei ciência de que não era bem isso. O imbrochável é desses machões que não têm medo de reeleição, por isso, ...

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Zé Keti/Chico/Vinícius e o Carnaval

Amor de carnaval desaparece na fumaça/Saudade é coisa que dá e passa. Mas isso sempre foi coisa de Zé Keti, o sambista do morro que desceu para o asfalto e, ao lado de Nara Leão e João do Vale, esse nosso conterrâneo de Pedreiras, fez um estrondoso sucesso com o show Opinião. E ainda é coisa de Zé Keti a sua mania de cantar o carnaval, como fez com a marcha-rancho Máscara negra: Tanto riso,/Oh! quanta alegria,/Mais de mil palhaços no salão/O Arlequim está chorando/Pelo amor da Colombina/No meio da multidão! E tudo isso no carnaval que passou ...

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O tempo e a máquina

Parece tautologia repeti o tempo, para falar sobre o tempo. Mas dizem que boa parte do funcionamento da massa cefálica se dá de modo inconsciente. É que a consciência é uma parte bastante limitada da nossa mente. Daí a importância do tempo, haja vista que o nosso inconsciente é o depositário de todo um passado, que, aqui e acolá, vem à tona. Com razão o adágio popular: Deus nos concedeu a memória, mas também o esquecimento. Ocorre que o esquecimento não existe. Nunca esquecemos nem o que nos acontece de bom nem o de desagradável. O nosso inconsciente ...

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O rico ri à toa

O nosso mestre Jesus Cristo tinha uma certa implicância com o rico, embora não o condenasse. Mas, pelas várias passagens dos seus ensinamentos, considerava bem difícil o desapego aos bens materiais, ao afirmar que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino dos céus. A “agulha”, a que se refere Cristo, era uma porta estreita, no muro que cercava as cidades daqeles tempos, a qual era difícil dar passagens aos camelos que chegavaram carregados de mercadorias dos comerciantes que vinham realizar seus negócios. Razão pela qual essa imagem foi ...

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