Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

1984: o ano que não acabou

1968 foi um ano mítico. O Brasil e o mundo passaram por um intenso processo de profundas mutações comportamentais, abrangendo as questões éticas, políticas e sexuais. Emergiram os movimentos ecológicos, em que as pessoas passaram a voltar-se para preservação do meio ambiente, com o fim de assegurar uma melhor qualidade de vida, e mesmo a própria sobrevivência. Vivia-se em plena guerra fria, cujo campo de batalha era o temor da deflagração de uma guerra nuclear, com força destrutiva tão intensa que, se não houvesse a aniquilação do homem da face da terra, ter-se-ia o retorno aos primórdios de uma civilização ...

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Luiz Inácio Lula da Silva

Depois de Getúlio Vargas, Luiz Inácio Lula da Silva é um dos maiores líderes populares da história do Brasil. Com uma grave diferença, Getúlio foi ditador, que, em que pese ter comandado o Estado Novo, impôs uma legislação social, de amparo aos direitos do trabalhador, cuja justiça especial, a Justiça do Trabalho, começou a atuar em todo o território nacional a partir do dia 1.° de maio de 1941, para atender a uma demanda reprimida, com destaque para as demissões sem justa causa e reclamações de trabalhadoras grávidas, que pediam proteção que a lei, que passou a viger, ...

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Sr. Governador

Estimo que Vossa Excelência esteja com boa saúde. Não só a saúde física, necessária para a labuta diária, mas a saúde emocional. O Maranhão, um Estado que tem milhões de problemas, acumulados no curso de sua história política, exige que o seu governador esteja em plena forma, pronto para, como se fosse uma espécie de Pitágoras moderno, ter uma fórmula matemática para equacioná-los. Este humilde cidadão maranhense tem consciência dos esforços que Vossa Excelência está envidando, cotidianamente, com a finalidade árdua de, no laboratório do seu governo, encontrar soluções. Os problemas são muitos, e vão surgindo no difícil ...

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Brasil em liquidação

As máscaras são tiradas. O rei estará nu, nesse desfile de vaidades. As caras se desnudam. Caem as máscaras. Os risos se transformam em choro. A alegria de uns poucos se transmudam em escárnio de muitos. A fantasia desaparece do palco da insensatez para dar vez à cruel realidade. Até quando? Talvez nem se tenha o quando. Mas apenas a perspectiva sombria de que o quando pode vir. Ninguém o augura. Ninguém o quer. Apesar do golpe e dos sucessivos golpes que advirão, com o apoio do conservadorismo dominante. Os velhos estarão muito velhos, ou mortos, com o ...

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O dia seguinte

O dia seguinte?, perguntam-me. É mais ou menos quando, em tempos ainda recentes, se namorava, noivava e casava, e aí vinha o dia seguinte. O dia da nova vida. A vida que, em algumas famílias, nem sempre se iniciava a dois, mas numa mistura fraterna do novo e dos velhos, com os novos sendo aconchegadas num dos quartos da casa de um dos pais. E começava a dia seguinte. Hoje, para muitos felizardos, os tempos são outros. Casam-se, e saem os dois em viagem de lua de mel. O dia seguinte vem depois. E começa na arrumação dos ...

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Amor é isto

Amar depende de quem ama e de quem se ama. Pode-se amar a pessoa amada. E não ser amado pela pessoa que se ama. A vida é encontro, com muitos desencontros. No ato de amar, tantos são fetichistas: adoram os pés da pessoa amada, ou o nariz um tanto afilado, ou a suavidade da voz, ou ainda inteligência e mesmo até a burrice, como marca pueril de quem não quer saber. À exceção dos sádicos, ninguém ama a grossura, a indelicadeza, o mau humor, a falta de afetividade, o desrespeito. Muito menos o silêncio, como desvalor da pouca atenção dada ...

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Olho pro céu, meu amor

Recebo a visita de um amigo e de uma velha conhecida. Queriam conversar. Tanto que queriam conversar que vieram desprovidos dos celulares. Disseram-me, com a ênfase, que merecia tal fato, isso para os dias de hoje, que haviam deixado propositalmente os aparelhinhos em casa. Que bom, suspirei levemente. Encontraram-me na porta. Fato incomum, estava olhando o tempo e perscrutando o céu. Já era início da noite. Nesses momentos, não costumo ter a companhia do moderno e incômodo interlocutor. Gosto de ver o tempo. Que passa, roçando-nos como a brisa que vem do mar. E tenho essa mania besta ...

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4 X 3

Você tinha alguma dúvida? Ainda que uma reles e insignificante dúvida? Confesso: eu nunca tive qualquer dúvida, embora não tenha o dom de praticar o ilusionismo, com a virtude de prever o futuro. Não. E não. De vez em quando jogo em loterias, mas passo bem longe do resultado. Se for para acertar cinco, no máximo consigo o acerto de um ou dois números, ou mesmo fico no zero. Sou um fenômeno negativo em previsão. A depender disso, continuarei escravo dos meus parcos ganhos de magistrado e professor. E vou levando a vida, já que nem posso fazer um ...

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