Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Traição e traidores

Ao definir o que seja traição, o Pequeno Dicionário de Houaiss o faz em linguagem direta e simples, sem maior rebuscamento semântico, dizendo que é a quebra da fidelidade, e acrescenta, ainda, o sentido da deslealdade. Com base nessa acepção semântica, ser traidor é ser simplesmente infiel, ou desleal. Parece, nesse conceito restrito dicionarizado, que o ato de trair é um quase nada. Ou seja: no fundo, no fundo, é o amigo que é amigo até certo ponto, daí em diante, já não é mais, mudou de lado, por um conjunto de conveniências, sempre fartamente justificáveis. Esclareço: quando ...

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"Viver é melhor que sonhar"

Por isso cuidado, meu bem / Há perigo na esquina / Eles venceram e o sinal / Está fechado pra nós / Que somos jovens. Versos de Como nossos pais, obra-prima de Belchior. Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, gênio da música brasileira, que nos legou todos esses cantares eternos, que ficaram imortalizados na voz da também eterna Elis Regina. Como nossos pais é uma canção feita por Belchior no momento em que o Brasil vivia a parte mais sangrenta e cruel da sua história: a repressão da ditadura militar de 1964, que, sob os aplausos do nosso ...

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Rui Barbosa: O justo e a Justiça Política

Baiano. E dos bons. Jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador. Viveu a transição histórica do Império para a República. Foi abolicionista. Candidato à presidência da República na campanha civilista, em 1919. A Constituição Federal de 1891, que adotou o sistema presidencialista, seguindo o modelo norte-americano, e atribuiu ao recém-criado Supremo Tribunal Federal o controle sobre a constitucionalidade das leis e atos administrativos do Legislativo e do Executivo, tem a sua inspiração e transpiração. Em defesa da liberdade - era um liberal -, instituiu a garantia fundamental ao habeas corpus. Rui Barbosa fez a revisão do projeto ...

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Lima Barreto, Doria, Bolsonaro etc.

Num dos livros de antologia de crônicas de Lima Barreto, há uma bem atual, cujo título é O novo testamento. O romancista de Triste fim de Policarpo Quaresma, de forma satírica, nos primeiros parágrafos, esclarece aos seus leitores por que se propõe candidatar-se a deputado: - Eu também sou candidato a deputado. Nada mais justo. Primeiro: eu não pretendo fazer coisa alguma pela Pátria, pela família, pela humanidade. Um deputado que quisesse fazer qualquer coisa dessas, ver-se-ia bambo, pois teria, certamente, os duzentos e tanto espíritos dos seus colegas contra ele. Contra as suas ideias levantar-se-iam duas centenas ...

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Apitos de fábrica

Terminada a festança, teria que vir a bonança. Ou melhor, nem sempre: o que vem mesmo é uma forte tempestade. Por que isso? Quando tudo acaba na quarta-feira, cessando o retinir dos tamborins, a gente volta pra luta. Viver é lutar. É o cotidiano que nos chama. Como diz o poeta Chico na célebre canção: carnaval/desengano/quarta-feira/sempre desce o pano. O carnaval mudou. Tudo mudou. A vida mudou. Óbvio, né? O pano não tem dia para descer. Muito menos a máscara para ser tirada. Somos palhaços dos risos e das lágrimas.

Sempre foi assim. Desde os tempos ...

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Banco do Brasil, made in Carolina

Estou em plena Carolina. Bem no Sul do Maranhão. Já foi um dos municípios mais prósperos deste Estado. Um grande produtor de carne e exportador para outros mercados, como o do Pará. A sua história econômica é de exuberante riqueza. Por aqui, esteve o grande Procópio Ferreira se apresentando no teatro da cidade. Também passou, pelo seu aeroporto, um dos melhores da região, o corpo de Cármen Miranda, quando trasladado dos Estados Unidos para o Rio de Janeiro. Possuía um excelente meio de transporte fluvial, através do qual o sua produção agropecuária era escoada. Hoje, tem um museu, ...

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Luiz Reis, um maranhense bom de samba

Alguns dados biográficos desse maranhense, cujo nome veio a lume num sarau na casa do amigo e confrade Lourival Serejo, com a auspiciosa lembrança de Saldanha, músico, compositor, poeta e cantor, que sempre abrilhanta o encontro com a sua voz e violão, assessorado pela participação ativa de alguns acadêmicos, que sabem não só escrever bem, mas fazer uso da operística voz, a exemplo do nosso romancista Waldemiro Viana, ou, ainda, de Joaquim Itapary, que não deixa por menos, lembrando de letras das músicas e de acontecimentos pitorescos nos mínimos detalhes.

Voltemos ao maranhense Luiz Reis. Muita ...

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Quem paga o pato?

Pego uma das nossas folhas. Página inteira, em anúncio publicitário, de cabo a rabo, está a grande e intocável Fiesp (pra quem desconhece, a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), indignada com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, aquele que tem o dom da ubiquidade, servindo à direita ou à esquerda, mas sempre agradando aos detentores do dinheiro. Dessa vez, diz a turma do notório Paulo Skaf, desagradou. Antes de atacar o ministro, joga a poderosa (que nada tem a ver com Anita, a musa pop) alguns confetes: "O Brasil tem realizado um grande esforço ...

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