Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Em Tempo de Copa

Fui sempre um apreciador do ludopédio, palavra esta que sofre da vaidade de ser sofisticada, com jeitinho esnobe, usada avilsareiramente pelos dicionaristas, e que o vulgo, como nós outros, tem dela nenhuma ideia do que seja. Mas, estamos em pleno momento de euforia da prática do ludopédio. Bem, se não quiserem ludopédio, vale balípodo, ou mesmo o tradicionalíssimo futebol. O Brasil, denominado por muitos entendidos por pátria de chuteiras, clichê recorrente e adequado pela circunstância ora vivenciada por todos nós, está com 200 milhões de torcedores na Rússia, que já congregara a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou ...

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Chico!, Dona Ivone eterna, como seu sonho!

Sonho meu, sonho meu / Vai buscar quem mora longe, sonho meu / Vai mostrar esta saudade, sonho meu / Com a sua liberdade, sonho meu (...) Traz a pureza de um samba / Um samba que mexe o corpo da gente / E o vento vadio embalando a flor. Com o lirismo desses versos e a melodia que os faz eternos, Dona Ivone Lara nunca passará, Chico. Tudo passará. Os céus e terra passarão. Mas o encantamento poético se eterniza na arte que nos embala e nos faz sonhar que o mundo é de todos os poetas: ...

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O Estado foi feito para o homem

Nos tempos antigos, bem antigos, havia aqueles, e eram muitos, que guardavam o sábado. Nada faziam. Só respiravam, porquanto não havia como se livrarem desse ato biológico natural que lhes garantia viver. Sétimo dia: o Nosso Senhor resolveu descansar da labuta de ter criado o mundo, incluindo o homem e, de quebra, da costela, fez nascer a mulher. No poema O dia da criação, o poetinha Vinicius de Moraes, faz referência a esse momento glorioso do advento do ser humano ao mundo: Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo ...

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"Caminhoneiro é trabalhador. Não anarquista."

Sei, por deduções óbvias, que uma boa parte, senão a totalidade, da turma do "golpeachment" do recentíssimo ano de 2016, que integra a chamada elite do atraso, na coerente e atual acepção do sociólogo, filósofo e psicanalista Jessé Souza, está ruminando impropérios contra os caminhoneiros e, por extensão, aos seus empregadores. A frase em epígrafe muito apropriadamente é do presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos. Vejam bem: quem já andou pelas estradas desse imenso Brasil, sabe o quanto esses homens e mulheres sofrem transportando carga de um lugar para outro. Muitas vezes, carregando consigo a família, numa ...

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O legado de Temer?!

Absorto, como sempre o faço, estava fazendo a leitura da revista CartaCapital, que tem à frente esse bravo e combativo jornalista Mino Carta, e inteirava-me dos fatos que as outras semanárias escondem. Fiquei sabendo que a nossa pátria amada se encontra em depressão econômica, embora o meu bolso já tivesse sentido o impacto cruel dessa situação que tem atingido milhões de brasileiros, ora desempregados, ora subempregados, ora na informalidade, e ora no ora, ora. Fiquei ainda sabendo que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou a baixa às instâncias judiciais, de Minas Gerais, o inquérito que envolve ...

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Foi assim...

Fazia-se política com extrema tenacidade na região tocantina. Especialmente em Imperatriz. Cheguei a esta cidade no dia 5 de fevereiro de 1975. Onde, como os versos do poeta José Chagas, me fiz e me refiz. Vim de uma estada no Rio de Janeiro. Lá, na hoje não tão Cidade Maravilhosa, como o fora na poética de seus cantores, aprendi e desaprendi muita coisa. Em Imperatriz, vivi e convivi com um universo sonhado de muitos sonhos. Falei várias línguas e fantasiei-me de Hércules para arrostar alguns desafios. Uns que não exigiam força, mas apenas não ter medo do enfrentamento. ...

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Um pouco de Marx

Os amigos, muitas vezes, são provocativos. No bom sentido. Fustigam-nos para que possamos acolher o desafio de realizar alguma empreitada nem sempre tão fácil de chegar ao bom termo. Quieto, fazendo outras leituras ou algum estudo, a não exigir grande esforço cognitivo deste cansado cérebro de setenta anos, recebo o sempre agradável telefonema do meu dileto amigo Lourival Serejo, com o qual tenho o prazer de trocar ideias quase diariamente. Provocava, incisivo, o nosso ilustre desembargador e acadêmico da AML e AIL: - Marx, se fosse vivo, faria 200 anos e tu não vais falar dele? No primeiro ...

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1º de Maio

De logo, alerto: não é essa data o dia do trabalho, é o dia do trabalhador. Nesse sentido, com exigências atuais, é dia do trabalhador e da trabalhadora. Basta que seja alguém que trabalhe mediante recebimento de salário. Mas nem sempre foi assim. Durante muitos e muitos anos, foi apenas dia do trabalho. O trabalhador era assemelhado a um escravo. Só que o escravo era um bem patrimonial, integrando a propriedade do seu senhor, que detinha amplos direitos sobre esse patrimônio-escravo. Já o trabalhador, nessa condição, trabalhava de sol a sol (com algumas pequenas variações) e recebia (e ainda recebe) ...

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