Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Direita, Volver!

Na Constituinte, iniciada em 1.º de janeiro de 1987, cujos debates temáticos deram origem à Constituição de 1988, a direita (hoje entronizada no poder Executivo, Legislativo e Judiciário), representada por parlamentares conservadores, oriundos do sepultado regime civil-militar e eleitos pelas forças dominantes, convergiu para o Centrão, bloco reacionaríssimo formado por deputados e senadores do PMDB, PFL, PDS, PTB e de outras legendas de menor expressão. Na esquerda, estavam partidos como PT e PDT. O Centrão detinha maioria na Constituinte e representava setores da direita conservadora, tendo conseguido decidir votações importantes, como a questão referente à reforma agrária, ao ...

leia mais +

Linotipista, não me corrija!

Fiquei na dúvida se no título colocaria o ponto de exclamação. Relutei. Mas, por via das dúvidas, resolvi fazer uso desse sinal exclamativo. Por quê, não me perguntem. Não sei. Continuo na dúvida. E, por estar na dúvida, melhor recorrer a ele, até porque a exclamação se encontra desprezada nos dias de hoje. Não muito distante no tempo, os jornais gostavam de fazer uso da exclamação, a evocar a atenção do leitor sobre alguma matéria sensacionalista. Agora, não há essa necessidade. Tudo, quando não é fake news, são assuntos corriqueiros. E, por isso mesmo, não há exclamação que ...

leia mais +

Vesti azul (e rosa?!)

Há uma ministra do atual governo federal que, segundo as suas palavras, afirma, com veemência verborrágica, que estamos no alvorecer de uma “nova era”. Até aí tudo bem. Nada a opor. Em seguida, a erudita ministra, que ocupa a pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, ressalta a regra fundamental a ser seguida nessa “nova era”: “menino veste azul e menina rosa”. Pronto, nessa máxima filosófica, ética e moral, com pigmentação de crença religiosa, muitos começaram a polemizar; já outros, nem tanto. Alguns, preocupados com as cores azul e rosa, para distinguir menino de menina, entenderam que se ...

leia mais +

“Faça-se em mim segundo a tua palavra”

E se esta mulher respondesse não? Como seria o rito da história? Mas, diz o evangelho que, após a explicação do anjo Gabriel, ela, a virgem prometida em casamento a um homem chamado José, ciente de que o Espírito Santo desceria sobre a sua pessoa, como escolhida por Deus, aceitou ser a mãe do Filho de Deus, a quem teria que dar o nome de Jesus, e disse, com humildade, fé e convicção: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra.” Antes de concordar com a proposta do anjo enviado por Deus, os ...

leia mais +

Meu Brasil

 
Meu Brasil não é o de exibição de bandeirinhas verdes e amarelas. Também não é o Brasil de apenas cantar, em pose de sentido, o Hino Nacional. Meu Brasil não é tão somente o que ganha a Copa do Mundo, a servir de regozijo em passeatas ufanistas; mas também é o que perde, com a dignidade da cabeça erguida e não da subserviência. Meu Brasil tem várias cores. É o negro, o branco, o mulato, o pardo, o de alvos dentes, ou dos dentes amarelados, e ainda o dos banguelas, que emitem um sorriso trágico, ...

leia mais +

"Meu mundo é hoje"

Por esses dias, saí daqui deste aprazível Estado, de belas praias e rios, para fazer uma visita de compromisso (dever de função) no Rio de Janeiro. Foram-me dadas muitas recomendações. Muito cuidado com isso, muito cuidado com aquilo. Parti extremamente precavido, literalmente sem portar um mísero canivete, ainda que pudesse topar na primeira esquina com um daqueles facínoras, que me daria um tiro de fuzil na cabeça, para fazer-me ingressar na estatística de bala perdida. Mas... para o meu consolo e aplacar os meus fortíssimos temores, lembrei, ou alguém mais aflito me alertou, que o Rio, com todas ...

leia mais +

O fascismo eterno

Esse título que nomina esta coluna foi literalmente apropriado de um opúsculo do filósofo, medievalista, semiólogo e romancista Umberto Eco, publicado pela Record, sob o título de “O fascismo eterno”, no qual ele narra, de forma crítica, a sua experiência de jovem fascista italiano, vivida no reinado de Benito Mussolini. O texto, transformado em livro, decorreu de uma conferência em inglês, pronunciada num simpósio organizado pelos departamentos de italiano e de francês da Columbia University, em 25 de abril de 1995, para celebrar a libertação da Europa. Consoante esclarece o pensador italiano, “o texto foi pensado para um ...

leia mais +

Vulnerabilidade e o superendividamento do consumidor

Estamos vivendo um período denominado enfaticamente de black friday. Manifestação de consumo de massa tipicamente norte-americana, que foi transplantada para o Brasil, que adora essas novidades estadunidenses, sobretudo na era Trump. Não sei se a tal black friday dura um dia, uma semana ou um mês. Só sei que está como um vírus letal disseminada em todos os lugares e todas as portas. Vive-se, dorme-se, acorda-se e come-se black friday. Tudo vendido a preço de banana. Expressão esta mais antiga do que andar pra frente e que caiu em absoluto desuso, sendo substituída, de algum tempo para cá, ...

leia mais +